Porto Seco normaliza operações só em 40 dias
07/04/2011
Interrupção na ferrovia Centro-Atlântica gerou grandes prejuízos para exportadores; carga de minério e grãos acumulada ultrapassou as 12 toneladas
As operações do Porto Seco Centro-Oeste foram retomadas em sua capacidade total há cerca de uma semana, mas a estação aduaneira ainda enfrenta dificuldades para normalizar a circulação das mercadorias. O acúmulo de cargas passou de 12 mil toneladas e agora os grãos são a prioridade de transporte na Ferrovia Centro-Atlântica. Conforme o superintendente do Porto Seco, Edson Tavares, a expectativa é de superar inteiramente as atuais dificuldades em até 40 dias.
Para isso, Edson Tavares explica que está em curso um planejamento para normalizar as operações comprometidas no menor prazo possível. ?A distribuição das mercadorias que estão em nosso pátio será regularizada em 15 dias. Mas, nossa preocupação é quanto às demandas futuras que com certeza irão acumular. Estamos buscando um planejamento neste sentido?, explicou. Dessa forma, a perspectiva é de mais cerca de 25 dias para sanar na totalidade os problemas causados pela interrupção na linha da Ferrovia Centro-Atlântica.
Conforme o superintendente do Porto Seco Centro-Oeste as principais mercadorias estocadas no Porto Seco de Anápolis são soja e minérios. Esses produtos têm como destinos os portos de Santos (SP) e Vitória (ES), onde devem seguir em navios com destino, principalmente, a países da Europa e da África.
Edson Tavares indica que a dificuldade no desembaraço e atividades afins significa grandes prejuízos para os exportadores, já que não se consegue mudar o modal de transporte de uma hora para outra. Além disso, o custo da espera dos navios é elevado. ?Muitos exportadores estão perdendo seus prazos e isso gera danos. De nossa parte estamos negociando e fazendo compensações em busca de contornar a situação?, comenta o superintendente. Para ele, os ônus só não foram maiores porque a interrupção foi comunicada às empresas, que em alguns casos alteraram os trajetos das cargas, enviado-as por outros portos.
O superintendente do Porto Seco, conta ainda que centenas de locomotivas ficaram paradas nos dois sentidos, o que obrigou os exportadores a estabelecer uma nova logística para conseguir mandar as mercadorias para fora do Estado. ?Chegamos a despachar algumas mercadorias em caminhões. É lógico que essa não é a melhor opção, pois o transporte gera custos maiores, mas foi uma das saídas encontradas?, aponta. Para cumprir os prazos na entrega da soja, seguindo a alternativa do transporte rodoviário, os custos tiveram acréscimo de até 30%, representando um volume de 350 a 400 caminhões a mais nas estradas.
Causa
Foram três semanas de interrupção na Ferrovia Centro-Atlântica causada pelo descarrilamento de um trem carregado com fosfato no município de Cumarí, perto da divisa com Minas Gerais, no dia 11 de março.
A situação se agravou desde que o desvio construído no local foi interditado devido ao excesso de chuvas. O trecho não suportou o peso das locomotivas e acabou afundando. Segundo a FCA, empresa que responde pela ferrovia, a opção foi por suspender temporariamente a circulação de mercadorias como forma de prevenir acidentes.
O Porto Seco Centro Oeste é o terceiro maior do Brasil na sua categoria, responde pela circulação de mercadorias para importação e exportação e integra os sistemas ferroviário, rodoviário e aéreo.
Jornal do Estado de Goiás