O plano ambicioso da Ferrous no Brasil – Jornal Valor Econômico
21/07/2008
`Faremos uma grande captação, em colocações graduais, na Bolsa de Londres e nosso objetivo é ser a primeira empresa sediada no Brasil a ser listada lá`, afirma Robert Graham, ex-executivo do grupo Rio Tinto no conselho da Ferrous.
Depois de adquirir jazidas de ferro em Minas Gerais, a Ferrous controlada por fundos de investimento estrangeiros, anunciou ontem o seu programa de negócios. O plano é ambicioso e prevê o aporte de quase US$ 6 bilhões até 2014 na construção de um complexo integrado por minas, mineroduto, porto e pelotizadoras, apto a fazer 50 milhões de toneladas anuais – o suficiente para transformar a companhia, constituída há pouco mais de um ano, numa das maiores exportadoras de minério de ferro do mundo.
`É um projeto que demonstra nossa confiança nas perspectivas do mercado, sobretudo em decorrência do crescimento dos países emergentes`, disse o geólogo Carlos Gilberto Mansur, presidente da Ferrous, egresso da Vale do Rio Doce. Dos US$ 5,6 bilhões a serem investidos, US$ 500 milhões já foram aplicados na aquisição de quatro minas localizadas na rica região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. O restante deve ser levantado por meio de um lançamento primário de ações programado para o final deste ano ou início de 2009 na Bolsa de Valores de Londres.
`Será uma grande captação, mas que ocorrerá com colocações graduais`, diz Robert Graham, do conselho de administração da Ferrous, cujo controle é detido por 10 fundos australianos, americanos e ingleses, além de sócios brasileiros minoritários. `Queremos ser a primeira empresa sediada no Brasil listada na Bolsa de Londres`, afirma Graham, que já comandou a Rio Tinto no Brasil. Nessa etapa, que antecede a estréia no mercado acionário, a empresa realiza pesquisas geológicas nas áreas recém-adquiridas, que somam 3.243 hectares. Até agora, as 18 sondas executadas, com 33 mil metros de furos, dimensionaram reservas de 2 bilhões de toneladas – volume auditado pela Joint Ore Reserves Comittee (Jorc), da Austrália.
Os recursos investidos até o momento também buscam sanar o elevado passivo ambiental das mineradoras adquiridas em 2007 e neste ano, sendo que algumas estão paralisadas há mais de uma década. É o caso de Serrinha, situada em Brumadinho, sem atividades há 13 anos. No mesmo município, fica a mina de Esperança. As outras duas estão em Itatiaiuçu (Santanense) e Congonhas (Viga). Mais uma área de 250 hectares em Congonhas foi comprada e está em fase de sondagens.
Os primeiros embarques da Ferrous começam este ano, com a exportação para a China de 1,2 milhão de toneladas de minério tipo fino – produto originado do trabalho atual de recuperação ambiental. Esse volume será despachado pelo terminal portuário da Vale em Itaguaí (RJ). `Contratamos, juntamente com a Minerita, o direito de embarque de 2,2 milhões de toneladas`, disse Fernando Porto, diretor comercial. Em 2009, a previsão é exportar cinco milhões de toneladas. `Estamos negociando contratos com siderúrgicas da China, Oriente-Médio e Coréia do Sul. Eventualmente, vamos exportar para a Europa`, afirmou Porto.
O plano da Ferrous é operar, a partir de 2013, o seu próprio terminal portuário, a ser erguido no litoral capixaba, em área de 10 milhões de metros quadrados, que está em negociação. O porto terá um complexo pelotizador. Não está definido o número de usinas, a serem supridas por um mineroduto de aproximadamente 400 quilômetros, cujo traçado depende de estudos. Parte do minério será transportada pela MRS Logística. A Ferrous contará ainda com um Centro de Pesquisas Teconológicas (CPT), em Brumadinho, com investimento de R$ 20 milhões. O primeiro dos três laboratórios previstos foi inaugurado no dia 15.
Com base nos preços atuais do minério de ferro, a Ferrous teria receita da ordem de US$ 5 bilhões ao ano, no auge da produção. Mas o plano da empresa é alcançar um volume de 100 milhões de toneladas em 2020. `Estamos em busca de novas oportunidades, no Brasil e no exterior`, diz Mansur. Para auxiliar a estratégia da Ferrous, foram escalados para o conselho de administração o ex-embaixador Jório Dauster, que comandou a Vale de 1999 a 2001, e Luiz André Rico Vicente, conselheiro da Gerdau Açominas.