Paranapanema retoma investimento na área de cobre
27/07/2011
Companhia inicia construção de nova fábrica em Santo André (SP), prometendo concentrar esforço na produção do minério, com aportes de R$ 702 milhões até 2013.
De queridinha da bolsa de valores de São Paulo, nos anos 80, às dificuldades da década seguinte, a Paranapanema enfrentou uma fase de dúvidas do mercado sobre a sua capacidade de pagar dívidas que somaram R$ 2 bilhões.
Nesta terça-feira (26/7), o lançamento de uma nova fábrica em Santo André (SP) promete marcar o renascimento da produtora de cobre que tropeçou nos segmentos de fertilizantes e estanho e viveu uma paralisia de quase 20 anos.
A nova unidade terá capacidade para 18 mil toneladas de tubos de cobre voltados para a construção civil. O aporte de R$ 72 milhões é o primeiro da Paranapanema em dez anos e integra um pacote de investimentos de R$ 702 milhões para o triênio 2011-2013.
“Estamos lançado a pedra fundamental de uma nova indústria, com uma nova tecnologia”, afirma o presidente Luiz Antônio Ferraz.
A unidade ocupará 22 mil metros quadrados do terreno de 240 mil m² mantido pela empresa na cidade da Grande São Paulo, onde a subsidiária Eluma já produz 18 mil toneladas de tubos de cobre. O diferencial da nova fábrica, segundo Ferraz, será o sistema de produção por fundição contínua.
A Eluma é equipada hoje com prensas de trefilamento que no final do processo de transformação de cátodos de cobre produz um mesmo tubo com espessuras variadas. “Teremos melhor qualidade técnica, com tubos mais perfeitos e mais eficiência por metro linear”, diz o executivo.
O foco em tecnologia é sintomático da tentativa de acompanhar o mercado com mais eficiência produtiva, após 15 anos sem investimentos.A nova fábrica não implicará na ampliação da mão de obra atual da Eluma. Isto porque, a unidade será ao lado da antiga fábrica, permitindo o trânsito de trabalhadores.
“Temos de ser competitivos para que o nosso produto tenha equivalência de custo com o que está sendo feito no mundo”, observa Ferraz.
Expansão tem mais R$ 630 milhões
A unidade no bairro de Utinga, em Santo André, integra aporte total de R$ 312 milhões projetados pela Paranapanema para elevar sua eficiência a partir da aplicaçã de novas tecnologia. Investida que inclui a elevação da capacidade de laminados a frio de 28 mil para 55 mil toneladas por ano.
A linha de laminado a quente passará de 60 mil para 200 mil toneladas até 2012.
O foco comercial é direcionado para áreas como refrigeração industrial, máquinas e equipamentos. Além da expectiva de alto do consumo per capita de cobre no país. Segundo o presidente da Paranapanema, a média atual é de 2,7 quilos anuais por habitante. “Em países mais desenvolvidos o consumo médio é de 4 kg”, diz Ferraz. “No Brasil, o consumo cresceu de 2% a 3% acima do PIB nos últimos seis anos”, afirma.
A maior aposta é no aumento das vendas para a construção. Não à toa, a modernização da fábrica de vergalhões e fios trefilados em Dias DÁvila (BA) recebe R$ 290 milhões. O montante inclui o aumento de refino de cobre em 50 mil toneladas até 2012.
A empresa também tem focado em inovações nas construções com apelo de sustentabilidade, a partir da confecção de tubos de cobre para reciclagem de óleo de cozinha.
Brasil Econômico