Minério e turismo tiram África do Sul da recessão
11/06/2010
Sul-africanos vibram na festa de abertura da Copa do Mundo da África do Sul, ontem, no Orlando
Stadium, em Soweto
Um “boom” mineral e a indústria do turismo empurraram a África do Sul para fora da recessão. Com a alta dos dois setores, os mais importantes do país, a economia como um todo começou a melhorar: o consumidor voltou a gastar, a indústria deu um salto e o setor imobiliário ganhou vitalidade. Esse cenário positivo deveria ser animador para os moradores do país, quanto mais agora, numa época de festa com a Copa do Mundo – que teve início oficial ontem e só começa nos gramados hoje. Mas o desemprego em alta ainda afeta o ânimo dos sul-africanos.
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O cenário nas minas sul-africanas hoje contrasta de modo brutal com o mesmo período do ano passado, quando estavam trabalhando em ritmo de tartaruga. Em abril, a produção de diamantes e manganês mais do que dobraram em relação ao mesmo mês do ano passado. A extração de ferro subiu 26% e a de cromo, 42%.
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A De Beers, maior produtora de diamante bruto do mundo, havia diminuído o ritmo de trabalho em 2009 por causa da crise. Agora, o país aumentou a produção em 117%. Essa alta internacional de procura por commodities cai como uma luva para o país. A África do Sul tem 90% das reservas mundiais de platina; 80% das reservas de manganês; 75% das reservas de cromo; 41% das reservas de ouro.
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Já o turismo rendeu no ano passado US$ 27 bilhões. Foi um crescimento pequeno em relação ao ano anterior, mas um resultado surpreendente para quem esperava uma queda do setor.
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Agora, com a Copa do Mundo, analistas acreditam que o país vai “surfar uma nova onda”. A consultoria Grant Thornton estima que a Copa ser responsável por uma injeção de mais US$ 13 bilhões na economia só com os gastos e investimentos – sem contar os US$ 2,6 bilhões que o governo investiu em estádios.
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Para Rian le Roux, economista-chefe do Old Mutual Investment Group, da Cidade do Cabo, “a recuperação do país está claramente nos trilhos. Está se espalhando para áreas ainda claudicantes, como o varejo. É bom ver como a agricultura também vem registrando boas taxas de crescimento”.
Joe de Beer, diretor do Instituto de Estatísticas da África do Sul, concorda: “É a primeira vez desde o fim da recessão que todos os setores estão mostrando resultados positivos”.
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Esse otimismo contrasta entretanto com um “baixo astral” causado pela falta de emprego. Mesmo com a recuperação da economia, a taxa de desemprego continua sua trajetória de alta, ultrapassando os 25%. Um estudo da Universidade da África do Sul mostra que a classe média negra do país, cerca de 9,5 milhões de pessoas com renda anual de US$ 10 mil a US$ 18 mil, foi a mais afetada. Um em cada três sul-africanos negros de classe média perdeu ou viu alguém de seu núcleo familiar que tenha perdido o emprego nos últimos 24 meses. “A volta da atividade ainda tem de se refletir no emprego. Esperamos que isso venha a acontecer logo”, disse De Beer.
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Neste mês, é pouco provável que haja grandes manifestações de insatisfação social, por causa das atenções voltadas para a Copa do Mundo, dizem analistas. Para muitos sul-africanos, entretanto, as agruras voltam a fazer parte da realidade no fim da festa.
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Valor Econômico