NOTÍCIAS

Peru pode se tornar destino para investimentos na mineração

Notícias Gerais

19/09/2013


As recentes ações do governo peruano, junto às mineradoras, podem significar uma redefinição das regras para o setor mineral. O Peru, que tem hoje um rating de investimento maior do que o Brasil, pode ser um importante destino para investimentos em mineração, se tornando um competidor. Em entrevista ao The Gold Report, o presidente da Kallpa Securities, Alberto Arispe, e o diretor administrativo, Ricardo Carrión, explicam o estado atual da mineração no Peru e discutem a exploração de companhias.
Com um rating de investimento maior do que Brasil e México, o Peru deve estar em alta na lista dos investidores, mas a confiança pode ter sido abalada nos últimos anos quando o governo revogou algumas licenças de mineradoras. Em entrevista ao The Gold Report (TGR), o presidente da Kallpa Securities, Alberto Arispe, e o diretor administrativo da companhia, Ricardo Carrión, falam sobre a atual situação da mineração, no Peru.
De acordo com os especialistas as recentes ações do governo podem significar uma redefinição das regras para o setor mineral. Hoje o governo atua como mediador entre as mineradoras e as comunidades locais, nos projetos de mineradoras.
?O governo peruano percebeu que a mineração é um item muito importante na agenda e é também uma fonte de dinheiro. O Peru está atualizando a regulamentação da mineração e simplificando o processo?, disse Ricardo Carrión.
?O governo tem desenvolvido uma nova estratégia para evitar situações como a da Minas Conga. Podemos observar essa nova estratégia com Minera IRL, Sulliden Gold e o projeto Corani, da Bear Creek Mining. O governo tem apoiado o projeto Corani ao trabalhar com a mineradora na estruturação da avaliação dos impactos ambientais. O que não significa que o governo aprovará imediatamente o projeto, mas ele quer dar a comunidade um projeto justo?, completou Carrión.
Ricardo Carrión destaca três companhias que estão no radar dos investidores, no processo final para conseguir as aprovações das licenças. ?Sulliden acabou de receber a aprovação para o projeto de ouro Shahuindo e a Bear Creek tem o projeto Corani, um projeto de larga escala de prata e chumbo. A Minera IRL também está em processo de conseguir a aprovação para o projeto de ouro, Ollachea?, disse Carrión.
De acordo com o TGR, o banco central do Peru disse que espera ver mais de US$ 40 bilhões em investimento privado entre 2013 e 2015, com a implantação de uma das maiores minas de cobre sendo construídas no país.
De acordo com Ricardo Carrión, ?uma das minas mais importantes é a de Las Bambas, controlada pela GlencoreXstrata, que gastou cerca de US$ 4 bilhões. A mina Cerro Verde da Freeport, está em expansão e terá custo de outros US$ 4 bilhões. A Minas Conga da Newmont está na lista de espera, que é um investimento de US$ 5 bilhões. E tem também projetos menores como o Toromocho, controlado pelo Aluminum Corporation of China (Chinalco) e o projeto da Anglo American, Quellaveco, com US$ 3 bilhões?.
Os investidores ficaram surpresos, quando em junho de 2011, foi revocada a licença da Bear Creek Mining para o projeto de prata de Santa Ana. O incidente de Santa Ana e aconteceu logo depois que Ollanta Humala foi eleito presidente do Peru e mancharam a reputação do país como destino para investimentos em mineração.
?O governo de Alan García revogou a licença do projeto de Santa Ana e Humala herdou a situação. Newmont Mining suspendeu o projeto Minas Conga que era uma bandeira do governo peruano por causa de problemas sociais e políticos. Esperamos que esse projeto seja retomado nos próximos dois ou três anos?, explicou Ricardo Carrión.
De acordo com a classificação do Standard & Poor (S&P), a economia peruana ultrapassou as economias brasileiras e mexicanas, oferecendo ambiente mais seguro para investimentos. O Peru atingiu a classificação BBB+, em agosto, graças aos investimentos no setor de mineração, que impulsionam a economia.
Mas muitos investidores ainda preferem investir seus dólares em mineração em outros lugares. ?Peru é um país menor do que México e Brasil e não está no radar dos investidores. Além disso, a maioria da mineração no Peru é em altas altitudes, que são as áreas mais pobres do país. O risco da mineração nessas regiões é maior do que nas áreas ao redor de Lima. Tem muita desigualdade nas regiões de altitude, que leva a choques culturais. Por isso algumas companhias tem problemas com comunidades locais nas regiões de altitude?, explicou Alberto Arispe.
?Por exemplo, Bear Creek está trabalhando com o governo das comunidades locais com bastante sucesso no projeto Corani, mas a mineradora fez um trabalho relativamente ruim com o governo em Santa Ana. Newmont também fez um trabalho ruim ao lidar com a comunidade local em Cajamarca, mas McMoRan Cooper & Gold foram projetos que estão indo adiante com boas relações com a comunidade e têm outros projetos que não estão indo adiante por causa de um mau trabalho em lidar com a comunidade local?, completou Arispe.
Segundo Alberto, isso depende da companhia e do tipo de relacionamento que ela estabelece com a comunidade.

Notícias de Mineração Brasil


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER