Nem a ?pedra mais cara que o diamante? foi capaz de ajudar
31/01/2011
Nem a fama e valorização no mercado internacional que a turmalina Paraíba adquiriu nas últimas décadas como pedra preciosa mais cara que diamante foi capaz de despertar os governantes para transformar a vocação natural dos minérios em riqueza econômica para o Estado. A renda e O PIB (Produto Interno Bruto) continua inexpressivo dos municípios do Seridó diante do potencial econômico que pode agregar valor e gerar emprego e renda.
Para as entidades e pesquisadores, os minérios, farto em pelo menos 17 municípios da meso região do Seridó, são uma das poucas matérias-primas que a Paraíba não precisaria importar para criar uma cadeia produtiva incluindo desde a extração mineral, passando pela lapidação e industrialização no segmento de joias e bijuterias agregando valor com apoio dos cursos da UFCG de design, até chegar à comercialização, o que poderia alavancar a economia dos municípios inseridos numa das regiões mais pobres do Estado: a mesorregião do Seridó.
Menos cobiçadas na região do Seridó, as chamadas pedras semi-preciosas; podem agregar valor quando usadas na fabricação de peças de bijouterias como colares, pulseiras e anéis. ?Temos abundância de quartzito, água marinha, citrilos e ônix e a ideia do projeto é selecionar cerca de 70 jovens de Santa Luzia e Junco do Seridó com perfil empreendedor para fazer um curso completo de lapidação, acabamento e designer para elevar o valor dos produtos na região?, revela o gestor de APL Mineral do Sebrae, Marcos Magalhães, acrescentando que o projeto já foi aprovado pela Sudene e aguarda apenas a liberação do recurso.
Segundo IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais preciosos), o processo de lapidação e produção pode agregar de 50 a 100 vezes o valor da pedra.
Segundo Marcos Magalhães, pulseiras bem trabalhada de quartzito podem render valores bem elevados. ?Alguns joalherias estão vendendo colares com pedras semi-preciosas que chegam custam até R$ 2.600. Acredito que esse projeto poder` fazer diferença com esses jovens?, comenta.
Uma das dificuldades é que os moradores da região não encaram o minério como negócio. Apesar da disseminação das informações, ainda não foi internalizado na mente das pessoas que moram e trabalham com minério que o setor tem de ser encarado como negócio, daí a importância da qualificação, do planejamento e do crédito para o setor?, frisou.
Para o professor da UFCG, Antônio Pedro, ?o Estado poderia dinamizar esse aproveitamento mediante o apoio integral aos micro e pequenos empreendedores,; concedendo apoio às cooperativas de mineração, estabelecendo a atividade mineral como prioridade do Governo. Assim, seriam estabelecidas uma política de apoio permanente à mineração em pequena escala, criando mecanismos que facilitassem o acesso ao crédito. Acredito que o Programa Empreender Paraíba, lançado recentemente pelo novo Governo do Estado será uma saída?.
Em Junco do Seridó, a tonelada do caulim bruto é vendida atualmente por R$ 100 deve passar a ser vendida a R$ 300, com o beneficiamento das tecnologias. Uma diferença que também deve atingir o quartzito, utilizado na produção de pedras decorativas, que têm um preço médio de R$ 6, o metro quadrado em estado bruto, e tem a expectativa de passar a custar entre R$ 15 a R$ 20, com a introdução de novas etapas de processamento do minério. ?Não há dúvida que esse investimento aplicado no setor não apenas iria agregar valor, mas aumentar a renda e o associativismo, por extensão gerando aumento do emprego e renda vinculados à mineração, além de ser uma forma de levar o desenvolvimento econômico para o interior da Paraíba?, declara Antônio Pedro.
Outra ação importante na avaliação do professor seria a reestruturação e o fortalecimento da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Minerais da Paraíba (CDRM) para juntamente com a UFCG e outras instituições parceiras, como o Sebrae, fornecerem acompanhamento técnico permanente às cooperativas no aproveitamento econômico de forma sustentável. ?Além das gemas, temos os demais minérios como caulim, feldspato, quartzo, da mica, tantalitas. Com essas ações emergenciais, a Paraíba poderá iniciar o desenvolvimento desse setor, a exemplo do que aconteceu em Minas Gerais e na Bahia. Lembrando que na UFCG já existem especialistas em design e artesanato mineral que poderão dar uma excelente contribuição a esse segmento da mineração?, apontou o professor.
Jornal da Paraíba