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Projeto de mineração gera polêmica no Uruguai

Notícias Gerais

03/06/2011


Um projeto de exploração mineira a céu aberto a cargo de uma empresa de capital indiano gera polêmica no Uruguai e divide uma pequena região pecuarista entre aqueles que comemoram o aumento do emprego e aqueles que querem proteger o equilíbrio ambiental.;
A mineradora Aratiri – filial local do grupo Zamin Ferrous – explora há dois anos uma área de 120.000 hectares na região de Cerro Chato (centro-leste uruguaio) em busca de ferro, mineral cujo preço não para de subir diante da demanda dos países asiáticos.
;O governo ainda não autorizou o início da extração, que seria feita sobre 12.000 hectares, e pediu um novo relatório de impacto ambiental, mas as atividades de exploração na região já geraram resistências.
;No Uruguai, o subsolo é propriedade do Estado, fazendo com que os proprietários privados da terra não possam negar-se a permitir a exploração caso esta tenha sido autorizada.
;Claudia Perugorría, que há 10 anos comprou 47 hectares na região de Cerro Chato, autorizou a entrada da empresa em seu terreno, mas agora diz que a companhia o “destruiu”.
;A destruição à qual Perugorría se refere foi confirmada com a passagem de caminhões, o ruído, mais perfurações do que as acordadas e sobretudo danos nos pastos, os quais os produtores cuidam como se fosse ouro porque é a base da exploração pecuária no país.
;”O tapete vegetal nesse tipo de solo demora muito para se recuperar”, disse a mulher, que iniciou uma ação judicial por danos contra a mineradora e se nega a vender seu terreno.
;Julio Gómez, porta-voz dos produtores incomodados, assegura que o projeto é “excessivo” para o tamanho do Uruguai (176.215 km2) e “altera seriamente o equilíbrio ambiental existente há mais de 200 anos na região”.
;”Vai haver uma substituição de uma atividade produtiva sustentável por uma atividade de tipo extrativo que trabalha com um recurso finito, como o ferro, e que tem um ciclo de vida de 30 anos”, declarou, enquanto mostra uma série de pequenos montes que desapareceriam com a exploração.
;”O solo vai ficar totalmente degradado e não vai servir para nada”, lamenta.
;Segundo o Código Mineiro em vigor – em revisão no Parlamento – o Estado fica com 5% do mineral extraído.
;Com um investimento previsto de 2,5 bilhões de dólares, a maior da história do país, o projeto da mineradora inclui um mineroduto de 200 km até o mar e um porto de águas profundas na costa.

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