PIB precisa ter expansão de 5% no 4° trimestre para fechar ano com crescimento
11/12/2009
O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país) precisa apresentar uma expansão de 5% nos últimos três meses do ano, em relação ao mesmo período de 2008, para que a economia brasileira feche 2009 estagnada, ou seja, com crescimento zero.
A estimativa foi apresentada hoje pela gerente de Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis, destacando que esse cálculo não é realizado pelo instituto.
Para que haja uma queda de 1% no resultado do PIB de 2009, a economia precisaria crescer apenas 1% no quarto trimestre na comparação com o igual período do ano anterior.
Rebeca Palis considerou o resultado do PIB relativo ao terceiro trimestre um sinal de recuperação da economia, embora tenha admitido que a taxa de 1,3% em relação ao trimestre anterior, divulgada hoje aponte um ritmo menos intenso do que se acreditava.
Em relação ao terceiro trimestre de 2008, a economia apresentou retração de 1,2% e, no acumulado em nove meses, a queda foi de 1,7% frente ao período de janeiro a setembro de 2008.
Rebeca acrescentou que a revisão de dados dos trimestres anteriores, que revelaram quedas ainda mais intensas no PIB do segundo trimestre de 2009 (-1,6% e não -1,2%, como divulgado anteriormente) e no resultado do primeiro trimestre do ano (-2,1% e não -1,8%), contribuíram para que a expansão fosse menor do que a prevista. Ela ressaltou, no entanto, que seria um “exagero” afirmar que a nova leitura seria capaz de mudar o cenário econômico do país.
– O que aconteceu foi que nós revisamos toda a série, mudando os números para trás. Nós acabamos botando um pouco para cima o crescimento do terceiro trimestre do ano passado, que era de 6,8% e agora foi para 7,1%, e no quatro trimestre de 2008 acabou sendo o contrário: era de 1,3% e agora ficou em 0,8%. Óbvio que todas essas coisas afetaram o crescimento do terceiro trimestre desse ano. Além disso, quem faz as previsões de crescimento não tinha acesso a esses novos dados ainda – afirmou.
De acordo com o instituto, essas revisões ocorreram em função da consolidação de resultados relativos a 2007 e a 2008.
Indústria puxa crescimento
A expansão de 1,3% da economia brasileira no terceiro trimestre do ano, em comparação ao trimestre anterior, foi impulsionada pelo desempenho do setor industrial, que teve crescimento de 2,9% no período.
De acordo com Rebeca Palis, a indústria e os investimentos lideraram a recuperação da economia.
– Esses foram os setores que, durante a crise, haviam caído mais e, agora, estão em ritmo de recuperação – observou.
Em relação ao mesmo período do ano anterior, no entanto, a indústria apresenta queda de 6,9%. A retração é menor do que as registradas nos trimestres anteriores, quando o setor chegou a cair 10,4% no período de janeiro a março e 8,6%, de abril a junho.
Ainda de acordo com o levantamento do IBGE, os investimentos tiveram alta de 6,5% no terceiro trimestre em relação ao segundo, registrando a maior elevação frente a um trimestre imediatamente anterior desde o primeiro trimestre de 2006. Já contra igual período do ano anterior, os investimentos caíram 12,5%, principalmente pela redução da produção interna e da importação de máquinas e equipamentos.
O consumo das famílias no terceiro trimestre teve expansão de 3,9% e registrou a 24a alta consecutiva na passagem de um trimestre para o outro, com expansão de 3,9%.
Agnelli, da Vale, prevê que PIB vai crescer mais de 6% em 2010
Hoje também, o presidente da mineradora Vale, Roger Agnelli, disse acreditar que o crescimento econômico do Brasil será de mais de 6% no próximo ano.
– O Brasil termina o ano de 2009 muito bem e vai crescer no ano que vem acima de 6%. A gente tem que estar feliz, porque saímos à frente da crise – afirmou.
Para o executivo, a avaliação de que o crescimento de 1,3% do PIB no terceiro trimestre deste ano ante o segundo trimestre ficou abaixo das estimativas dos analistas econômicos não muda o quadro.
– Se o crescimento for zero, não importa, porque comparado com as projeções feitas no início do ano estamos terminando o ano em um cenário muito melhor.
Agnelli afirmou que o ano de 2009 para o Brasil foi muito melhor do que se poderia sonhar, ante o desastre preanunciado no final de 2008. Ele comentou ainda que, em uma recente viagem feita pela Ásia, Europa e EUA, constatou que apenas no mercado norte-americano ainda não foram registrados sinais consistentes de recuperação.
O presidente da Vale esteve hoje na capital mineira para o lançamento do Instituto Tecnológico Vale (ITV), que prevê investimentos de R$ 120 milhões em parceria com três agências de fomento à pesquisa no Brasil. A companhia pretende construir uma unidade do ITV em Ouro Preto (MG), especializada na produção de pesquisas científicas em temas de mineração. A segunda unidade será instalada em São Paulo, voltada para inovações em energia, em parceria com o centro tecnológico da Vale Soluções em Energia (VSE) em São José dos Campos (SP) e a terceira será implantada em Belém (PA), para priorizar pesquisas em desenvolvimento sustentável. As agências de fomento envolvidas no programa são as Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados de Minas Gerais (Fapemig), Pará (Fapespa) e São Paulo (Fapesp).
Agnelli afirmou que “a mineração viverá um momento muito bom” no próximo ano. Ele não comentou, porém, sobre as perspectivas para as negociações de preços de minério de ferro para 2010.
“Pibinho” é o da União Européia, diz Mantega
Apesar do resultado mais fraco que o esperado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não demonstrou grande preocupação com os dados do PIB divulgados hoje pelo IBGE. Ele se deu até mesmo ao luxo de brincar com o resultado, logo que chegou para a entrevista em que comentaria o número referente ao terceiro trimestre.
Provocado pelos jornalistas, Mantega foi logo falando:
– Tudo bem? Aqui está tudo bem. E aí?.
Diante da resposta dos repórteres de que estava “mais ou menos por causa do Pibinho”, Mantega devolveu a provocação:
– Pibinho é o da União Européia.
O ministro provocou risos aos presentes e acrescentou:
– União Européia, positivo 0,4%. Esse é que é o Pibinho! Da Espanha, Alemanha, EUA… esses sim. Reino Unido, negativo.
Na entrevista, o ministro procurou mostrar que mais importante que o número é a trajetória de qualidade do crescimento, com o aumento dos investimentos. Ele não se intimidou pelo fato de ontem ter previsto um crescimento muito maior que o divulgado pelo IBGE.
Gastos do governo – O ministro ressaltou ainda que o crescimento do consumo do governo no terceiro trimestre ficou abaixo da expansão geral do PIB, que foi de 1,3% em relação ao segundo trimestre.
– Por isso, não procedem as análises de que o governo está gastando muito – disse.
Mantega lembrou que a indústria está puxando o crescimento da economia e que houve um aumento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), considerado o número mais expressivo do terceiro trimestre.
– A qualidade do crescimento está muito boa. Nós queremos crescimento com investimento e atividade produtiva – afirmou.
Para CNA, queda na agropecuária já era esperada
Os números negativos do PIB da agropecuária brasileira no terceiro trimestre do ano vieram dentro das expectativas da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, senadora Kátia Abreu (DEM-TO).
– Os números não trouxeram surpresa para o setor. O que fez o PIB cair foi a redução de 10 milhões de toneladas de grãos de 2008 para 2009, passando de aproximadamente 144 milhões de toneladas para perto de 134 milhões de toneladas – disse a senadora.
De acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE, o PIB agropecuário do terceiro trimestre recuou 9% na comparação com idêntico período do ano passado e caiu 2,5% ante o segundo trimestre deste ano.
– Nossa safra é medida quando é plantada e só se planta uma vez por ano – comentou Kátia Abreu.
A presidente da CNA voltou a apresentar sua expectativa para a safra de grãos em 2010, que deve somar algo em torno de 140 milhões de toneladas.
– Não é um volume próximo ao recorde (de 144,1 milhões de toneladas verificado na safra 2007/2008), mas acredito que possamos compensar a queda do ano passado e voltar a crescer – considerou.
Monitor Mercantil