MMX separa minas para a Anglo e aguarda licenças
20/06/2008
Danilo JorgeNo momento em que prepara a cisão dos ativos a serem assumidos futuramente pelo grupo Anglo American, a MMX Mineração e Metálicos atravessa etapa crucial do projeto de ferro Minas-Rio, desenhado para produzir 26,5 milhões de toneladas ao ano no longo prazo. A licença complementar para a conclusão do mineroduto que interligará as jazidas localizadas na região de Conceição do Mato Dentro (MG) ao Porto do Açu (RJ) acaba de ser recebida pela companhia e, agora, a expectativa é que a autorização prévia para a instalação da mina seja liberada em breve.”A licença prévia deve sair em agosto ou setembro”, disse Carlos Gonzalez, diretor de operações da MMX. Segundo ele, o projeto está dentro do cronograma estabelecido, que prevê o início das operações no segundo semestre de 2010. O complexo Minas-Rio, que será assumido pela Anglo American, produzirá, principalmente, finos de pelotização. Da unidade de beneficiamento a ser erguida próxima à mina, o produto será escoado até o porto por um mineroduto de 525 km.Parte dos equipamentos para a operação da mina e da unidade de beneficiamento está em processo de cotação com os fornecedores, entre os quais Caterpillar, Komatsu, Sandivik e Atlas. Estão sendo adquiridos, por exemplo, correias transportadoras, caminhões, escavadeiras, tratores, peneiras e moinhos. “Boa parte das compras já foram feitas”, disse o diretor da MMX, sem informar o valor do orçamento de aquisições, que está incluído nos investimentos totais previstos para a implementação do empreendimento, estimado em US$ 2,9 bilhões. A MMX conduz, também, novas pesquisas geológicas, abrangendo áreas em Conceição do Mato Dentro, Serro e Alvorada de Minas. “Temos boas expectativas de aumentar as nossas reservas”, disse Gonzalez.A ampliação das reservas é estratégica, tendo em vista o forte aquecimento do mercado mundial de commodities metálicas, que deve se manter pelo menos até 2012, de acordo com as previsões de Hans Lin, diretor da Merril Lynch. “O que diferencia o atual ciclo de alta, que começou em 2005, é a sua duração, que deverá se estender por até sete anos, contra a média de três anos dos anteriores”, afirmou Lin. Nessa acentuada curva ascendente, a geografia de diversos metais vem se alterando, com a emergência de novas localizações produtoras. No cobre, por exemplo, ganham destaque as minas da República Democrática do Congo, na África, ao lado das tradicionais jazidas chilenas. Em alumínio primário, que exige oferta farta e barata de energia, surgem no mapa os países do Oriente Médio.O diretor da Merril Lynch participou, ontem, do lançamento do Grupo de Siderurgia e Mineração no âmbito da Câmara Americana de Comércio (Amcham), em Belo Horizonte. Esse comitê é presidido por Gonzalez, da MMX, e o advogado Henrique Rabelo, egresso da Usiminas e que representa agora os interesses da divisão de equipamentos do grupo chinês Minmetals no Brasil. O novo comitê programa, para setembro, a visita do presidente da companhia, He Liu, ao país. “A Minmetals é a fornecedora da coqueria da Açominas e da Usiminas e prospecta novos negócios no Brasil, nas áreas de alumínio e cimento, além da siderurgia e mineração”, disse Rabelo.
Valor Econômico