Minério de ferro e carvão siderúrgico preocupam Usiminas e CSN
23/07/2010
Siderúrgicas planejam novo reajuste
Analistas esperam aumento no aço entre 10% a 15% ao longo do segundo semestre
O reajuste dos preços do aço, que gerou forte alta nas ações da Usiminas na quarta-feira desta semana, apesar de pequeno, é visto com otimismo pelos especialistas do setor siderúrgico. A busca da companhia é pela recomposição de margens, que se encontram comprimidas devido à forte alta dos insumos, principalmente o minério de ferro. No início deste mês, o minério de ferro consumido pela empresa foi reajustado em cerca de 35%, enquanto o carvão metalúrgico sofreu um aumento em torno de 75%.
“As siderúrgicas CSN e Usiminas planejavam um novo reajuste, no início deste segundo semestre, nos preços de seus produtos na faixa de 10% a 15%. No entanto, a partir do mês de junho, sinais de desaceleração da economia mundial foram observados em praticamente todos os países, impondo queda nos preços do minério de ferro e metais no mercado internacional”, explica o analista chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi
Alinhamento
Segundo Galdi”, especializado no setor de siderurgia, “neste ambiente, sem força para lançar reajustes de preços mais significativos, a CSN e Usiminas estão apenas anunciando alinhamento de preço para alguns produtos”. O analista trabalha com um preço justo para as ações da Usiminas (USIM5) de R$ 67,60.
Apesar do reajuste menor que o aguardado há alguns meses, Galdi ressalta que a decisão da empresa é vista com otimismo pelo mercado financeiro, assim como no caso da CSN. O analista lembra que a CSN havia anunciado um reajuste de 4% no início de julho e testará mais 4% em outubro, se o mercado assim o permitir. Já no caso da Usiminas, o anúncio efetuado foi o de elevar os preços de referência de seus produtos entre 3,5% a 6% a partir do início de agosto. O reajuste ocorrerá de forma diferenciada de cliente para cliente.
Reajuste menor
“O planejamento de um reajuste menor para o início do segundo semestre está em consonância com o enfraquecimento pontual da atividade industrial e redução de vendas no varejo e também para que não ocorra um confronto com o governo, que tem na possibilidade de reduzir alíquotas de importação de aço um forte componente de pressão contra reajustes mais significativos”, avalia.
A equipe de análise da Ativa Corretora também avalia a decisão como positiva, pois a mudança de preços ajudará a preservar as margens operacionais da companhia. “A empresa poderá repassar o aumento dos insumos para produção do aço”, justificam os analistas da Ativa. Ao mesmo tempo, a visão é de que o anúncio da elevação nos preços mostra a aceitação por parte dos principais consumidores do insumo, dentre eles os setores automobilísticos e de eletrodoméstico, que permanecem aquecidos no mercado brasileiro.
Compensação
O reajuste de preço do aço anunciado pela Usiminas ocorrerá a partir do dia 1º de agosto e, de acordo com o comunicado da companhia, a medida visa compensar parcialmente o novo aumento de seus custos decorrente do reajuste no preço dos principais insumos produtivos. “A Usiminas reitera que as negociações com todos os segmentos consumidores de aço da empresa levam em conta as especificidades de cada cliente”, diz a nota divulgada esta semana pela empresa.
Para a equipe de análise do Itaú Securities, os preços globais do aço devem permanecer sob pressão neste terceiro trimestre. Baseados em recente viagem à China, os especialistas explicam que a demanda pelo aço naquele país deve se enfraquecer na metade deste ano, diante da menor demanda por parte do setor da construção civil, acompanhando as recentes medidas de aperto para promover a diminuição dos preços das habitações, e um ciclo de ajuste dos estoques, tendo em vista que os estoques de aço parecem estar acima da sua média.
“Neste cenário, a produção chinesa de aço possivelmente deve declinar, ainda que em um ritmo mais lento do que o do consumo aparente, levando a maiores exportações do produto.
Consequentemente, esperamos que os preços internacionais do aço permaneçam sob pressão no terceiro trimestre, acompanhando as maiores exportações chinesas e a demanda sazonalmente mais fraca no hemisfério Norte”, destaca o relatório do banco a clientes.
Este é o mesmo caso do minério de ferro. “Os preços à vista devem se enfraquecer mais, porém vemos um piso no curto prazo de US$ 120 por tonelada. A combinação de uma menor produção de aço na China com uma menor demanda por parte das siderúrgicas européias pode levar a preços à vista ainda menores para o minério de ferro”, afirmam os analistas do Itaú. O piso de US$120 por tonelada é de curto prazo, pois a produção doméstica chinesa, de alto custo, deverá cair, e a desaceleração no mercado da construção civil tende a ser temporária.
Monitor Mercantil