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Procura-se mão-de-obra qualificada na mineração

Notícias Gerais

16/11/2007


Pesquisa: Região Norte é a campeã nacional da carência de profissionaisA região Norte é campeã em saldo negativo de oferta de mão-de-obra qualificada, no ranking de regiões registra­do pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). No Norte, segundo pesquisa divulgada esta semana pelo órgão, existe uma estimativa de demanda de 99.031 empre­gos formais, porém, a oferta de mão-de-obra qualificada é de apenas 69.940 trabalhadores, o que representa um saldo ne­gativo entre oferta e demanda de -29.091 trabalhadores. As duas outras regiões que apre­sentaram saldo negativo foram o Sul (- 26.335) e o Centro-Oeste (-13.447).A pesquisa do IPEA também levou em conta os setores da economia e aponta a minera­ção como a que mais necessita de profissionais qualificados. No Brasil, enquanto em setores como a construção civil, agro­pecuária, indústria extrativa vegetal e animal e serviços há excedente de mão-de-obra qua­lificada, no sentido inverso, a indústria de transformação e extrativa mineral apresen­tam uma carência estimada de mão-de-obra qualificada de quase 117 mil pessoas em 2007, o que equivale a 26,2% dos empregos anualmente criados neste setor.”Vivemos um momento em que a mineração enfrenta o problema da falta de capaci­tação do trabalhador e da falta de mão-de-obra qualificada. Os profissionais mais expe­rientes estão se aposentan­do e a carência de novos trabalhadores é grande”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Camillo Penna. A entidade representa mais de 80% das empresas do setor no Brasil. Rinaldo Mancin, diretor de Assuntos Ambientais do Ibram, lembra que no Norte a situação fica mais difícil ainda, devido às pe­culiaridades da região. “Es­sas dificuldades são maiores ainda se transpormos para a realidade da Amazônia, onde a mineração está chegando a regiões longe dos grandes centros e capitais, onde con­sequentemente, a mão-de­-obra necessária tem que ser totalmente formada. Um bom exemplo dessa complexida­de pode ser conhecida pelos desafios que cercam o em­preendimento de extração de bauxita que a Alcoa implanta em Juruti, no qual um volume substantivo de recursos está sendo investido na formação de mão-de-obra local, refor­çando a integração com as co­munidades locais”, completa Mancin, referindo-se a um pro­jeto de mineração de bauxita que está sendo implantado no oeste paraense. Pará O Pará é reconhecido ho­je como o segundo maior Estado minerador do Brasil, detentor de 22% da produção nacional, atrás apenas de Mi­nas Gerais, com 44%. Com a expectativa da mineração paraense dobrar sua pro­dução para mais de US$ 14 bilhões até 2010, o problema da falta de mão-de-obra pa­ra o setor torna-se mais alar­mante ainda. Paulo Camillo Penna, do lBRAM, conta que, para reverter o quadro, o Instituto Brasileiro de Mine­ração irá discutir o tema na 2ª Conferência de Responsa­bilidade Socioambiental da Amazônia – Mineração Sus­tentável, que o Ibram pro­move em Belém nos dias 19 e 20 de novembro, no Teatro Maria Sylvia Nunes. O Ibram também lançou o Programa Especial de Saúde e Seguran­ça do Trabalho na Minera­ção, que tem como objetivo diminuir o número de aci­dentes de trabalho no setor por meio de implantação de uma série de medidas, como programas de treinamento e intercâmbio. De acordo com o Instituto, bons salários, oportunidade de crescimento e qualidade de vida são propostas apre­sentadas para contornar a situação da falta de mão-de-obra. Rinaldo Mancin ressalta que é preciso que as empre­sas estimulem ou até mesmo divulguem as propostas de trabalho com mais afinco co­mo forma de `chamamento`. “Quem oferecer as melhores oportunidades de carreira vai ficar com os melhores profissionais”, finaliza. Carência de profissionais leva empresa a investir na qualificação Para contornar o déficit de trabalhadores capacitados, muitas empresas que atuam no setor de mineração estão buscando parcerias para ga­rantir a qualificação de mão­-de-obra nos seus projetos. A Alcoa Mina de Juruti firmou parceria com o Serviço Na­cional de Aprendizagem In­dustrial (SENAI) do Pará para levar cursos profissionali­.zantes para os moradores do município de Juruti, no ex­tremo Oeste do Estado, onde a Companhia implanta uma mina de extração e beneficia­mento de bauxita. Em Juruti, por meio da parceria, mais de seiscentas pessoas já participaram dos cursos profissionalizantes, com foco na capacitação dos trabalhadores locais. As aulas ocorrem no Galpão do Produ­tor Rural, cedido pela Prefeitu­ra de Juruti e reformado pela Alcoa até que a escola perma­nente do SENAI no município fique totalmente concluída. A unidade deve estar pronta ain­da no ano que vem. Segundo o diretor de ges­tão do SENAI no Pará, Dário Lemos, cerca de quatro mil pessoas devem ser qualifi­cadas pelos próximos dois anos. “Essa parceria é muito importante para levar quali­ficação aos que buscam uma vaga no mercado de traba­lho, mas também serve de incentivo para aqueles que buscam aperfeiçoamento e visam uma oportunidade de evoluir profissionalmente e garantir um futuro melhor”, afirma Dário. Para a Alcoa, o investi­mento em qualificação no próprio município repre­senta também uma forma de valorizar a mão-de-obra local. “Em Juruti, diante da realidade local, observamos que para priorizar a mão-de-obra local teríamos, inclusi­ve, que investir na formação profissional. Essa parceria está indo muito bem. Bons profissionais estão no mer­cado de trabalho. A procura pelos cursos é grande”, conta Mauricio Macedo, gerente de Sustentabilidade e Assuntos Institucionais da Alcoa Mina de Juruti. Com investimentos de R$ 1,8 milhão, a Alcoa forma­lizou contrato de dois anos com o SENAI e deu início em meados do ano passado ao processo de qualificação de pessoas para trabalhar na indústria de mineração. Re­centemente, a Companhia também implementou o Pro­grama de Formação de Ope­radores e Operadoras (PFO), que é realizado em Juruti para suprir a necessidade de pessoas para atuarem na planta industrial do empre­endimento “O que a gente tem como resultado disso é principalmente a empregabi­lidade das pessoas de Juruti. Nosso processo seletivo bus­cará no PFO os profissionais que farão parte do quadro de funcionários da empresa”, afirma a gerente de Recursos Humanos da Alcoa, Neuza Silva, acrescentando que as aulas começam em 12 de no­vembro. Vale do Rio Doce capacita trabalhadores para o projeto Salobo Segundo Dário Lemos, do Senai, outras empresas do setor de mineração procu­ram a entidade para montar cursos que não existem no Estado. Entre elas, a Compa­nhia Vale do Rio Doce, que está implantando o Projeto Salobo, com capacidade pa­ra processar 12 milhões de toneladas de minério de co­bre. A expectativa é de gera­ção de uma média de 3.500 empregos durante a fase de construção, em Canaã dos Carajás o projeto deverá en­trar em operação no primeiro semestre de 2010.Pela parceria entre o Senai e a Vale do Rio Doce, cerca de 500 pessoas devem ser qualifi­cadas até o final deste ano. “O que podemos perceber é que existe emprego, mas a carên­cia de mão-de-obra qualificada dificulta a contratação de pes­soal, por isso as empresas nos procuraram, justamente para suprir essa carência. Outra coi­sa é o custo. Muitas empresas arcam com os custos de qua­lificar seus colaboradores, ou­tras não possuem programas de aperfeiçoamento contínuo”, explica Dário Lemos. Além do IPEA, outros ór­gãos como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também realizaram pesquisas que comprovam a carência de mão-de-obra no BrasiL Segun­do a CNI, a falta de capacitação do trabalhador é um fato ne­gativo, sobretudo na área de produção, pois restringe o au­mento da competitividade. Das 1.714 indústrias entrevistadas, entre os dias 29 de junho e 18 de julho deste ano, 56% pos­suem problemas de falta de mão-de-obra qualificada. No total, a pesquisa analisou 949 pequenas, 507 médias e 258 grandes empresas. A área de produção é a mais afetada, independente­mente do porte da empresa. E a indústria extrativa é um dos setores que mais recla­ma falta de mão-de-obra. A pesquisa da CNI aponta ainda que a busca pela eficiência é a ação mais afetada por todas as empresas. Das entrevistadas, 36% mencionaram que a falta de mão-de-obra qualificada prejudica a busca pela quali­dade de produtos. E 25% que o problema afeta a aquisição de novas tecnologias. O desenvol­vimento de novos produtos foi outro ponto citado por 23% das empresas. Uma outra pesquisa, re­lacionada ao setor mineral, mostra que os problemas relacionados ao fato dos profis­sionais mais experientes esta­rem se aposentados não são só brasileiros. Segundo estudo do Departamento de Minas e Mi­nerais da Universidade Virgí­nia Tech, nos Estados Unidos, a idade média dos profissionais que trabalham na mineração é superior a 40 anos. No leste do País, onde estão localizadas as minas de carvão, a situação é mais preocupante: a média já passa dos 50 anos.

O Liberal – PA


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