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Projeto no Rio Grande do Sul pode suprir demanda de titânio e zircão no país

Notícias Gerais

10/03/2014


O projeto Atlântico Sul, da Rio Grande Mineração (RGM), que produzirá ilmenita, zircão e rutilo, no município de São José do Norte, do Rio Grande do Sul, poderá suprir toda a demanda de zircão existente no país, além produzir material excedente para a exportação, informou o CEO da companhia, Luiz Bizzi, em entrevista ao NMB.
Segundo o executivo, o país importa hoje cerca de 60% do zircão consumido no Brasil. O projeto da RGM ?vai substituir toda a importação e exportar um excedente grande?, informou Bizzi. De acordo com o CEO, o material excedente deverá ser vendido para a Europa, China e para os países árabes.
O projeto é uma junção dos antigos projetos da Bojuru, da Paranapanema, e Retiro, da Rio Tinto, comprados pela Rio Grande. O objetivo do empreendimento é produzir anualmente 400 mil toneladas de ilmenita, 50 mil toneladas de zircão e 20 mil toneladas de rutilo, quando a mina estiver a plena capacidade.
Caso tudo ocorra conforme planejado, o projeto deverá iniciar operação em 2017 e deverá chegar a plena capacidade em cerca de dois anos. A vida útil da mina está estimada em 22 anos, mas, segundo Bizzi, há outras áreas que também pertencem à companhia, que poderão aumentar a vida útil da mina em uma segunda fase. A região não foi completamente estudada, mas sondagens iniciais mostram potencial minerário.
Além disso, empresa é dona de uma área ao norte do Uruguai e existe a possibilidade de extrair o mineral da jazida no país vizinho e trazer através da Lagoa dos Patos para processamento no Brasil.
Na primeira fase do projeto, serão investidos cerca de US$ 340 milhões para estabelecimento da lavra e para a planta de processamento de minério que será construída em São José do Norte.
O processo de beneficiamento do minério será feito por meio de separação gravimétrica, magnética e eletrostática. ?Esses processos evitam o uso de produtos químicos que possam afetar o meio ambiente?, afirmou o executivo, lembrando que isso é um ponto positivo para a obtenção das licenças ambientais necessárias.
A lavra será feita a céu aberto e por meio de dragagem, já que o lençol freático na região é aflorante e água é abundante. O processo de recuperação topográfica será feito em tempo real à medida que a frente de lavra avança e demorará cerca de 18 meses para recompor cada lote de área minerada.
Segundo explicou o executivo, será um sistema itinerante de lavra, que ao todo percorrerá uma área de 80 quilômetros de extensão e dois quilômetros de largura que vai retirando o material de uma área e utilizando esse mesmo material para recompor a área que já foi utilizada. Ao mesmo tempo em que serão replantadas espécies nativas retiradas da região. Esse processo de extração e recuperação de cada área deverá durar cerca de 18 meses.
O mineral começará a ser beneficiado durante a própria dragagem, que fará a dissolução do minério e utilizará o processo de separação por gravidade para enviar o material de valor econômico para a planta de processamento e o restante retorna para a recuperação da topografia.
Em relação ao escoamento da produção, a empresa ainda está em negociação com a Estaleiros do Brasil (EBR) e com outras empresas estabelecidas na região, sobre a possibilidade de utilização de espaço portuário que está sendo construído em São José do Norte para escoar o material que será exportado.
?Estamos conversando com a EBR, assim como estamos conversando com outras empresas para termos uma parceria bastante ampla em termos de infraestrutura da cidade?, explica Bizzi. ?Se tivermos possibilidade de escoar o minério por São José [no Norte], sem atravessar o canal é melhor?, afirma.
De acordo com o executivo, a empresa também poderá fechar parceria com a EBR para a construção da planta de processamento e equipamento de lavra. ?Seria um parceiro muito bom para construir nossa unidade industrial quando chegar a hora?, disse.
A companhia também está em negociações para adquirir os equipamentos necessários para o projeto. Segundo Luiz Bizzi, a maior parte de funilaria dos equipamentos e plantas será toda adquirida no Brasil, “tomando vantagem da excelente capacidade instalada e mão de obra disponíveis em Rio Grande, mas alguns equipamentos precisarão ser importados, como algumas bombas de alta performance e equipamentos de automação”, disse.
Em relação à engenharia do projeto, a RGM está trabalhando com empresas estrangeiras que tem ampla experiência no desenvolvimento de minerais pesados, como a Hatch, a RTA e a ZTMI. Na parte ambiental, a companhia fechou parceria com duas empresas, a HAR Engenharia e a CPEA, que estão ajudando na parte de licenciamento ambiental.
Quando o projeto estiver em funcionamento deverá gerar cerca de R$ 70 milhões anuais em impostos, prevê o CEO da companhia, além de abrir cerca de 350 postos de trabalho diretos além dos indiretos. Luiz Bizzi disse que os esforços serão direcionados para aproveitar a mão de obra local, e para isso poderão ser disponibilizados cursos de formação profissional pela própria empresa, além de fechar parceria com empresários e entidades locais.

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