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No Brasil, crise pode afetar investimento

Notícias Gerais

24/11/2011


O principal canal de transmissão da crise mundial, no Brasil, será pelo fluxo de investimentos, que deve diminuir, com impacto na produção industrial e no ânimo dos empresários, previram ontem o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, da Gávea Investimentos, e o sócio-controlador do BTG Pactual, André Esteves. Em seminário promovido pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), ambos traçaram um cenário otimista para o país, porém. Eles alertaram para a necessidade de reformas, especialmente na tributação brasileira, para aumentar a competitividade do país.
“A crise vai nos atrapalhar um pouco nessa questão dos investimentos; mas a crise tende a ser temporária”, disse Armínio após o debate. “Os investimentos devem se recuperar”. Um aspecto positivo é a situação confortável da dívida do país, lembrou. “O Brasil está bem preparado”.
André Esteves apontou como principais obstáculos ao crescimento na economia a carência de infraestrutura, a falta de planejamento de longo prazo para questões como educação e a forte carga tributária. O dono do BTG Pactual disse ver um lado positivo nos gargalos de infra-estrutura, que é sinalização de demanda para potenciais investidores.
“Nunca tivemos tanto investimento em nossas carteiras relacionados à infraestrutura, e nunca tivemos tanto capital próprio ligado a investimentos”, disse Esteves. “Existe primeiro a demanda, que cria um certo caos, mas os investimentos vêm a seguir”, brincou.
Já o sistema tributário complexo e pesado diferencia, para pior, o Brasil de potenciais competidores internacionais, comentou Esteves. “Há um grupo de países que, quando o real se valoriza, sua moeda se valoriza também, como México, Austrália, África do Sul”, exemplificou. “Agora, o sistema tributário pertence só a nós”, disse, citando um exemplo que disse ter ouvido do presidente do conselho da Gerdau, Jorge Gerdau Johanpeter, que disse fabricar aço mais barato nos Estados Unidos, com minério importado do Brasil, que em suas usinas instaladas em território brasileiro.
“O essencial é que o governo brasileiro seja eficiente”, insistiu Armínio Fraga, citando a presidente Dilma Rousseff. “Os juros vêm caindo no Brasil mas têm longo caminho a percorrer”, avaliou. Foi aplaudido com entusiasmo quando, após afirmar que é preciso mais planejamento de longo prazo no país, esclareceu acreditar que “apesar do governo, as coisas andam.”
Pouco antes, em depoimento à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o agravamento da crise mundial já contagia os países emergentes. “Todos vão sofrer consequências, os países emergentes não estão isentos, e já começamos a ver um contágio”, afirmou Mantega.
Para Mantega, o cenário externo é de “crise prolongada”, isto é, o crescimento será baixo ou recessivo nos próximos anos. “Vi um dado hoje [ontem] mostrando que a China começa a desacelerar, e ela é a locomotiva do mundo, uma vez que puxa o crescimento mundial”, afirmou Mantega. “Isso nos preocupa muito”.

Valor Econômico


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