Ouro contra o câncer
07/06/2010
Tanto no tratamento convencional quanto na homeopatia, o metal atua a favor da humanidade
Mais do que uma mercadoria (commodity) com cotação internacional, disputada pelos investidores em momentos agudos de crise ? como o atual ?, o ouro tem uma função importantíssima na medicina e, particularmente, na cura do câncer. Nanopartículas (minúsculas porções) do precioso metal vêm sendo usadas em quimioterapia para o combate de diversos tipos da doença, um avanço possível graças aos cientistas Raghuraman Kannan e Kattesh Katti, da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos. Um novo teste, desenvolvido pelo Fraunhofer Institute for Biomedical Thechnology (IBMT), da Alemanha, confirma que, ao mesmo tempo, o ouro pode ser usado para descobrir e para eliminar a doença, com resultados imediatos. É o metal a favor da humanidade.
No novo teste, os cientistas aquecem e expandem o tecido humano, com o uso de raio laser, e usam nanopartículas do metal para identificar se aquela parte do corpo está ou não doente ? as células cancerígenas aparecem mais brilhantes do que as demais. Caso a moléstia seja identificada, as nanopartículas de ouro são imediatamente aquecidas. E, pelas suas propriedades naturais, são capazes de destruir apenas as células doentes sem danificar as boas.
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Trata-se de uma estratégia extremamente eficaz, porque, no instante em que se detecta a doença (antes que ela se transforme em ameaça real à vida), pode-se eliminá-la. O diagnóstico é feito em poucos minutos, ao contrário de hoje. O método também pode ser usado para identificar e destruir as células cancerosas metásticas (surgimento de novo foco do tumor).
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O uso do ouro também se estende a terapias para o reumatismo (sais de ouro), malária e a Aids, e o metal possui propriedades curativas para problemas de pele e infecções. ?O emprego do ouro na medicina vai crescer. Mas, mesmo que o peso seja pequeno para a indústria, o uso médico do metal terá um impacto real pelas belas histórias que se terá para contar?, afirma Richard Holliday, diretor do Conselho Mundial do Ouro, que participou de um recente seminário em Lima, no Peru.
Na sua avaliação, as pessoas querem ouvir que a magia do ouro não ocorre apenas por sua beleza ou seu valor, mas também pelas notáveis propriedades do metal. ?Estamos diante de um cenário emergente, que será explorado pela medicina, em especial?, acrescenta Holliday. Atualmente, 70% do ouro produzido são absorvidos pelas joalherias e pelo mercado financeiro. Outros 12% vão para a indústria eletrônica.
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Cura há 200 anos
Poucos sabem, mas o ouro é utilizado em medicamentos homeopáticos há mais de 200 anos, com o nome científico de ?Aurum metalicum?. O primeiro cientista que estudou as propriedades terapêuticas do metal foi médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemnn, que fundou a Homeopatia em 1779. A gerente de marketing da Farmácia de Manilupação Quintessência, Fortune Homsani , diz que o ouro, quando usado em baixas potências, combate infecções do aparelho respiratório. Em altas potências, atua como antidepressivo, podendo até dissipar a angústia em pacientes com tendências suicidas.
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Por ironia do destino, ao mesmo tempo em que causa distúrbios nos investidores pelas incertezas advindas das crises financeiras, o ouro é capaz de combater o mesmo mal. ?Diluído e dinamizado em escala centesimal ou decimal (uma parte de ouro para nove ou 99 porções de solvente), o minério tem aplicação para vários tipos de doenças. Mas é importante destacar que a homeopatia trata de situações particulares de cada indivíduo. Nem todos os que usam ouro em altas potências têm tendências depressivas,?, esclarece Fortune.
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O farmacêutico Justino Ferreira, diretor da Quintessência, lembra que o metal também ajuda no tratamento de doenças cardíacas. Um dos fatores valorizados é que, por ser um mineral nobre, na forma elementar, o ouro não interage com o organismo. ?Mas, ao ser diluído, liberta suas propriedades curativas. Há muito tempo, o ouro faz parte do mundo científico e combina saúde com bem-estar?, finaliza.
Tudo pela beleza
Não importa se o mundo está desabando em conflitos bélicos ou se a Europa está ruindo, atolada em dívidas públicas impagáveis. O sonho de consumo de qualquer ser humano de prolongar a juventude e retardar os sinais de envelhecimento, sejam físicos ou de ordem psicológica, continua intocável. Estudos comprovam que exercícios físicos regulares, leituras, viagens e aprendizado constante são formas de manter mente e corpo sãos. Mas não as únicas. Olhar-se no espelho e se enxergar belo contribui para a elevação da auto-estima, que também vai interferir na atividade profissional e na relação com o próximo.
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A vaidade virou sinônimo de bem-estar e a medicina estética recentemente lançou mão de um dos mais nobres metais preciosos para envolver homens e mulheres nas redes da beleza: o ouro. Sim, o ouro. Ele que, por séculos, simbolizou fortuna e poder, chegou agora para se curvar aos encantos de homens e mulheres que almejam ter a pele lisinha, livre de manchas, totalmente descansada e sem sinais do tempo. O metal também ajuda a evitar aquela aparência estressada, abatida e sem vitalidade. O mineral está sendo usado em forma de máscaras faciais, cremes, óleos e maquiagens. Os preços dos produtos e dos tratamentos são salgados ? mas, afinal, são feitos com ouro.
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Competição
Para ganhar a preferência das mulheres, os fabricantes entraram em uma verdadeira guerra. A tradicional empresa de cosméticos Avon, por exemplo, garante que deu início a uma ?estratégia de democratização do luxo? e acaba de lançar um batom com 24 quilates de ouro, para ?deixar os lábios instantaneamente mais luminosos e cintilantes?. O Boticário se inspirou nos tesouros e nas pedras preciosas para homenagear as mães. Lançou uma linha de produtos com texturas diferentes que lembram a luminosidade do ouro, para hidratar a pele e os cabelos.
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Mas o que se tornou mais procurado nos últimos tempos foram as máscaras de ouro, que dão elasticidade e evitam as rugas, tonificam e revitalizam, além de ativarem o metabolismo celular. A dermaticista Lourdinha Mattos, da Clínica e Spa Harmonya, conta como funciona: ?São folhas minúsculas, diluídas em óleo de semente de uva, que são massageadas delicadamente. Elas removem o tecido envelhecido e renovam a capacidade de a pele reter água?.
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Lourdinha prefere não dizer o preço, porque tudo depende do número de consultas e do tipo de pele dos interessados no tratamento. Mas garante que os resultados são fabulosos e que a procura aumenta a cada dia, tamanha a disposição do brasileiro em investir na beleza física. Essa corrida vem sendo impulsionada pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil, com forte aumento na oferta de emprego e na renda. Além, é claro, da oferta maciça de crédito, que permite, em algumas clínicas, o pagamento dos tratamentos em prestações a perder de vista.
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Mais preocupados com o preço do ouro no mercado financeiro ? a alta acumulada no ano chega a 16% ?, analistas não veem com bons olhos os dispêndios com as máscaras faciais ou batons tendo o metal como matéria-prima. Para eles, a ditadura da beleza se tornou uma competidora voraz ante seus interesses. ?Tive uma cliente que, aos poucos, foi reduzindo seus investimentos em Bolsa de Valores. Mesmo ela garantindo bons ganhos, preferia sacar o dinheiro. Perguntei, então, em que ela estava usando o dinheiro. E ela me respondeu: na beleza e no bem-estar, com todo tipo de tratamento estético?, conta um desses profissionais.
Correio Braziliense