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O estilo reservado do bilionário mineiro José Mendes Nogueira

Notícias Gerais

25/03/2008


;Todas as tardes, praticamente sem uma única exceção, o minerador José Mendes Nogueira convidava a comunidade de clientes, fornecedores e amigos da cidade de Itaúna, a cerca de 80 km a oeste de Belo Horizonte para um chá das cinco, com muito pão de queijo e broa de milho. Essa espécie de happy hour, sem sequer uma dose de álcool, era explicada pela idade avançada do anfitrião, hoje com 82 anos. Aos que cumpriam esse doloroso dever, no segundo andar de um prédio bem no centro da cidade, ele garantia, bem humorado que não se esqueceria deles quando suas jazidas começassem a produzir minério de boa qualidade e ele se tornasse milionário. De todas essas promessas a única realizada, exatamente há dois meses, foi a que ele ficou bilionário. Suas três minas, a J. Mendes, a Somisa e a Global, continuam produzindo as mesmas cinco milhões de toneladas de itabirito , que é um minério com baixo teor de ferro. Por isso ninguém entende, sobretudo os seus vizinhos, como ele conseguiu o preço que pode chegar a US$1,9 bilhão por uma mina, ao se comparar que a AVG Mineração, bem ao lado, foi vendida há menos de um ano para a MMX Mineração por US$ 225 milhões. Na época, a venda desta última empresa foi considerada um fenômeno, pois o seu minério, assim como o da J. Mendes, tinha de descer uma imensa montanha, com mais de 40 quilômetros de extensão até chegar à primeira estação ferroviária, de nome Sarzedo, para seguir para as siderúrgicas ou para o porto. O orçamento para se construir esse ramal é estimado em pelo menos US$ 50 milhões, valor bem acima das possibilidades das mineradoras de então. Alguns anos antes, no início do presente século, aí então era que o tipo de minério produzido pela J. Mendes nada valia. Os fabricantes de ferro gusa da região eram assediados pelos mineradores da Serra Azul, que lhes ofereciam o minério de ferro por até R$ 10 a tonelada. O preço é menor que o de um caminhão de areia na porta de qualquer construção da capital mineira. Ninguém ainda conhece as razões da compra da mineradora J. Mendes pela Usiminas por um valor tão alto. Fato que só pode ser explicado pelo aumento brutal do consumo e do preço do minério. É provável que essa informação seja prestada pelo novo presidente da siderúrgica, Marco Antônio Castelo Branco, que atualmente preside a Vallourec, mas que já emitiu uma mensagem eletrônica para colegas e amigos, na quinta-feira da semana santa, informando que mudará de endereço em quatro de junho. O novo bilionário brasileiro tem uma vida simples e muito recatada. Pai de cinco filhos, há pouco tempo começou a construir uma nova casa. Bem em frente ao Itaúna Tênis Clube, que freqüenta há muito, o telhado erguido com um tipo de telha diferente, chamou a atenção dos moradores locais. `É telha emborrachada e importada`, esclareceu o proprietário de uma loja de material de construção. Até hoje os filhos que estão a frente do negócio, e também levam vida reservada, chegam ao trabalho antes do sol raiar, às quatro horas da manhã. No sindicato das empresas de mineração, em Belo Horizonte, o Sindiextra, não há registro da presença de J. Mendes há pelo menos 15 anos. Apenas os seus filhos Rômulo e Sérgio são conhecidos e têm presença ativa na entidade. Ele não compareceu sequer à homenagem que lhe prestaram há cinco anos. Agora, nem ele nem os dois filhos são vistos em lugar nenhum. Desapareceram como todos os que acertam na sorte grande da loteria. O café com broa e pão de queijo também não é mais servido.

Gazeta Mercantil


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