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Rapidez e economia com inovação aberta

Notícias Gerais

18/09/2013


Deter a propriedade intelectual sobre produtos e processos tornou-se uma obsessão global, como mostram tanto a guerra de patentes travada nos Estados Unidos e na Europa – onde se digladiam grupos com o peso da Apple e Samsung – como a espionagem industrial, que ganhou novo impulso com a internet.
Na contramão dessas tendências, porém, algumas companhias têm buscado modelos para criar inovação sob prazos mais curtos e custos mais baixos, mesmo que não se tornem detentoras exclusivas das novidades em gestação. É a inovação aberta, na qual equipes de várias origens trabalham no mesmo projeto.
A Vale tornou-se, no Brasil, uma das principais defensoras desse modelo. Entre 2009 e 2012, a companhia investiu mais de R$ 400 milhões em projetos de inovação em parceria com institutos de pesquisa. Os investimentos anuais em inovação aberta respondem por 20% a 25% dos aportes totais da Vale em ciência e tecnologia, diz Luiz Mello, diretor de tecnologia e inovação da Vale e presidente do Instituto Tecnológico Vale.
As áreas de pesquisa incluem estudos de viabilidade econômica, engenharia, exploração, mineração, ciência e tecnologia. As patentes são registradas em conjunto, mas a Vale adota apenas as patentes relacionadas à sua atividade. “Há casos em que a inovação aberta gera um produto que tem interesse comercial, mas não está ligado aos negócios da Vale. Então o direito de exploração fica com a universidade ou instituto”, afirma Mello.
A preocupação no mundo da inovação aberta é definir de forma clara a divisão dos direitos de propriedade sobre o que é criado. Há várias vertentes. Uma empresa pode pagar um valor para deter o direito total sobre a inovação, compartilhar o direito de propriedade e os royalties sobre o produto, ou ceder todos os direitos à companhia parceira ou ao profissional que desenvolveu o novo produto ou processo. No caso da Vale, há iniciativas em todos os casos.
Na 3M, que também faz registros de patentes compartilhadas com outras empresas ou pesquisadores, a recomendação é ser cuidadoso. “É poético se falar em inovação aberta, mas as companhias continuam com a necessidade de proteger sua propriedade intelectual”, afirma Luiz Serafim, líder de marketing empresarial da 3M no Brasil e autor do livro “O Poder da Inovação – Como Alavancar a Inovação na sua Empresa” (Saraiva).
Em seu processo de inovação, a 3M compra patentes de projetos apresentados por pesquisadores e institutos de pesquisa, licencia patentes ou as compartilha, dependendo do tipo de inovação. “A patente compartilhada é menos comum”, afirma o executivo. No ano passado, a 3M registrou 3,1 mil pedidos de patentes no mundo, das quais dez foram registradas no Brasil.
Além de parcerias com empresas, universidades e institutos de pesquisa, a 3M passou a investir há dois anos em projetos de inovação aberta com a colaboração direta dos consumidores. Em um dos projetos, a companhia oferece a consumidores a oportunidade de testar produtos e sugerir inovações. Em outro, lança a cada trimestre um tema e convida clientes a pensarem sobre o assunto, sugerindo ideias sobre a questão. “O consumidor evoluiu, está mais informado e participativo. A tendência é que esses processos de inovação com colaboração de consumidores ganhem mais importância nos próximos anos”, afirma Serafim.

Valor Econômico


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