MMX investirá R$ 4 bilhões em Serra Azul
28/09/2011
A crise global não deve fazer o mercado da mineração pôr o pé no freio, em especial o setor de minério de ferro. Prova disso são as cifras de investimentos da MMX, do Grupo EBX, para os próximos anos. A empresa prevê aporte de R$ 4 bilhões somente para a planta de Serra Azul, no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. “Nós temos um porto com capacidade de 50 milhões de toneladas de minério para preencher”, afirma Roger Downey, diretor-presidente da MMX. Atualmente, a empresa opera com 10,8 milhões de toneladas por ano.
O setor anda tão aquecido que somente o Estado de Minas Gerais deve registrar US$ 25 bilhões de faturamento, em 2011, metade do montante nacional dentro do setor de mineração. Até 2015, os investimentos devem ser de US$ 21,8 bilhões. “É importante salientar que a China continuará a impulsionar a demanda mundial de commodities, principalmente o minério de ferro”, garante Colin Pratt, consultor da CRU Strategies, do Reino Unido.
Pratt afirma, ainda, que o setor vai continuar a depender do crescimento dos países emergentes. Como exemplo ele cita a China, país que nos próximos anos deve construir cerca de 600 milhões de residências em municípios urbanos – uma vez que sua população ainda é majoritariamente rural – e essa projeção promete alavancar ainda mais a sua demanda por produtos resultantes da mineração. Para o consultor britânico, ainda existe uma grande diferença entre oferta e demanda, que cresce a cada dia no mundo.
Essa disparidade entre o consumo mundial e o que as empresas podem produzir influencia diretamente no preço das commodities, principalmente no minério de ferro. “Eu não consigo divisar uma queda de preços nesse segmento pelos próximos dez anos, porque a demanda deve continuar alta”, diz Downey. Ele acredita que o preço do minério de ferro deve continuar em torno de US$ 170 a tonelada, média atual. Roger Downey, porém, salienta que, se a commodity chegar a custar até US$ 100 a tonelada, a MMX conseguirá se manter neste mercado com bastante competitividade.
Ampliação da capacidade
A empresa, do grupo do empresário Eike Batista, tem o objetivo de atingir a produção de 36 milhões de toneladas de minério de ferro, anualmente no Brasil. Um dos pilares desse projeto é o Superporto Sudeste, conhecido como Serra Azul, que foi construído na Ilha da Madeira, em Itaguaí (RJ). Trata-se de um terminal portuário privativo, dedicado à movimentação de cargas da empresa. O local demandará investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão de reais, que serão captados através de financiamento privado. O restante virá do caixa da empresa.
O megaempreendimento da MMX terá capacidade para movimentar 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, que poderá ser expandida para 100 milhões de toneladas em uma segunda fase. Todo o transporte das cargas será feito por ferrovia, através da linha MRS Logística.
O bom momento do setor é reflexo do cenário internacional que, apesar de apresentar sinais de crise, continua consumindo altos índices de metais. Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Camillo Penna, há um forte aumento na demanda mundial por commodities minerais, o que eleva os níveis de produção e diversifica os negócios, mesmo em períodos de maiores turbulências.
Downey destaca como um dos planos de expansão da empresa a parceria já firmada com a Usiminas na planta de Serra Azul, que deve resultar na produção de 8 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. O acordo consiste em uma lavra conjunta, em que a mina de ferro Pau de Vinho será arrendada para a MMX pela Usiminas. Já a siderúrgica presidida por Wilson Brumer poderá escoar minério de ferro pelo Superporto Sudeste, da MMX.
Outro fator importante é a diminuição de custos. “Nosso desafio é a logística, assim como otimizar a produção das minas”, destaca Downey. Além disso, a empresa tem investido em autogeração de energia. A MPX Energia e a MMX concluíram negociações para fornecer energia elétrica, totalizando 200 MW médios. Para o diretor da MMX, a única coisa que pode comprometer o futuro é a insegurança do mercado com os marcos regulatórios, que pode fazer com que projetos não saiam do papel.
Aço
O mercado brasileiro de aço reagiu em agosto, subindo 15,2%, atingindo um patamar bem acima da previsão anterior de 5%. E setembro deve seguir o caminho.
DCI