Minerais de terras raras trazem esperança à mineração no oceano
12/11/2010
Durante décadas, empreendedores tentaram ficar ricos coletando rochas feiosas, do tamanho de batatas, que cobrem o fundo do mar no mundo todo.
Conhecidas como nódulos de manganês, as rochas são ricas em níquel, cobre e cobalto, além de manganês e outros elementos, mas ficam quilômetros abaixo em meio a uma turva escuridão.
Construir máquinas gigantes e aspirá-las para cima, apesar de muitos estudos e investimentos, nunca provou ser uma opção economicamente viável.
Agora, os visionários frustrados vêm conversando animadamente sobre a possibilidade de um sucesso tardio, talvez até mesmo lucros.
Acontece que os nódulos contêm os chamados minerais de terras raras – elementos com amplas aplicações comerciais e militares, mas que atingiram uma barreira de produção.
A China, que controla cerca de 95% das reservas mundiais, bloqueou as remessas, disparando alarmes políticos ao redor do mundo e uma corrida por alternativas.
A China cancelou seu embargo no fim do mês passado, mas a caçada por novas opções continua.
Então os mineradores do oceano estão finalmente sorrindo? “As pessoas estão bastante intrigadas”, afirmou James R.
Hein, geólogo da U.S.
Geological Survey especializado em minerais do fundo do mar.
Dependendo do comportamento da China e da reação mundial, disse ele, “as terras raras podem ser a força motivadora num futuro próximo”.
Em outubro, Hein e cinco colegas da Alemanha apresentaram um artigo sobre a colheita de nódulos por seus “metais raros e valiosos”.
Eles estavam no encontro anual do Instituto de Mineração Subaquática, localizado na Universidade do Havaí.
O artigo despertou visões de um recomeço.
“Elas realmente agregam valor”, Charles L.
Morgan, presidente do instituto, disse sobre as terras raras numa entrevista.
O resultado, segundo ele, é que os nódulos obtiveram um novo esplendor.
“As pessoas estão começando a pensar, `Bem, talvez essas coisas não sejam tão tolas no final das contas`”.
Morgan disse estar considerando se analisava uma coleção de cinco mil amostras de nódulos do mundo todo, administrada por ele, para identificar seu conteúdo de terras raras.
Porém, ele advertiu que a mineração do fundo do mar possui um histórico de altos e baixos.
“Esse novo artifício pode levá-los ao limite para torná-los realmente econômicos”, afirmou ele sobre os nódulos.
“Mas isso ainda precisa ser provado”.
Os elementos conhecidos como terras raras contam 17 no total, e variam do cério e disprósio ao túlio e ítrio.
Suas propriedades únicas levaram a seu crescente uso em muitas tecnologias da vida moderna.
As aplicações incluem ímãs, lasers, fibra ótica, drives de discos de computadores, lâmpadas fluorescentes, baterias recarregáveis, conversores catalíticos, chips de memória de computadores, tubos de raio-X, supercondutores de altas temperaturas e as telas de cristal líquido de televisões e monitores.
A U.S.
Geological Survey descreve os raros elementos como “essenciais para centenas de aplicações” e prováveis candidatos a um “crescente conjunto” de produtos de alta tecnologia.
Carências de abastecimento que se estendem por muito tempo, segundo advertiu a agência num relatório, “forçariam mudanças significativas em muitos aspectos tecnológicos da sociedade americana”.
A Secretária de Estado dos EUA, Hillary Rodham Clinton, declarou recentemente que o embargo às importações da China era um “alarme” para que o mundo encontrasse novos recursos.
Apesar de seu nome, a maioria das terras raras não é particularmente rara.
Porém, suas propriedades geoquímicas significam que elas raramente se concentram em bolsas exploráveis de minério.
Nas últimas duas décadas, a maior parte da produção mudou para a China – pelos menores custos e por seu histórico de regulamentação permissiva quanto a perigos ambientais.
(O processamento das terras raras pode criar subprodutos tóxicos.) Cientistas já sabem das terras raras em rochas do leito do mar há décadas, analisando-as com curiosidade.
Em 1968, Alan M.
Ehrlich, químico do MIT (sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachusetts), redigiu uma dissertação de Ph.D, intitulada “Abundância de Terras Raras em Nódulos de Manganês”.
Numa entrevista, ele expressou surpresa ante o interesse dos mineradores marítimos, dizendo que as concentrações eram baixas demais para gerar um ressurgimento dos nódulos.
Os potenciais mineradores concordam.
Mas afirmam que a alta global de preços para os metais mais comuns encontrados nas rochas vem aumentando o apelo.
Os investidores, segundo eles, enxergam a presença dos elementos exóticos como a cobertura do bolo.
“No momento atual, as terras raras não são a força motivadora”, disse Hein, da agência de pesquisa geológica.
“Para o cobre e o níquel, porém, os preços estão lá”.
Ele afirmou que a redução das reservas terrestres de cobre – um ingrediente essencial da indústria que é usado em tudo, de fios e interruptores a canos e telhados – obrigou os mineradores em terra a buscar minérios de categoria cada vez mais baixa, e elevou o interesse nos recursos do fundo do mar.
Por exemplo, o minério na mina chilena de cobre e ouro que desmoronou em agosto, prendendo 33 mineiros, gera concentrações de cobre que medem apenas 0,5%, afirmou Hein.
“Os nódulos têm 1%”, acrescentou ele, “então são duas vezes mais ricos”.
A consequência é uma nova onda de interesse mundial em coletar os nódulos do fundo do oceano – terras raras e tudo o mais.
“Esse segmento está ficando mais ativo”, disse Morgan, do Instituto de Mineração Subaquática.
“As pessoas da indústria estão voltando a olhar para esse lado”.
Yahoo!