Nova espécie de planta indica formações de kimberlito
08/05/2015
Um geólogo descobriu uma espécie de planta na Libéria, similar a uma palmeira e espinhosa, que parece crescer apenas no topo de formações de kimberlitos. Identificada como Pandanus candelabrum, a espécie é a primeira planta registrada que suporta um solo com as características propícias para diamantes.
O artigo foi publicado na revista Science na última segunda-feira (4). A descoberta foi publicada primeiro no meio do ano passado, na Economic Geology, por Stephen Haggerty, pesquisador da Universidade Internacional da Flóirida e chefe de exploração da Youssef Diamond, mineradora que tem direitos na Libéria.
Haggerty disse acreditar que a planta se adaptou a solos de kimberlito, que são ricos em magnésio, potássio e fósforo. ?Parece ser um ótimo fertilizante, e é de fato?, disse o pesquisador.
Segundo ele, das aproximadamente 6 mil chaminés de kimberlito conhecidas, cerca de 600 contém diamantes. Dessas 600, apenas 60 possuem reservas suficientes de diamantes de qualidade que valem a pena ser extraídos.
Os diamantes são formados a quilômetros abaixo da superfície, à medida que o carbono é exposto a altas temperaturas e pressões. As chaminés de kimberlito levam as gemas à superfície em erupções que, algumas vezes, são mais rápidas do que a velocidade do som.
A África Ocidental tem muitas operações de garimpo, em que as pessoas trabalham em rios procurando possíveis diamantes provenientes de uma chaminé de kimberlito. No entanto, segundo Haggerty, poucas chaminés foram descobertas nas florestas nessa região da África, onde a mata é praticamente impenetrável.
O geólogo disse que a Pandanus candelabrum é utilizada pelas comunidades locais da Libéria como telhados das casas com menos estrutura, pelo fato de possuir um sistema radicular similar à de uma palafita.
Haggerty levou máquinas pesadas para o local onde identificou a planta e, no início do ano que vem, após a temporada de chuvas, vai começar a avaliar amostras em grande escala do solo na chaminé de kimberlito denominada Camp Alpha, na Libéria. O geólogo também quer utilizar imagens aéreas ou de satélite para identificar a existência da espécie em outras áreas da África. Espécies da família da candelabrum foram vistas em áreas que vão de Camarões até Senegal.
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