Nióbio: do Brasil para o mundo
24/01/2011
País detém 98% das reservas mundiais do mineral, que é amplamente utilizado no mundo para dar mais resistência ao aço
O Brasil é o maior produtor do mundo de uma substância química pouco conhecida, mas de grande destaque econômico. Ela atende pelo nome de nióbio e é um elemento de concentração baixa na crosta terrestre. No entanto, 98% das reservas estão em solo brasileiro, algo em torno de 842,4 milhões de toneladas. Explorado há 40 anos no País, o mineral é encontrado nos Estados de Minas Gerais, Amazonas e Goiás. Sua aplicação vai desde a construção de reatores nucleares à de gasodutos e oleodutos.
Na Bolsa de Metais de Londres, um quilo de nióbio quase 100% refinado custa US$ 90. Uma das principais característica do Nióbio é suportar temperaturas extremas. Dele, é produzido um derivado, o ferro-nióbio, principal produto exportado pelo Brasil. Os principais compradores do ferro-nióbio brasileiro são a Holanda, China e os EUA (ver arte ao lado). Possui ainda propriedades como elasticidade e flexibilidade.
O nióbio e seus derivado são adotados em maior escala pela indústria metalúrgica. Quando aplicado em estruturas de aço, faz com que elas possam ser colocadas em ambientes hostis, seja pelo calor, seja pelo frio elevados. Equipa, por exemplo, turbinas de aviões a jato e ônibus espaciais. E, recentemente, tem sido utilizado pelo setor automotivo. Proporcionam menor peso para as chapas de aço que formam o chassi de um carro, o que auxilia até mesmo na economia de combustível do modelo.
O presidente do Centro de Estudos do Nordeste (Cenor), Sebastião Campello, comenta que uma das questões mais urgentes em volta da produção de nióbio são os esforços financeiros e científicos empreendidos pelos EUA para desbancar a supremacia brasileira. ?Graças à sua diversidade e ao fato de o Brasil possuir reservas que atendem à demanda mundial dos próximos 500 anos, os EUA estão investindo pesado em pesquisa e incentivos para desenvolver a produção canadense, a segunda no mundo, com 1,5% de participação. Eles querem deixar de depender do nióbio brasileiro?, comenta. A concentração do produto nas reservas brasileiras é de 3%, ou seja, para cada uma tonelada há 30 quilos.
Recentemente, além das minas de Araxá, em Minas Gerais, e as de Catalão e Ouvidor, em Goiás, foi descoberta a presença de nióbio no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo. As jazidas mineiras pertencem à Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (CBMM), maior empresa de exploração de nióbio do mundo. É controlada pelo grupo Moreira Sales (55% das ações) e pela norte-americana Molycorp Incorporation (45%). Já as de Goiás estão sob a batuta da Mineração Catalão de Goiás Ltda., controlada pelo grupo britânico Anglo American.
SEMINÁRIO
A fim de discutir a importância do nióbio para a economia nacional, o Cenor, o Clube de Engenharia de Pernambuco e a Associação dos Geólogos de Pernambuco promovem, na próxima sexta-feira, dia 28, um seminário no Restaurante Catamarã, no bairro de São José.
O encontro vai contar com a presença do economista e especialista do Departamento Nacional de Produção Mineral de Goiás, Rui Pereira Fernandes Júnior, do presidente da Companhia de Mineração do Tocantins, Dorival Carvalho Pinto, e do ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.
Jornal do Commercio – PE