Parque não inviabiliza o Projeto Apolo da Vale
03/02/2012
Investimentos somam R$ 4 bilhões
A criação do Parque Nacional das Águas do Gandarela, na região Central do Estado, não inviabilizará o complexo minerador da Vale S/A denominado Projeto Apolo, com investimentos estimados em R$ 4 bilhões. A cava da mineradora na Serra do Gandarela recebeu o aval do grupo de discussão formado no final do ano passado para definir os parâmetros da reserva ambiental. ;
O processo de criação do Parque Nacional foi iniciado em 2010 pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O imbróglio envolvendo a mineradora se deu pelo fato de o Projeto Apolo estar inserido dentro da área pretendida pelo parque. ;
A companhia já havia entrado com o pedido de licença prévia (LP) no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), vinculado à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), em 2010. Mas o licenciamento não foi levado a votação em virtude do processo de criação do parque na Serra do Gandarela. ;
De acordo com o assessor especial da Semad, Manno França, o grupo de discussão chegou a um consenso em relação à cava da mina Apolo, que poderá ser operada mesmo com a criação da reserva. Conforme ele, para que a mineradora possa utilizar os recursos minerais algumas compensações, como a inclusão de novas áreas, foram inseridas no projeto original da reserva natural. ;
Conforme ele, alguns pontos ainda necessitarão de novas discussões, uma vez que o grupo não chegou a um consenso sobre as operações da mineradora. Este é o caso da área do Projeto Apolo que poderá afetar o ribeirão da Prata. ;
Mas com a parte principal do projeto, que é a cava, liberada pelo grupo, o processo de licenciamento ambiental do complexo minerador deverá ter andamento em algumas semanas, na opinião de França. ;
O grupo que definiu os parâmetros do Parque Nacional do Gandarela foi formado no ano passado e contou com a participação de representantes do governo estadual, governo federal, ambientalistas e empreendedores da região. A ideia foi conciliar a preservação ambiental e as atividades econômicas, uma vez que outros empreendimentos poderiam ser afetados.;;Finalização – De acordo com o assessor da Semad, a última reunião foi realizada ontem. O relatório dos trabalhos do grupo deverá ser finalizado em 15 de fevereiro e será enviado para as autoridades, como o governador Antonio Anastasia e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, para aprovação. ;
Após o documento ser aprovado, serão realizadas audiências publicas nos municípios onde o parque será instalado. A proposta inicial previa que a reserva seria instalada em oito municípios. A área de conservação permanente abrangerá Caeté, Santa Bárbara, Raposos, Nova Lima, Rio Acima, Itabirito, Barão de Cocais e Ouro Preto, com área de 38.204 hectares. ;
As consultas públicas serão realizadas ainda no primeiro semestre por determinação da Justiça Federal. O Judiciário concedeu liminar favorável ao Ministério Público Federal (MPF), que moveu uma ação em virtude da demora no processo de definição da reserva na Serra do Gandarela. ;
As operações na mina Apolo estavam previstas inicialmente para serem iniciadas em 2014. O complexo terá capacidade de 24 milhões de toneladas de minério de ferro/ano. Como parte do projeto, também serão instalados uma usina de beneficiamento, oficinas, pilhas de estéril, pátio de produtos e escritórios, entre outros. Além disso, será viabilizado um novo ramal ferroviário.
O grande volume de chuvas que atingiu Minas Gerais em janeiro foi apontado como o principal motivo para a queda de 23,7% no volume de exportações de minério de ferro no país no mês passado na comparação com o mesmo intervalo de 2011. O Estado é o principal produtor dacommodity no Brasil. ;
De acordo com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), no último mês os embarques do insumo siderúrgico somaram 18,181 milhões de toneladas, ante 22,736 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. ;
A retração foi ainda maior na movimentação financeira, que atingiu US$ 1,834 bilhão em janeiro. A receita é 31% inferior à verificada no mesmo mês de 2011, quando somou US$ 2,538 bilhões. ;
O analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, lembrou que as chuvas em Minas Gerais ficaram acima da média em janeiro, o que afetou as operações das mineradoras no Estado, principalmente a Vale, maior exportadora do insumo no país. ;
Os sistemas Sul e Sudeste da companhia foram impactados pelo período chuvoso, levando a Vale a declarar “força maior” – termo em cláusula dos contratos com os compradores removendo a responsabilidade da companhia por eventos naturais e inevitáveis que restringem as empresas do cumprimento das suas obrigações. Estima-se que a companhia tenha deixado de embarcar 2 milhões de toneladas de minério. ;
Para Galdi, a redução verificada em janeiro foi pontual e nos próximos meses deverá haver recuperação no volume de minério exportado, principalmente para o mercado chinês, maior consumidor do mineral extraído no Brasil. ;
O analista do Banco Geração Futuro, Rafael Weber, também afirmou que a queda significativa registrada em janeiro é pontual, provocada pelas chuvas em Minas Gerais. Outro fator considerado importante por ele é a sazonalidade. Tradicionalmente, há uma redução nos volumes de pedidos no início do ano. Além disso, no final de janeiro houve o feriado de ano novo, o que reduziu a atividade industrial no país asiático.
Europa – Apesar do fator sazonal, a crise na Europa também é considerada um dos motivos para a retração nos embarques, mesmo que com um impacto menor em relação à redução na demanda chinesa. ;
O cenário econômico europeu também contribuiu para reduzir a cotação do insumo no mercado internacional. Atualmente, o minério é comercializado por aproximadamente US$ 140 a tonelada. No ano passado, o insumo foi vendido por uma média de US$ 170 a tonelada. ;
Na opinião de especialistas, mesmo com a recuperação dos volumes exportados, os preços não deverão voltar aos patamares verificados em 2011. As projeções são de que os valores negociados voltem a subir nos próximos meses, mas deverá alcançar no máximo US$ 150 a tonelada. ;
Minas é o maior exportador de minério do país. Em 2011, foram embarcadas 165,759 milhões de toneladas. O resultado representa incremento de 4,44% na comparação com o ano anterior, quando totalizou 158,708 milhões de toneladas. ;
A receita aumentou 44,89% no ano passado em relação a 2010. Entre janeiro e dezembro, as vendas externas somaram US$ 18,822 bilhões, ante US$ 12,991 bilhões no exercício anterior.
Diário do Comércio