Pará cresce e almeja o protagonismo na produção
13/12/2011
O popular “braço de ferro” serve como analogia para a disputa entre Minas Gerais e Pará pelo primeiro lugar na produção mineral brasileira que acontece há anos. Segundo Paulo Camillo Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a extração mineral vem migrando em direção a regiões mais ao norte do país e ampliando o protagonismo de outros Estados, como Mato Grosso, Goiás, Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará. “Isso sem falar do Pará, que amplia a todo momento do seu portfólio de minérios.”
O presidente do Ibram comenta que o Pará é rico em ferro, alumínio, bauxita, manganês, cobre, níquel, ouro e caulim. A todo momento surgem anúncios de novos projetos minerais no Pará, o que faz com que o Estado se ordene uma hora na condição de líder em termos de investimento, outra hora na segunda posição. “Essa salutar queda de braço pela liderança entre Minas Gerais e Pará já vem de algum tempo e deve continuar.”;
Penna lembra que a diferença entre um e outro Estado nessa corrida é mínima. Dos US$ 68,5 bilhões de investimentos totais previstos pela indústria extrativa mineral entre 2011 e 2015, o Pará tem hoje US$ 24,19 bilhões, ou 35,1% do total, enquanto Minas Gerais fica com 36%, ou seja, menos de 1% de diferença. “O que significa que o anúncio de qualquer projeto mineral novo de um lado ou de outro pode determinar a liderança na base do olho mecânico”, diz. As maiores minas do Pará ficam nos municípios de Canaã dos Carajás (duas minas de cobre); Ipixuna (duas de caulim); Marabá (uma de manganês); Oriximiná (três de alumínio); Parauapebas (três de ferro e uma de manganês).
De acordo com os dados de fim de outubro do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), os investimentos totais previstos pela indústria mineral de 2011 até 2015 no Pará alcançam US$ 38,935 bilhões. A indústria extrativa mineral prevê inversões de US$ 24,19 bilhões nesse período (participação de 62% do total); a indústria de transformação mineral investirá US$ 11,35 bilhões até 2015 (29% do total); a infraestrutura e transporte receberá inversões de US$ 2,7 bilhões (7%); outros negócios ficarão com US$ 685 milhões no período (fatia de 2%).
No campo da siderurgia, a Alpa (Aços Laminados do Pará), usina pertencente à gigante Vale, é uma antiga aspiração do povo paraense e faz parte da estratégia de longo prazo da Vale de promover o setor siderúrgico no Brasil, criando demanda adicional ao minério de ferro, agregando valor e gerando riqueza e desenvolvimento no país. A usina está localizada no Distrito Industrial de Marabá e terá capacidade anual de produção de 2,5 milhões de toneladas de placas.
Segundo fontes da Vale, a Alpa recebeu a licença prévia ambiental (LP) no primeiro trimestre do ano passado e também já recebeu a licença de instalação ambiental (LI) para a terraplanagem, que atualmente encontra-se 60% concluída. A LI da usina, do ramal ferroviário e do terminal fluvial também já foi emitida. O início das operações está previsto para 2014. A Alpa tem investimento previsto de US$ 3,2 bilhões. (J.G.)
Valor Econômico