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Reconstrução do Japão contribui para a demanda

Notícias Gerais

29/09/2011


Responsável pelo consumo de 13% do minério de ferro vendido no mundo, a economia japonesa também é observada de perto por analistas e empresários do setor metálico. Se de um lado o agravamento da crise nos EUA e na Europa pode afetar a demanda do Japão, grande exportador de eletroeletrônicos e veículos, de outro, o país investe para reconstruir as regiões afetadas pelo terremoto de março, que provocou cerca de US$ 300 bilhões em prejuízos. “O Japão pode aumentar sua participação no mercado mundial”, diz Paulo Camilo Vargas Penna, presidente do Ibram.
Para Ronaldo Valiño, líder de mineração e siderurgia da PwC Brasil, a reconstrução da infraestrutura afetada ocorrerá em uma velocidade mais rápida que em outros países e também poderá ser um fator de alta da demanda do minério em curto e médio prazos.
Dos US$ 26,6 bilhões em minério de ferro exportados pelo Brasil entre janeiro e agosto, o Japão foi o segundo maior comprador, perdendo apenas para a China, que responde por quase metade dos embarques. Para o Japão, foram vendidos US$ 2,6 bilhões, 10% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.
Além do Japão, o mercado observa a Índia, que poderá ter influência sobre o balanço entre oferta e demanda do metal, já que entre 2002 e 2010 respondeu por cerca de 10% da oferta global de minério no mundo, segundo estudo do Barclays.
Recentemente, um comitê do governo indiano contra a corrupção apontou que 100 empresas do setor mineral e 600 executivos e políticos estavam envolvidos em ações ilegais nas operações na região de Karnataka, que responde por cerca de um quinto da produção de minério na Índia. A mobilização contra a ilegalidade tem prejudicado a produção de minério. Em paralelo, o governo anunciou que pretende elevar em 30% as tarifas de exportação de minério, buscando fortalecer a indústria siderúrgica local e os estoques. A produção indiana de minério deve cair de 98 milhões de toneladas em 2010 para 80 milhões de toneladas em 2011, segundo o Barclays.
Mas o aumento da produção siderúrgica local para atender à industrialização do país e a migração de mais de 200 milhões de indianos do campo para as cidades poderão tornar a Índia um exportador líquido de minério de ferro. “Há uma aposta de que a Índia possa ingressar em breve com mais vigor no mercado, porque ela tem reservas de baixa qualidade e ainda precisará investir com força na infraestrutura interna”, diz Valiño, da PwC. A ascensão da Índia poderia reduzir um pouco a participação da China, que hoje responde por cerca de 60% do mercado transatlântico de minério.
Estados Unidos e Europa respondem por cerca de 15%, metade do que foi apurado em 2002, de acordo com analistas

Valor Econômico


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