Pesquisas batem recorde no RN
10/01/2011
Em 2010, o número de requerimentos de pesquisa em áreas para garimpo no Rio Grande do Norte bateu o recorde da década ? 772 pedidos feitos junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) contra metade disso (308) em 2009.;
Com o fim da crise imobiliária americana, que obrigou empresas em todo o mundo a pisar no freio do investimento, o salto no número de requerimentos para pesquisa e lavra; reflete a pressa dos players da mineração no mundo em assegurar seus espaços em áreas de exploração promissoras.
?Trata-se de uma resposta do mercado à crise mundial de 2008 e às perspectivas de pesados investimentos no mercado brasileiro de infraestrutura com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016?, resume Otacílio Carvalho, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, ao analisar as perspectivas principalmente na exploração de calcário, matéria-prima do cimento.
Nas próximas semanas, o chefe do Departamento Nacional de Produção Mineral no RN, Carlos Magno Bezerra Cortez, solicitará a todas as empresas com autorizações de pesquisa mineral no RN que apresentem, ainda nos próximos dois meses, o detalhamento de seus investimentos em pesquisa e lavra para que o DNPM possa direcionar seus trabalho de fiscalização desenvolvido por uma equipe de seis geólogos e três engenheiros de minas.
Hoje, por conta do tamanho da equipe de fiscalização, cada profissional consegue analisar apenas um processo por mês. Em cada projeto isolado eles gastam de dois a três dias só no levantamento de informações ?in loco?. A compilação de dados e análise ? atividade de escritório -; toma o resto do tempo.
?Com a nova exigência de que as empresas de mineração apresentem um detalhamento de como andam seus projetos, queremos selecionar melhor as áreas a receberem a visita da fiscalização, evitando dispersões e perda de tempo?, acrescenta.
No momento, há um visível incremento na exploração do calcário, onde só a Votorantim, a maior produtora brasileira de cimento, tem mais de 60 áreas no RN.
A empresa, que concentra operações em setores de base da economia como cimento, mineração e metalurgia, siderurgia, celulose e papel se instalou em Baraúna, próximo a Mossoró, com a Mizu Cimentos, que já concluiu, juntamente com a concorrente CP Cimentos (Poti), o Eia-Rima ? Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental.
Todos esses projetos já estão em fase adiantada de instalação, a exemplo também da Cia de Cimento Apodi, ligada a Cerâmica Elisabeth, da Paraíba, e a Companhia de Cimento Cearense.
O cálculo é de que aproximadamente 3 mil áreas estejam sob reserva para pesquisa e lavra no Rio Grande do Norte.
O brilho das pedras ornamentais
Nem só de cimento, extraído a partir do calcário, que é vasto no território potiguar, vive o Rio grande do Norte. Segundo o chefe do DNPM no estado, Carlos Magno Bezerra Cortez, a exploração de pedras ornamentais é uma grande fonte de trabalho e sobrevivência para a população com altos, porém fragmentados, investimentos.
?Pode-se dizer que todas as grandes empresas do mundo no negócio de pedras ornamentais estão no Rio Grande do Norte?, assegura Carlos Magno. ?Mas não há uma predominância desta ou aquela empresa, pois elas são muitas?, acrescenta. Num segmento onde os interesses são globais, a diferença entre pesquisa e lavra do início da exploração guarda uma boa distância.
Segundo Otacílio Carvalho, da Sedec, há casos em que as empresas já sabem quanto poderão extrair de uma área com pesquisa consolidada, mas não têm interesse de inciar a exploração por terem preços mais competitivos pelo minério em uma de suas minas que pode estar no outro lado do mundo.; Motivos logísticos também estão entre as causas que retardam o início de operação de uma mina.
?Assim, essas empresas preferem guardar a área aqui para um segundo momento, quando a situação se inverter e o mercado favorecer a uma exploração local?, explica Otacílio Carvalho.
Dimensionar o movimento extremante dinâmico da mineração no estado requer revisões constantes, pois sempre estão mudando de controle acionário e passando por revisões de prioridade.
Um dos projetos esperados para entrar em atividade este ano é a mina Bonfim, localizada no município de Lajes, marcando a volta ao estado da exploração da scheelita e de subprodutos com o ouro e o bismuto. A estimativa é de uma produção anual de 170 toneladas de scheelita direcionada para o mercado interno.
O processo de reativação da mina já está gerando centenas de empregos como operador de matelete e de carregadeira, técnico de laboratório, torneiro mecânico, especialista em mesa vibratória, sondador e diversas outras atividades.
O RN, na fase áurea da exploração mineral, já foi celeiro importante de mão de obra nesse setor. Com a queda da atividade, a maioria dos profissionais migrou para outros estados, principalmente Minas Gerais.
Calcário lidera investimentos puxado pelas cimenteiras
Em 2008, quando a crise se instalou no mercado imobiliário americano, quebrando bancos e se alastrando pelo mundo, o número de requerimentos para pesquisa e lavra no RN foi de 702.
Como a indústria cimenteira é sempre a primeira a cair e a última a se levantar quando a crise atinge as obras civis, os pedidos de pesquisa e lavra no estado despencaram para; apenas 308 em 2009.
A retomada vigorosa da atividade de mineração no estado, agora, coincide com a previsão de 20% no crescimento do mercado de cimento no Nordeste para 2011.
O geólogo Otacílio Carvalho, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, diz que é preciso prestar muita atenção nesse movimento das mineradoras, pois grandes investimentos no estado se consolidarão a partir disso. ?Afinal, há pesquisa e exploração mineral em 150 dos 167 municípios do RN?, observa.
De olho no crescimento do setor da construção civil, principalmente no Nordeste, a Lafarge, o maior produtor; de materiais de construção do mundo, adquiriu em meados do ano passado os ativos cimenteiros que pertenciam à Votorantim na Paraíba (Cipasa), na Bahia (estação de moagem de Aratu) e em Goiás (estação de moagem de Cocalzinho).
Para manter o direito de pesquisa e lavra, além de pagar taxas anuais que variam de acordo com as dimensões da área requerida, as empresas são fiscalizadas pelo DNPM quanto à efetividade de sua pesquisa. As autorizações tem a vigência de dois ou três anos, renovados por mais dois ou três. A empresa também pode desistir da área em um ano, acelerando o rimo de seu investimento na pesquisa. Foi isso que fez a CSN ? Companhia Siderurgia Nacional -, ao liberar antes do tempo metade um terreno requerido para a pesquisa e lavra de minério de ferro no estado.
Tribuna do Norte