O que o investidor espera de 2011
16/12/2010
Commodities ditam rumo do Ibovespa Projeções entre 85/90 mil pontos serão conservadoras, se houver altas nos preços,
A grande dúvida na hora de traçar a perspectiva para o Ibovespa no próximo ano é o desempenho da economia internacional que irá influenciar o comportamento das commodities e, por consequência, o desempenho das ações das empresas produtoras. Como o maior peso do Ibovespa está relacionado justamente às produtoras de commodities (siderurgia, mineração e petróleo), caso haja uma alta dos preços destes produtos, as projeções para o próximo ano, entre 85 mil e 90 mil pontos podem até se tornar conservadoras.
Em relatório, os analistas do Goldman Sachs destacam que a fraqueza na demanda dos EUA nos últimos dois anos tem permitido a China crescer sem restrições, ou seja, sem qualquer concorrência por matérias-primas. No entanto, caso a economia norte-americana passe a retomar o crescimento, há o aumento da concorrência pelas commodities, o que levará a um realinhamento de preços.
Inflação chinesa
Diante deste quadro, a atenção volta-se para o comportamento da inflação chinesa e possível elevação dos juros no país, o que seria um balde de água fria no humor dos investidores. No último sábado, o governo chinês informou que a inflação anual chegou a 5,1% em novembro, o maior nível em mais de dois anos.
A expectativa de uma possível alta nos juros não se confirmou, mas a China alertou para o fato de que irá se empenhar no controle da inflação. Apesar de o governo chinês ter declarado que não haverá implicações negativas para o crescimento, o desempenho das commodities está intimamente ligado a essas notícias. Preocupações com eventual alta de juro e agressivo aperto monetário na China, o maior consumidor de metais do mundo, continuam limitando os preços no curto prazo.
Petróleo
Os analistas do Goldman Sachs prevêem que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) vai aumentar a produção no próximo ano, reduzir a capacidade inutilizada, ao mesmo tempo em que os níveis de reserva se normalizem ao nível pré-crise. Segundo os dados apresentados no relatório do banco, as reservas diminuíram rapidamente nos últimos meses e o crescimento da procura mundial acelerou para um dos ritmos mais elevados desde que há registros. “O crescimento da demanda global acelerou a um dos os maiores níveis da história”, destaca o documento.
A expectativa dos analistas é de que a demanda global permaneça forte, acima de dois milhões de barris por ano. No acumulado deste ano, o petróleo registra uma valorização de 11%, diante da especulação sobre a retomada do consumo norte-americano. “Esperamos que a demanda global continue a mostrar forte crescimento da demanda, de 2.0 milhões de barris de petróleo por dia, na medida em que o PIB mundial cresça 4,6% e 4,8% em 2011 e 2012, respectivamente. Por conseguinte, esperamos que a segunda fase da recuperação do mercado cíclico de petróleo comece em meados de 2011”, explicam os analistas do Goldman.
Para o curto prazo, a demanda por energia cresce durante o inverno no hemisfério norte. Em algumas partes da China, o carvão, petróleo e gás podem ficar escassos durante os próximos meses de inverno, disse um importante órgão de planejamento econômico do país em comunicado. Nos Estados Unidos, o tempo frio deve estimular uma queda dos estoques de derivados de petróleo de 500 mil barris. As frentes frias nos EUA e na Europa ajudaram a elevar os futuros do petróleo negociados no mercado norte-americano para a máxima de 26 meses no início deste mês.
Metais
O comportamento dos metais foi marcado pela alta volatilidade em 2011. A correlação dos preços dos metais com o cenário macroeconômico levou a uma forte incerteza. “Olhando para 2011, acreditamos que isso vai inverter, com fatores cíclicos que desempenham um papel muito maior na determinação dos preços, que deve criar um maior nível de diferenciação de preços dos metais”, declara o relatório do banco.
O documento explica que não são apenas as incertezas estruturais sumindo com a recuperação econômica dos EUA a resolução dos problemas fiscais europeus, mas igualmente importante é a natureza global mais equilibrada.
Ouro
Para o ouro, o Goldman Sachs acredita que o rally deve continuar em 2011, mas é possível se preparar para que os preços atinjam o pico em 2012. De acordo com os especialistas, o ouro continua sendo atrativo diante das baixas taxas de juros norte-americanas, mas não deve ser visto como um investimento de longo prazo, pois tal valorização tende a se reverter.
“Nos atuais níveis do preço do ouro continua a ser um comércio atraente, mas não um investimento de longo prazo”, avaliam os especialistas do Goldman Sachs. Na última terça-feira, o ouro era negociado a US$ 1.405 por onça. A expectativa é de que o valor se aproxime dos US$ 1.700, ao longo de 2011. Mas a partir deste patamar, o metal volte a recuar.
Monitor Mercantil