Pesquisadores falam em Manaus sobre os cálculos da sustentabilidade
15/08/2013
As economias de livre mercado não conseguem traduzir os anseios e desejos da sociedade contemporânea. A produção de riqueza medida unicamente a partir do Produto Interno Bruto (PIM) é incapaz de revelar os aspectos daquilo que não é computado
Nos países desenvolvidos, a preocupação com uma percepção mais clara e objetiva da produção de riqueza é tema central de pesquisadores que se dedicam a descobrir e revelar novos métodos e caminhos para analisar o impacto da ação do homem nas mudanças climáticas. Tema que afeta diretamente setores de primeiro impacto como a agropecuária, mineração e geração de energia.
Para debater tais assuntos, em setembro, estará em Manaus o professor do Instituto de Ecologia Social da Universidade de Viena, doutor Helmut Harberl, um teórico empírico da relação sociedade-natureza e desenvolvimento sustentável que, nos últimos anos, liderou projetos com foco nas relações entre metabolismo socioeconômico e mudanças no uso da terra.
Ele será um dos palestrantes do 20º Congresso Brasileiro de Economia (CBE), que acontece entre os dias 4 e 7 do próximo mês no Tropical Hotel, sob o tema ?Economia Verde, Desenvolvimento e Mudanças Econômicas Globais?.
Helmut Harbert estuda os impactos da apropriação humana dos recursos naturais. Seus trabalhos resultam em centenas; de artigos científicos que já foram publicados nas revistas mais importantes do mundo científico.Produção de riquezasAinda para falar sobre os aspectos gerais que envolvem a produção de riqueza, estará também no CBE o mestre em economia pelo Instituto Brasileiro de Mercados e Capitais, e gerente de modelos e métodos na coordenação de contas nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ricardo de Moraes.
Ele irá palestrar sobre os novos modelos de gestão do equilíbrio economico-ambiental e o desafios para sua implementação no cenário nacional. ?Pretendo falar sobre o que já está sendo feito e o que ainda precisa ser feito. Também vou explicar o PIB, através de uma estimativa ajustada para o esgotamento dos recursos naturais e do estoque dos ativos ambientais?, ressalta Moraes.
Ricardo de Moraes vai revelar as bases de dados, apurados pelo IBGE, em suas mais diversas variações, ativos e passivos para demonstrar a importância de uma nova medição, cujo resultado final irá mensurar; o Produto Interno Líquido (PIL).
?Para chegar lá, é preciso ter bases de dados com a quantidade e a variação no estoque desses ativos, é preciso avaliar esses ativos, pois; muitos não são negociados no mercado, não têm um preço de mercado e é preciso ter uma medida de renda que desconte a depreciação dos ativos fixos da economia (máquinas, prédios e ativos financeiros), além de incluir as contas por emissões de gases, consumo de água e energia de cada cidadão?, salienta.
A Crítica