Porque o câmbio é fundamental
19/11/2009
Vamos entender de forma simplificada o efeito câmbio sobre a economia brasileira.
Os personagens do jogo:
Empresa Interna
Empresa Externa
Fornecedor Interno (que vende para a Empresa Interna)
Fornecedor Externo
Consumidor Interno (que é o trabalhador da Empresa Interna)
Consumidor Externo
O que ocorre nesse universo quando a moeda nacional (o real) se valoriza em relação à moeda internacional (o dólar):1.;A Empresa Interna compra insumos do Fornecedor Interno e vende para o Consumidor Interno e para o Consumidor Externo.2.;Aí o dólar se desvaloriza e os produtos externos ficam mais baratos. Em um primeiro momento, a Empresa Interna passa a adquirir gradativamente insumos do Fornecedor Externo. Barateia seus produtos e melhora o poder aquisitivo do Consumidor Interno (porque os produtos vendidos ficam mais baratos). Melhorando o poder aquisitivo, o mercado interno cresce.3.;À medida que o dólar vai se desvalorizando, mais e mais a Empresa Interna aumentará sua compra do Fornecedor Externo. Com isso, o Fornecedor Interno vai reduzindo suas vendas e demitindo o Consumidor Interno. 4.;Nesse segundo momento, a Empresa Interna terá cada vez mais dificuldades em vender para o Consumidor Externo, porque o dólar mais barato tornará seus produtos (cotados em reais) mais caros do que os concorrentes externos.5.;Internamente, a Empresa Interna aumentará cada vez mais a compra de insumos externos. No começo, alguns componentes; depois vai substituindo componentes mais complexos, fabricados no país, por produtos importados. Com isso, além de enfraquecer sua rede de Fornecedores Internos, precariza cada vez mais sua força de trabalho. A importação acaba substituindo o desenvolvimento interno. Com isso, os melhores empregos acabam sendo transferidos para os Fornecedores Externos.
6.;No terceiro tempo, a Empresa Externa invade o mercado com produtos mais baratos. E a Empresa Interna demitirá mais e mais sua força de trabalho.***Até agora se falou de empresas já instaladas e consolidadas no país. Mas com o dólar desvalorizado, torna-se extremamente difícil o aparecimento de empresas de conteúdo tecnológico ? que são aquelas que geram os melhores empregos.Japão, Coréia, China, seguiram um caminho único ? que pareceu se abrir para o Brasil em 2003, quando houve uma maxidesvalorização cambial espontânea, que fugiu ao controle do Banco Central.***Muitas pequenas empresas, com produtos com algum grau de tecnologia, entravam no mercado internacional graças ao preço mais barato ? proporcionado pelo câmbio favorável. Esse processo ocorreu amplamente no Brasil em 2003. À medida que as vendas fossem aumentando, as empresas cresceriam, ganhariam musculatura e passariam mais e mais a investir em pesquisa, inovação, a melhorar a qualidade de seus produtos. Foi esse mesmo procedimento que transformou a Sony, Toshiba, Toyota, LG, Samsung em multinacionais globais.***As pequenas empresas brasileiras que arriscaram em 2003 foram varridas do mapa pela posterior apreciação do real. Quando o câmbio estiver no lugar certo, outras nascerão para retomar o caminho perdido.
Bolha especulativa a caminhoUma nova bolha em ativos pode se formar nos países ricos dentro dos próximos meses, devido ao descompasso entre a recuperação da economia e os níveis elevados de desemprego e déficit fiscal. Enquanto o nível de endividamento apresentado pelos Estados Unidos e pelo Japão acaba limitando a capacidade de editar medidas de incentivo, na China existe o perigo da bolha especulativa nos preços de ativos imobiliários e acionários.
Petrolíferas lucram altoAs petrolíferas são as que mais estão lucrando em 2009. Estudo da consultoria Economática revelou que a Petrobras obteve o segundo maior lucro líquido do terceiro trimestre nas Américas, com US$ 4,107 bilhões. Perdeu apenas para a norte-americana Exxon Mobil, que produziu um ganho de US$ 4,73 bilhões. A terceira foi a sua conterrânea Chevron Texaco, com US$ 3,831 bilhões. No ranking de 25 empresas, a outra brasileira foi a mineradora Vale (22ª), com lucro de US$ 1,689 bilhão.
Ações dos BRIC vão subirAs ações de mercados emergentes vão se valorizar até 40% nos próximos 4 anos, devido à aceleração econômica e queda da dívida pública. “Os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) realmente estão no topo das nossas posições favoritas”, disse o megainvestidor Mark Mobius, presidente da Templeton Asset Management, ressaltando que os setores de consumo e commodities devem puxar a valorização. O fundo mantido por Mobius possui cerca de US$ 2 bilhões investidos nos BRIC.
São Paulo perde fatia no PIBA participação do Estado de São Paulo na economia brasileira está caindo. Levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que o Estado mais rico da Federação contribuía com 37,3% do PIB nacional em 1995. Em 2007, a fatia caiu 3,4 pontos percentuais, para 33,9%. A perda maior foi na indústria geral ? devido a transferências interestaduais de empresas ? e em serviços, mas houve aumento na agropecuária.
Brasil e Argentina discutem barreirasA presidente da Argentina, Cristina Kirchner, está no Brasil para discutir as barreiras comerciais aplicadas por ambos os países. Desde 2008 a Argentina exige licenças para a importação de produtos brasileiros, o que desviou parte do fluxo de comércio para os chineses. Em retaliação, o Brasil impôs licenças para 35 bens argentinos. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos os países precisam se enxergar como parceiros interdependentes.
Rússia perto da OMCA Rússia anunciou sua intenção de entrar para a Organização Mundial do Comércio (OMC), seja de forma isolada, ou como união aduaneira com Belarus e Cazaquistão. A sinalização dos russos quanto a um ingresso rápido na OMC foi bem recebido pela União Europeia, principal parceira comercial. Já a união aduaneira entre Rússia, Belarus e Cazaquistão começa em 1º de janeiro próximo, completando-se no início de 2011.
Último Segundo