Preço deve se manter nos próximos meses
09/02/2012
Após cair cerca de 18% a partir do segundo semestre do ano passado, o preço do minério de ferro no mercado spot (à vista), que chegou a US$ 180 por tonelada em 2011 e em seis meses despencou para US$ 140, deve permanecer na casa dos US$ 150 durante os próximos meses, segundo analistas do setor. Em função das turbulências do cenário econômico internacional, os especialistas não acreditam nas chances de que a cotação da tonelada do insumo siderúrgico retorne ao altíssimo patamar de US$ 180. ;”A tonelada da commodity só alcançará este valor novamente se houver um evento climático forte o suficiente para impactar as mineradoras e os portos, ou se a crise na zona do euro for completamente resolvida em pouco tempo”, avalia Francisco Schettino, consultor e ex-presidente da Vale S/A, ressaltando que o excedente de 400 milhões de toneladas de aço no mundo também contribui para a manutenção dos preços em menor nível. ;Por outro lado, se não há esperança de que a cotação ultrapasse a marca dos US$ 150, também é pequena a possibilidade de queda muito acentuada nos preços da tonelada do minério. “A cotação não chegará a menos de US$ 100. As incessantes chuvas que caíram sobre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo prejudicaram os embarques de minério pelo Brasil. A Vale até chegou a decretar ?força maior? em razão da situação. Este fator, aliado a uma expectativa de melhorias na economia internacional, devem forçar uma recuperação dos preços para um patamar de US$ 150 a US$ 160″, estima o analista-chefe da SLW Consultoria, Pedro Galdi. ;Fragilidade – Embora também projete uma cotação de US$ 150 para a tonelada do minério de ferro no mercado à vista nos próximos meses, o presidente da Associação Brasileira para o Progresso da Mineração, José Mendo Mizael de Souza, argumenta que, diante da fragilidade da atual economia mundial, é impossível analisar o cenário para a commodity de maneira mais detalhada. ;”Em um momento em que a Grécia negocia a dívida que vai servir de parâmetro para a crise da Europa, qualquer previsão é especulativa”, Souza aposta que os demais países do continente vão “salvar” a economia grega, o que poderá impulsionar uma recuperação nos preços do minério de ferro. “Se a solução apresentada for razoável, a China, que está mais cautelosa atualmente, dará sinais de crescimento, o que também fortalecerá bastante o mercado”, afirma. ;Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês foi de 10,3%. No ano passado, o número caiu para 9,2% e a meta do governo do país asiático para 2012 é chegar aos 8% até o fim do exercício. Apesar da tendência de arrefecimento, Souza continua apostando na demanda chinesa como mola propulsora da indústria mineral. ;”Esquecemos de levar em conta os números absolutos. Temos que ressaltar que a China cresce sobre uma base de comparação muito forte. Uma expansão de 8% em cima de outra de 9,2% representa uma evolução enorme. Além disso, está sendo formado um mercado comum na região, que inclui Vietnã, Tailândia e outros países que elevarão a demanda por minério na Ásia”, avalia. ;O presidente também rechaçou a possibilidade de que os novos e vultosos investimentos em curso e ainda previstos para o setor podem pressionar os preços para baixo, já que com a implementação dos projetos haverá um aumento significativo da oferta do insumo no mundo nos próximos anos. ;”Temos que lembrar que tanto as minas do Brasil, quanto as da Austrália e as jazidas de todo o mundo têm recursos limitados, que vão se exaurir. O que acontecerá, portanto, pode não ser um aumento da oferta, mas sim uma substituição dela”, esclarece.
Diário do Comércio