MT em ritmo de crescimento
19/10/2010
O crescimento da economia mato-grossense é fruto de um conjunto de políticas de incentivos e divulgação dos potenciais. A avaliação é do secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Pedro Nadaf. Para fortalecer o desenvolvimento, o próximo passo, segundo ele, é investir em qualificação de mão-de-obra e consolidação de fontes energéticas, além da exploração mineral que atrai atenção de empresas de todo o mundo. Nesta entrevista ele fala do fim das negociações sobre o gás natural, descoberta do depósito de minério em Mirassol D”Oeste e outros setores promissores.
A Gazeta – Depois de 3 anos, as questões a respeito do fornecimento de gás natural para a Usina Termelétrica Mário Covas parecem estar resolvidas. O que foi preciso para o aval boliviano?
Pedro Nadaf – Fundamental foi a entrada do governo federal nas negociações e o arrendamento da Empresa Pantanal Energia (EPE) por 2 anos pela Petrobras. A interferência do Ministério de Minas e Energia (MME) e do governo estadual foram indispensáveis para que o impasse fosse solucionado. Foram realizadas várias reuniões que culminaram neste resultado. As pessoas não entendem porque é tão complexo, mas são várias tarifas, contratos técnicos que precisam ser rediscutidos. A partir de então começam os desdobramentos internos, para recontratação de mão-de-obra e retomada de produção. A Usina não irá funcionar de imediato, mas o importante é que o fornecimento de Gás Natural Veicular (GNV) e industrial está garantido e que quando a usina retomar a atividade trará empregos e receita para o Estado com a produção de 400 megawatts (MW), além da segurança enérgica.
Gazeta – Por que a entrada da Petrobras foi decisiva para a retomada do envio do combustível?
Nadaf – Porque a Bolívia não tinha gás para abastecer. Este gás é da Petrobras, é parte do que ela compra. O gás boliviano está todo comprometido.
Gazeta – A descoberta de um depósito de minério de ferro e fósforo em Mirassol d”Oeste despertou o interesse nacional em virtude do possível potencial. A empresa GME4, que detém o direito de estudo sobre o local, já manifestou um parecer sobre se fará ou não o estudo de viabilidade?
Nadaf – O grupo já está fazendo o planejamento de 2011 e somos a prioridade número 1. Eles já fizeram o requerimento da licença ambiental e do alvará no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para iniciar as pesquisas. A intenção da empresa é que em janeiro comecem as perfurações no local para então ter a dimensão do material e do potencial.
Gazeta – É possível observar uma mudança no perfil da exportação do Estado nos últimos anos. A que isso pode ser atribuído?
Nadaf – Em 3 anos MT teve a mesma produção primária. Em contrapartida as exportações cresceram cerca de 80% e nos últimos 7 anos foram 373%, isso porque passamos a exportar proteína animal, a soja parou de sair in natura, o algodão está entrando num processo de industrialização. Temos atraído muitas fábricas para novos investimentos e a tendência é aumentar ainda mais as exportações de produtos com valor agregado.
Gazeta – Uma das dificuldades em Mato Grosso é o transporte, quais as soluções possíveis?
Nadaf – Temos prioridades sobre a infraestrutura de logística e de industrialização. A ferrovia vai complementar este processo. É factível esta situação com a continuidade da política de governo que não só vai fortalecer o agronegócio, mas uma nova etapa que será a exploração mineral. Primeiro tratamos o macroeconômico para dar robustez e agora partiremos para uma política mais municipalista, com investimentos na industrialização das cidades, capacitação de mão-de-obra e fortalecimento das micro e pequenas empresas.
Gazeta – O segundo gargalo da economia estadual é a mão-de-obra. Como atender aos novos investidores quanto à capacitação de trabalhadores?
Nadaf – Capacitamos, por meio do “Sistema S” e de entidades empresariais, 75 mil trabalhadores somente pela Sicme durante os 8 anos de governo. Temos recursos para dar continuidade a esses programas de capacitação e temos compromisso com os novos de fazer isso.
Gazeta – O comércio acaba sendo um reflexo da economia local. Quais os investimentos no setor varejista?
Nadaf – Fizemos parcerias com associações para desenvolver tecnologias, qualificação e metodologias de ação. Além disso, desenvolvemos políticas fiscais específicas para alguns setores e retiramos o mark up dobrado e mudamos a sistemática de fiscalização nas barreiras.
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A Gazeta