NOTÍCIAS

Novo pacote do governo agrada, mas não entusiasma

Notícias Gerais

28/06/2012


Para empresários de setores beneficiados, medidas não são suficientes para retomar o ritmo de crescimento.
As medidas de reforço das compras governamentais, anunciadas ontem pelo governo, não poderiam deixar de ser consideradas positivas pelo setor empresarial, mas não foram vistas como suficientes para retomar um ritmo de crescimento de anos pré-crise internacional.
Os empresários continuam com projeções de queda em receita no final deste ano quando comparado ao exercício anterior em função dos impactos externos em seus negócios.
No setor de caminhões e ônibus, um dos mais beneficiados com o reforço nas compras do governo, as expectativas ainda não são tão animadoras.
Para Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, que responde pela Volkswagen Caminhões e Ônibus e pela marca MAN, a tendência é de que o mercado de caminhões e ônibus encerre o ano com uma queda de 10% a 15% em relação ao ano passado.
No entanto, ele lembra que este nível é considerado positivo diante de um cenário que poderia ser ainda pior caso o governo demorasse ainda mais a tomar medidas para a retomada da economia. “O mercado vai cair em relação ao ano passado de 10% a 15%”, afirma.
O executivo aponta que entre janeiro e maio deste ano o ritmo de produção de caminhões e ônibus foi 30% menor que em igual período do ano passado.
Ele espera que o cenário possa melhorar a partir de agora como resultado de medidas que reduziram as taxas de financiamento de veículos pesados, tomadas em abril e maio, e após a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), anunciada ontem.
Conteúdo nacional
Outra razão para que as medidas sejam vistas com ceticismo pelos empresários é a falta de ações para barrar a concorrência com produtos importados.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, o PAC Equipamentos poderá não ter o efeito desejado para a indústria de máquinas caso o Planalto não exija o uso de componentes nacionais pelos fabricantes.
“O pacote é positivo, mas o governo devia incentivar toda a cadeia produtiva, além do consumo. Sem um compromisso com o conteúdo local, todo esforço (para estimular a economia) se perde”, afirmou.
O que preocupa o setor, por trás da nova demanda federal, é a participação crescente dos produtos e insumos importados sobre o mercado brasileiro (59,4%). A participação nacional, por outro lado, caiu para 25,8% nos últimos anos.
Isso é exemplificado pelos números da balança comercial divulgados ontem pela associação. O déficit chega a quase US$ 8 bilhões entre janeiro e maio deste ano.
Nas medidas anunciadas, há margem de preferência de compras para produtos brasileiros, mas apenas nas compras governamentais do setor de equipamentos e máquinas hospitalares.
Regiane Salateo, diretora de assuntos corporativos da Eli Lilly (farmacêutica americana com produção de remédios no Brasil) diz que a medida não chega a ser novidade para o setor, mas que para fazer efeito positivo precisa ser melhor compreendida pelas empresas.
“O que será considerado como produto nacional é que precisará ser bem esclarecido para as empresas”, afirma.

Brasil Econômico


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER