Mineradores diversificam atividades em Minas
21/10/2010
Previsão do fim das jazidas leva municípios a buscarem alternativas produtivas que garantam a sobrevivência
Os municípios mineradores de Minas Gerais estão em busca de alternativas para diversificar as bases produtivas a fim de garantirem sua sobrevivência caso as jazidas minerais venham a se exaurir nas próximas três décadas, conforme preveem especialistas do setor.
Mesmo que isso não ocorra, ainda existe a possibilidade de que o produto seja substituído por outras fontes com a evolução das pesquisas tecnológicas. O início da exploração mineral em outras regiões do planeta, como a África, também pode resultar na queda do preço do produto no resto do mundo, o que reduziria os ganhos desses locais com a atividade.
A diversificação vai permitir que essas cidades não sejam tão dependentes economicamente da mineração. O futuro da exploração de minério de ferro no Estado foi o tema central de seminário promovido ontem, em Belo Horizonte, pela revista Fato Relevante, com a presença de prefeitos dos principais municípios mineradores mineiros, representantes do Governo de Minas, além de analistas do setor.
De janeiro a setembro de 2010, Minas arrecadou R$ 339,17 milhões por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), uma espécie de royalty da mineração. Segundo o presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Antônio Eduardo Martins, o volume arrecadado já é equivalente ao do período pré-crise.
Para se ter uma ideia, em setembro de 2009, a arrecadação de CFEM no Estado foi de R$ 25,25 milhões. No mesmo período deste ano, o volume de recursos arrecadados saltou para R$ 60,33 milhões, crescimento de 138,93%. O montante deve continuar aumentando nos próximos anos. Recentemente, foram anunciados diversos investimentos no Estado com a descoberta de novas jazidas de minério de ferro e também devido ao aumento da demanda do insumo pelos chineses.
Cidades da região denominada Alto Paraopeba, por exemplo, irão receber, até 2013, cerca de R$ 22 bilhões de seis empresas: Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Vale, Gerdau-Açominas, Namisa, VSB e Ferrous. A ideia é aproveitar o bom momento e utilizar os recursos provenientes da atividade mineradora para investir em soluções que irão garantir o futuro desses municípios em termos de receita, empregos e infraestrutura.
O prefeito de Congonhas, um dos municípios da região beneficiados pelos novos investimentos, Anderson Costa Cabido, afirma que a maior preocupação agora é buscar soluções rápidas para receber esses recursos sem impactar a infraestrutura local e a qualidade de vida da população.
Para isso, foi criado o Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba (Codap), que reúne outras seis cidades: Conselheiro Lafaiete, São Brás do Suaçuí, Belo Vale, Ouro Branco, Jeceaba e Entre Rios de Minas. Foi feita uma lista com 18 objetivos estratégicos, que devem ser executados até 2021, sob coordenação do Codap, que visa garantir o desenvolvimento sustentável da região nos próximos anos.
Em outras cidades mineiras cuja maior parte da receita provém da mineração, o turismo tem sido apontado como uma alternativa econômica viável para assegurar as perdas com uma possível exaustão das jazidas de minério ou queda do preço do produto. É o caso de Santa Bárbara e de Catas Altas, na região Central do Estado.
De acordo com o prefeito de Santa Bárbara, Antônio Eduardo Martins, a intenção é criar um circuito turístico em parceria com outras cidades do entorno. Hoje, o turismo responde por cerca de 1% da receita do município. O objetivo é elevar essa participação para 10% a 15% nos próximos 10 anos.
Segundo o prefeito de Catas Altas, Sérgio Morais de Castro, está sendo traçado um planejamento estratégico a fim de identificar as fraquezas e as oportunidades de negócios no município. Além de fomentar o turismo, a intenção é atrair empresas não poluentes para a cidade.;
Investimento do setor em MG atingirá 22%
De janeiro a outubro deste ano, Minas Gerais atraiu o equivalente a R$ 48 bilhões em investimentos privados, volume três vezes maior que o total investido durante todo o ano de 2009. Até dezembro, o montante deve chegar a R$ 75 bilhões. Cerca de 22% desses recursos são referentes ao setor de mineração, de acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais, Sérgio Barroso. Segundo Barroso, R$ 27 bilhões em investimentos ainda estão em fase de conclusão, com protocolos já assinados. Esses recursos serão aplicados, principalmente, em empreendimentos das áreas de energia, siderurgia e agronegócios.
Entre eles, Barroso destaca o início da exploração, pela Fosfértil, de mina de fosfato no município de Patrocínio, região do Alto Paranaíba. O volume de recursos a serem investidos nesse projeto gira em torno de R$ 2 bilhões. A expectativa é que sejam gerados dois mil novos empregos. Ele afirma que a previsão é que a obra seja concluída 24 meses após a assinatura do protocolo, o que deve acontecer até o próximo mês de dezembro.
;Ainda conforme Barroso, para o final de 2010 também está prevista a assinatura de documento para a construção de gasoduto de 240 km entre as cidades de São Carlos, em São Paulo, e Uberaba, no Triângulo Mineiro. A obra, que será realizada pela Cemig, vai viabilizar a instalação, pela Petrobras, de uma fábrica de amônia em Uberaba.<EM>A construção do gasoduto vai demandar investimentos da ordem de R$ 600 milhões. Já os recursos a serem aplicados na instalação da fábrica de amônia são estimados em R$ 4 bilhões.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas ressalta que a conclusão da obra deve ocorrer daqui a 36 meses, o que é um tempo considerado pequeno se levada em conta a complexidade de uma indústria desse tipo. Segundo ele, o ritmo de investimentos no Estado deve permanecer acelerado nos próximos meses.
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O Estado de Minas