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Ouro tem a melhor rentabilidade em novembro

Notícias Gerais

01/12/2010


O metal registrou valorização de 6,25% no mês, enquanto a bolsa brasileira apresentou queda de 4,20% no mesmo período.
Com o cenário internacional penalizando os principais ativos financeiros em todo o mundo, o ouro despontou em novembro como o investimento de maior rentabilidade. A deterioração da economia europeia tem forçado investidores para a busca de maior segurança, daí o apelo ao metal.
Segundo José Raymundo de Faria Jr., diretor técnico da Wagner Investimentos, a alta de 6,25% do ouro em novembro é um reflexo do cenário de temor que domina a economia mundial. “Essa valorização é fruto da queda das taxas de juros na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, somada aos programas de compra de ativos do Fed (Federal Reserve, banco central americano) e à crise europeia”, afirma.
As injeções de dinheiro do Fed no mercado americano têm suscitado a busca por alternativas, uma vez que o dólar se enfraquece a partir dessas ações. A alta liquidez e segurança do ouro faz com que este seja a melhor opção em um cenário de baixas taxas de juros.
Apesar do bom desempenho do metal no mês, Faria Jr. não aconselha o investidor a apostar no metal neste momento. “Estamos muito próximos da máxima histórica. O investidor deve aguardar um momento de queda para fazer suas posições no ouro”, afirma.
“Uma queda para US$ 1,3 mil a onça (o equivalente 31 gramas) já estaria mais próximo de uma região mais interessante.”
Nesse caso, o investidor deve ficar atento às possíveis crises de aversão ao risco. “Por ser de alta liquidez, o ouro é rapidamente vendido e utilizado para pagar possíveis prejuízos de um início de trajetória de baixa”, afirma.
Também vale destacar que aqueles que estiverem interessados nessa posição devem ficar atentos aos movimentos do dólar, uma vez que o metal é negociado na moeda americana.
“Uma desvalorização da moeda prejudica o valor do ouro também. Estamos com o metal em tendência de alta, então, o ideal é comprar as posições quando o dólar formar no mínimo uma tendência de estabilidade”, aponta.
O ouro deve ser um elemento de diversificação na carteira, principalmente em tempos nos quais o dólar tem sido alvo de muita volatilidade. Com as injeções de capital do Fed, a divisa americana terá menor espaço de alta, o que sugere ao investidor uma maior diversificação de sua carteira para o ouro, que tem maior espaço de valorização.
Dólar
O dólar registrou no mês uma valorização de 0,86%. O desempenho é mais suave em relação ao forte avanço que a moeda registrou no mês anterior, entre 13 e 28 de outubro, quando disparou 3,37%. “Agora o dólar tem menos força para subir”, avalia Faria Jr. No ano, a moeda acumula desvalorização de 1,44%.
Para o diretor técnico da Wagner Investimentos, ainda há espaço para nova alta em dezembro, mas esta deve ser ainda inferior à registrada em novembro. “Tudo vai depender de como vai se desenrolar a crise na europa e no quando o euro vai se fragilizar”, afirma.
Cautela é elemento fundamental para quem for fazer aportes na divisa americana. “O ideal é não fazer grandes investimentos em dólar e, se possível, diversificar principalmente com o ouro, para maximizar os ganhos”, reitera.
O desempenho do dólar não deve ultrapassar em larga distância o rendimento do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que teve valorização de 0,81% neste mês.
Bovespa
A Bolsa foi, com larga distância, o pior investimento do mês, com depreciação de 4,2% no Ibovespa. O cenário de instabilidade nos mercados internacionais tira os investidores das bolsas, gerando posições de venda com objetivo de formação de caixa para aquisição de ativos mais seguros.
Faria Jr. identifica esse momento como uma oportunidade de compras para longo prazo. “Enquanto estivermos operando entre os 66 e 67 mil pontos, poderemos assistir a uma performance interessante para os próximos meses”, avalia.
Assim como o dólar, a bolsa já estava “esticada” em outubro, o que sugere que o investidor não deve esperar fortes altas para o próximo mês.
A expectativa de alta na taxa de juro do país também tem levado os investidores a outras aplicações, o que justifica a redução dos volumes para uma média diária de R$ 5,4 bilhões em novembro.

Brasil Econômico


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