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Presidente da Glencore diz que ação vai se recuperar

Notícias Gerais

06/07/2011


O diretor-presidente da Glencore International AG, Ivan Glasenberg, acostumado a atropelar obstáculos depois de quase 20 anos à frente do rolo compressor de commodities, encontrou mais recentementeuma série de desafios acentuados por uma estreia decepcionante nas bolsas que ele classifica de “surpreendente”.
;Em entrevista ao Wall Street Journal, Glasenberg culpou “fatores externos”, tais como a crise financeira grega, pela falta de entusiasmo dos investidores com as ações da Glencore após sua oferta pública inicial de 18 de maio, dizendo que “os mercados se voltaram contra nós.” Mas ele expressou confiança quanto ao futuro da demanda pelos serviços de sua empresa à medida que países como China e Índia se desenvolvem rapidamente, e disse que “o preço da ação vai cuidar de si mesmo conforme gerarmos lucros”.
;A queda de 9% nas ações da Glencore é um revés raro para a empresa que, desde sua fundação, se tornou ao longo de quatro décadas um ator dominante no mercado mundial de commodities, derrubando rivais e criando vasta riqueza para seus sócios no caminho, acima de tudo o seu combativo chefe.
;Nas últimas sete semanas desde o turbulento IPO da empresa, ela foi criticada por todos, desde o presidente da França até seus próprios investidores. As ações da Glencore, distribuídas a investidores selecionados por menos de 530 pences, ou cerca de US$ 8,50, cada, caíram desde então para 486 pence, na Bolsa de Londres, no fechamento de ontem, dando à empresa um valor de mercado de 33,64 bilhões de libras (US$ 54,1 bilhões). Esse desempenho está em contraste gritante com o do LinkedIn Corp, cuja também muita aguardada abertura de capital ocorreu no mesmo dia e cujas ações mais do que duplicaram, dando à empresa de relacionamento profissional on-line, que não dá lucro, um valor de mercado de US$ 8,66 bilhões.
;Ao contrário da LinkedIn, a Glencore é uma empresa da velha economia. Ela se constitui num conjunto de ativos, incluindo uma operação comercial que encontra compradores e vendedores para commodities desde açúcar até petróleo e metais, bem como ativos físicos, tais como fazendas e minas, e participações em outras empresas de recursos naturais.
;A empreza de Zug, na Suíça, que tinha operado em grande parte fora dos radares antes de decidir ir à bolsa, é uma máquina de lucros que obteve US$ 1,3 bilhão, excluindo alguns itens, no primeiro trimestre. Ela tem sido o objeto de admiração e curiosidade por parte dos investidores e concorrentes.
;Glasenberg e seus auxiliares tinham trabalhado cuidadosamente na véspera do IPO para garantir que as ações subiriam em sua estreia, para ganhar assim a lealdade dos investidores. Mas as ações ficaram estáveis no primeiro dia de pregão e depois, caíram. Glasenberg precisa de uma ação valorizada porque espera, no futuro, adquirir rivais, inclusive a gigante da mineração Xstrata PLC, da qual a Glencore já detém uma participação de 34%, e para isso ele pode ter de usar ações da Glencore.
;”É bom fazer um IPO onde seus investidores obtêm valor imediatamente e o preço da ação salta, isso prova que você deixou algo na mesa para eles”, disse ele no escritório da Glencore no bairro de Mayfair, em Londres. “Infelizmente, depois que demos os preços e começamos a negociar, o mercado se voltou contra nós.”
;Para ser preciso, o ambiente do mercado tem sido hostil ultimamente e os preços das commodities caíram por causa dos novos sinais de fraqueza na economia mundial, bem como os movimentos da China, maior consumidor mundial de commodities, para controlar o seu crescimento fervilhante.
;Mas somente o ambiente externo não explica a fraqueza da ação da Glencore. Na verdade, o índice STOXX Europe 600 Basic Resources está em alta de 2,0% desde que Glencore abriu o capital em uma listagem simultânea em Londres e Hong Kong.
;O que também prejudicou as ações foi o primeiro balancete trimestral da Glencore em 14 de junho. Analistas previam lucro perto de US$ 1,5 bilhões. O resultado de US$ 1,3 bilhão fez as ações caírem 4,5% naquele dia e deixou alguns investidores da empresa furiosos.
;Pelo menos parte da decepção ante as previsões iniciais pode ser atribuída à queda das commodities depois da abertura de capital, e Glasenberg disse que a Glencore deve se beneficiar de planos para aumentar a produção no restante de 2011 e além.
;Duas notícias negativas desde que as ações passaram a ser negociadas também servem como um lembrete dos riscos associados a uma empresa que ganha dinheiro com commodities que alimentam a população e a máquina da economia mundial – e que fez nome atuando em países de que seus rivais preferem manter distância.
;Em junho, o European Investment Bank disse que estava investigando acusações de evasão fiscal contra a Glencore em Zâmbia, onde a empresa possui a Mopani Copper Mines PLC, um devedor do EIB. O EIB afirmou que tinha “sérias preocupações sobre a governança da Glencore que vão muito além do investimento da Mopani”, e congelou financiamentos adicionais à empresa.
;A Glencore nega qualquer irregularidade, e Glasenberg minimizou a questão, dizendo que “todas as empresas de mineração [têm] problemas fiscais”.
;Duas semanas depois, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em um discurso de alto nível em que pediu maior regulamentação do comércio de commodities, fez uma referência crítica à Glencore, dizendo que o IPO da empresa foi emblemático da especulação prejudicial nos preços das commodities.
;Glasenberg refuta que a Glencore não é uma especuladora, e produz e transporta commodities muito necessárias em todo o mundo. “Estamos criando nova oferta para o mundo, o que é fundamental”, disse ele. “Se não conseguirmos toneladas a mais no sistema, o seu próximo automóvel vai custar mais, porque o custo do alumínio será maior”.
;A Glencore também presta um serviço para os países, como iniciativas no Congo e na Zâmbia para construir escolas, hospitais e outras infraestruturas, criando emprego e gerando receitas fiscais, disse Glasenberg.
;Glasenberg, que se tornou uma das pessoas mais ricas do mundo em ações no dia do IPO, com um patrimônio líquido perto de US$ 10 bilhões, insiste que não está se preocupando com os movimentos do dia-a-dia das ações da Glencore.
;Ao contrário das empresas de tecnologia em que os investidores IPO estão colhendo frutos sem esforço, e cujos boatos são fáceis de reproduzir, de acordo com o Glasenberg, a Glencore tem “um negócio sustentável que ainda existirá daqui a cem anos”, disse ele.

Valor Econômico


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