Próximo resultado da Vale já deve ter impacto do minério mais caro, avalia corretora
06/04/2010
“O potencial de alta de 160% no preço do minério de ferro pode trazer impacto aos resultados do primeiro trimestre de 2010 da Vale (VALE5)”. A análise, de Raphael Biderman, membro da equipe de research da Bradesco Corretora, reflete a recente mudança anunciada pela mineradora brasileira no preço do minério de ferro a ser cobrado a partir deste ano.
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Após quarenta anos de negociações anuais a portas fechadas com os executivos das grandes siderúrgicas, o minério de ferro passará a ser reajustado em bases trimestrais, ?em um sistema mais flexível?, nas palavras usadas pela Vale. Os impactos e consequências do novo processo de precificação da commodity são não somente muitos, mas profundos e de amplo alcance. Reajustes mais frequentes podem implicar um minério mais caro.
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Em relação ao acordo, a Bradesco Corretora acredita que “é uma boa notícia”, uma vez que ele foi fechado através do consenso da maioria dos clientes da Vale, que aceitaram a submissão ao novo sistema de preços proposto pela mineradora brasileira, “o que é favorável aos preços do minério de ferro no curto e médio prazos”.
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Biderman ressalta que os resultados da companhia deverão refletir a mudança nos preços. “Nós conversamos com a equipe de Relações com Investidores da mineradora, que disse que os clientes que ainda estão ajustando os preços em calendário anual (aqueles fora da Ásia) – os quais estimamos que representam 25% a 35% das vendas da Vale -, serão responsáveis pelo impacto do novo preço do minério nos resultados do primeiro trimestre, visto que os contratos foram assinados antes do fim do 1T10”, afirmou em relatório publicado nesta segunda-feira (5).
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Alta de 160%
Na visão do analista, o preço do minério de ferro deve subir 160% no primeiro semestre. Segundo ele, já em abril a alta será de 90% para a Vale equivaler seu preço à média cobrada pelo mercado em geral. Em seguida, o custo da commodity deverá sofrer nova alta de 36% em junho para alcançar o preço praticado no mercado à vista, “que é 160% maior que o antigo patamar de benchmark”, destacou Biderman.
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Em seus cálculos, a Bradesco Corretora estima que o Ebitda (geração operacional de caixa) da Vale apenas do minério de ferro deverá atingir um patamar acima dos R$ 39 bilhões entre janeiro e março deste ano. Assumindo um FV (valor da empresa, resultado da capitalização de mercado descontada da dívida líquida) de US$ 186 bilhões, Biderman acredita que a relação FV/Ebitda da mineradora seria de apenas 4,8 vezes, desconsiderando a geração operacional de caixa oriunda de outras commodities. Historicamente, esta relação é de 8,7 vezes.
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“Este é um número um tanto quanto radical e nós precisamos checar com a Vale”, ponderou o analista que, por conta deste motivo, manteve seu preço-alvo em R$ 79,2 para cada ação preferencial classe A da mineradora, com recomendação de desempenho acima da média do mercado. O papel também é top pick do setor, segundo a corretora.
InfoMoney