Minerais críticos ganham espaço nas estratégias globais e ampliam protagonismo do Brasil
26/08/2026
França, Canadá, Estados Unidos e Austrália apresentaram, durante a EXPOSIBRAM 2026, diferentes caminhos para diversificar cadeias de suprimento, ampliar o processamento mineral e fortalecer parcerias internacionais.

A necessidade de diversificar as cadeias de suprimento, ampliar o processamento mineral e fortalecer a cooperação internacional esteve no centro do debate “A visão estratégica dos países para os minerais e materiais críticos”, realizado na 3ª feira, 25/08, durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração – EXPOSIBRAM 2026 na capital mineira. Na ocasião, representantes da França, Canadá, Estados Unidos e Austrália apresentaram as estratégias adotadas por seus respectivos países, diante da crescente relevância dos minerais críticos para a transição energética, a economia digital e a segurança nacional.
O painel foi conduzido pela ministra-conselheira, cônsul-geral adjunta e representante sênior de Minerais Críticos do Reino Unido no Brasil, Sarah Clegg, a qual destacou a urgência de construir cadeias de suprimento mais resilientes diante das atuais tensões geopolíticas e da concentração da produção e do processamento de determinados minerais. Para Sarah, a crescente relevância dos minerais críticos demanda maior articulação entre governos e setor privado. “Precisamos fortalecer a cooperação entre os países para construir cadeias de suprimento mais seguras, resilientes e sustentáveis.”
França e a estratégia por mineral
O delegado interministerial para o Abastecimento de Minerais e Metais Estratégicos do gabinete do Primeiro-Ministro da França, Benjamin Gallezot, apresentou as diretrizes da estratégia francesa, estruturada a partir das particularidades de cada mineral e das necessidades específicas de suas respectivas cadeias produtivas. O planejamento contempla todas as etapas, da extração ao refino, processamento e reciclagem, buscando considerar as especificidades de cada elo da cadeia. “Estruturamos uma estratégia específica para cada mineral crítico e cadeia de valor, considerando as particularidades e as condições próprias de cada uma delas.”
A França já destinou aproximadamente € 7 bilhões a cerca de 20 projetos relacionados a minerais críticos, com foco principalmente nas áreas de refino e reciclagem. O país também recorre a incentivos financeiros e tributários como instrumentos para mitigar os riscos associados aos investimentos no setor, destaca Gallezot.
Ao abordar a relação com o Brasil, o representante francês defendeu uma cooperação que ultrapasse a simples exportação de matérias-primas, contemplando a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de etapas de processamento em território brasileiro. Segundo ele, o país reúne condições favoráveis para esse avanço, entre elas, a disponibilidade de recursos minerais, energia e mão de obra especializada.
Canadá e a força das parcerias
Na sequência do painel, a cônsul-geral interina do Canadá no Rio de Janeiro, Helen Belgrave, compartilhou a experiência canadense e ressaltou a importância de conciliar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e participação das comunidades na implementação de projetos minerais. A abordagem apresentada reforça a relevância do diálogo e da construção de relações de confiança para o desenvolvimento responsável do setor.
Entre os aspectos, por ela destacados, o papel dos povos indígenas é reconhecido como estratégico para a viabilização de novos projetos. O modelo canadense busca ampliar as oportunidades de inserção, com geração de empregos, fortalecimento das compras locais e mecanismos de compartilhamento de receitas. “A parceria com os povos indígenas é essencial para o desenvolvimento dos projetos. Buscamos assegurar sua participação, ampliar oportunidades de emprego e de fornecimento local, além de estabelecer mecanismos de compartilhamento de receitas.”
O papel do Canadá como polo de investimentos e de conhecimento para o setor mineral também foi destacado. Segundo Belgrave, o país busca ampliar sua capacidade de processamento e refino, além de mobilizar sua experiência técnica e financeira para contribuir para o desenvolvimento de cadeias produtivas mais diversificadas.
Estados Unidos e a segurança do abastecimento
Dando continuidade ao painel, o conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos, Matthew Lowe, destacou que a dependência norte-americana de fontes externas para o fornecimento de minerais críticos processados passou a ocupar posição de destaque entre os interesses estratégicos do país. “A elevada dependência de fontes estrangeiras para o acesso a minerais críticos processados foi reconhecida como uma questão concreta de segurança nacional.”
Segundo Lowe, a estratégia dos Estados Unidos está estruturada em três frentes principais: parcerias internacionais, ampliação do financiamento e investimentos em pesquisa e formação profissional. Nesse contexto, o Brasil foi apontado como um parceiro relevante. O representante também mencionou investimentos e projetos norte-americanos relacionados a minerais críticos no país, além de iniciativas de cooperação técnica e estudos voltados à ampliação da capacidade brasileira de processamento.
Lowe também defendeu o desenvolvimento de cadeias produtivas completas no Brasil, além de ressaltar as vantagens do país para a atração de investimentos no setor. Entre os fatores destacados estão a experiência histórica na mineração, a disponibilidade de recursos minerais e o potencial para ampliar e desenvolver novas etapas de processamento.
Austrália e o avanço do processamento
No caso australiano, a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, detalhou a abordagem adotada pelo país, voltada ao fortalecimento da capacidade doméstica, ao aumento da resiliência das cadeias de suprimento, à adoção de padrões ambientais e sociais e à ampliação das parcerias internacionais.
Segundo a embaixadora, o governo australiano busca estimular o processamento no próprio país, visando reduzir a dependência da exportação de minerais com baixo nível de agregação de valor. Além da criação de mecanismos de financiamento destinados a apoiar projetos com potencial para diversificar as cadeias globais de suprimento.
Para Davies, a crescente relevância dos minerais críticos ultrapassa a lógica tradicional de mercado e os posiciona como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico. “Os minerais críticos não são apenas commodities. São ativos estratégicos que sustentam as necessidades futuras das economias, desde tecnologias avançadas até a defesa, a segurança econômica e, sobretudo, a transição para uma matriz energética mais limpa.”
Ao finalizar sua participação, a representante australiana ressaltou o estreitamento das relações entre Austrália e Brasil, especialmente diante do crescente interesse de empresas australianas pelo setor de minerais críticos brasileiro.
Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026
A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.
A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).
No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.
Serviço:
EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/