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Ofensiva também causa preocupação

Notícias Gerais

18/02/2011


Ser um dos destinos na tentativa de diversificação da capacidade bilionária de investimentos dos chineses é positivo, mas a falta de reciprocidade de oportunidades e a investida de estatais chinesas em setores estratégicos do Brasil são vistas com preocupação por alguns analistas. Em 2010, o total de investimentos brasileiros diretos na China chegou a irrisórios US$ 9 milhões, segundo números do Banco Central (BC).
“É positivo que a China invista no Brasil, mas é preciso haver um equilíbrio nessa relação”, diz Sérgio Amaral, presidente do Conselho Empresarial Brasil-China. “Nós não estamos aproveitando adequadamente as oportunidade do mercado chinês”, assinala, lembrando que a falta de reciprocidade existe já nas relações comerciais.
O Brasil, diz, exporta commodities metálicas e agrícolas ao país asiático, mas ao mesmo tempo o país enfrenta dificuldades para comercialização de produtos de maior valor agregado, como aviões. No campo dos investimentos chineses, analisa, é preciso estudar com cuidado as iniciativas das estatais chinesas na compra de terras, por exemplo. É arriscado ter algo estratégico para o país nas mãos de um outro Estado. Para Amaral, tanto no aspecto comercial como de recepção de investimentos é preciso haver coordenação do setor privado e do governo para definir regras claras.
Na estratégia de garantir o autoabastecimento de alimentos, os chineses chegam ao Brasil interessados não só na compra de terras, como também na aquisição de grãos diretamente dos produtores. O presidente da comissão de grãos e oleaginosas da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Alécio Maróstica, afirma que a entidade iniciou o contato com investidores chineses interessados na compra de soja e milho em abril do ano passado.
A proposta dos produtores goianos é fazer com que a soja a ser vendida diretamente aos chinesas esteja atrelada ao uso de pastagens degradadas. Nesse caso, afirma Maróstica, o financiamento dos chineses deve ser amplo e incluir não só sementes e fertilizantes como também o material para recuperação das áreas, como calcário, além de instalação de uma infraestrutura de irrigação e de integração da área de lavoura com pecuária, por exemplo.
Segundo Maróstica, a Feag mapeou 10 milhões de hectares em áreas de pastagens, das quais 3 milhões de hectares são consideradas aproveitáveis. A área poderia produzir 9 milhões de toneladas de soja ao ano. “Mas isso ao fim de um prazo longo, de dez a 15 anos.” A ideia é iniciar com um projeto piloto que deve render 90 mil toneladas ao ano.
Falta, porém, lembra Maróstica, definir detalhes importantes e que farão toda a diferença. Por exemplo, como o financiamento será pago e o que os produtores brasileiros deverão comprar da China em troca da venda dos grãos. Segundo ele, é possível que o empréstimo específico para plantio seja pago com parte da produção, mas isso também ainda não está definido.
Outro setor de commodities em que os chineses mostram grande apetite é o de minérios. Para o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Camillo Penna, seria um erro restringir a atuação do investimento estrangeiro no segmento, por se tratar de uma importante fonte de dinamismo. Ele diz, porém, que deve prevalecer o princípio da reciprocidade, observando que empresas brasileiras costumam ter dificuldades para operar na China.
Penna também afirma que o país precisa ficar atento caso as empresas chinesas adotem a prática de “vender a custo”, sem levar em conta o lucro na sua composição de custos. “O que efetivamente pode preocupar é a prática do colonialismo”, afirma Penna.
Ele observa, porém, que a presença das empresas da China no setor até o momento é relativamente pequena, somando poucas operações até agora. Há informações de que uma delas – a compra da Itaminas pela ECE, por US$ 1,2 bilhão – está indefinida.
O presidente da Sociedade Brasileira de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet), Luís Afonso Lima, aponta outra fonte de preocupação do investimento em commodities: o fato de agregar pouca tecnologia. A incorporação de novas técnicas de produção é um dos principais pontos positivos do investimento estrangeiro direto, lembra ele. No caso de produtos primários, não há transferência de tecnologia relevante.

Valor Econômico


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