Planeta precisa de redução da pobreza
22/06/2012
;Para o presidente da Vale, Murilo Ferreira, esse é um problema que tem de ser solucionado para resolver a questão ambiental
Um dos assuntos mais delicados e que precisam ser efetivamente discutidos em todas as instâncias é a questão da erradicação da pobreza como meio fundamental de melhorar a vida no planeta, afirmou ontem o presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, em discurso, durante o seminário de lideranças empresariais, no espaço Humanidade, no Forte de Copacabana.
?Não vamos resolver o problema ambiental sem resolver a pobreza. A pobreza é uma violação dos direitos humanos e, hoje, 1,3 bilhão de pessoas ou 22% da população mundial vive com menos de US$ 1,25 ao dia. Nosso desafio é fornecer um posicionamento econômico digno a às pessoas. Que as pessoas sem agredir o meio ambiente tenham um rendimento justo pela economia verde?, disse.
Ele destacou que a mineração não é mais agressiva e mudou com a tecnologia. Citou a unidade da Vale em Carajás, que usa a tecnologia em sua atuação. Ferreira falou sobre o orgulho de a Vale ter em Carajás uma floresta nativa ao lado da mineração, que desde 1985 é preservada. Para ele, o desafio das empresas em países em desenvolvimento é sempre o de mostrar que são melhores.
?O mundo todo olha com lente mais grossas e mais hipócritas para o hemisfério sul. Mas basta verificar os níveis de poluição nos países centrais. Temos que mostrar que somos melhores que outros países. Hoje temos sete bilhões de pessoas no mundo e em 2050 serão 9 bilhões. Esses dois bilhões não virão dos países desenvolvidos e eu espero que essas pessoas estejam consumindo em um planeta justo?, disse.
O empresário Eike Batista, que dividiu com Ferreira a palestra sobre sustentabilidade no ambiente empresarial, afirmou que o governo brasileiro criou boas regras para o cumprimento de ações que favoreçam o meio ambiente e estas regras estão bem amarradas a mecanismos que o setor empresarial depende para se desenvolver.
?Grandes empresas cumprem as regras porque senão não conseguem as licença. O Brasil industrial é bacana. Mas me preocupo com educação. O exemplo da Lagoa Rodrigo de Freitas retrata isso. Sou eu que tenho que limpar todo dia. Vamos cada um levar seu lixo para casa e achar um meio de lidar com ele?, comentou, destacando que em quatro anos a Lagoa á reduziu em 90% o percentual de coliformes fecais. Mas reclamou que é preciso engajamento da população.
?Temos que ensinar ao brasileiro que tudo é nosso. Eu sou uma andorinha só. Gordinha, mas não faço tudo?, brincou. Sobre o documento final elaborado pelas delegações mundiais na Rio+20, O empresário achou o teor fraco, pelo fato de a crise econômica ter sido uma desculpa dos países ricos para investir menos e se engajar menos. ?Quando falta dinheiro ninguém quer pagar a conta. Eu me considero um indutor porque gasto dinheiro com isso (referindo-se a projetos ambientais e de sustentabilidade)?, opinou.
Participação na CSA O presidente da Vale, Murilo Ferreira, negou que tenha sido pressionado pelo governo para que a mineradora aumentasse sua participação da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA).
A ThyssenKrupp, que tinha 73,18% da operação, saiu do negócio no mês passado. O percentual restante pertence à Vale, que já havia dito que não tinha interesse na compra da parte da Thyssen.
Brasil Econômico