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Mineradoras planejam ações de adaptação às mudanças climáticas

Notícias Gerais

05/11/2014


Empresas mineradoras olham a frente e buscam adaptação
O último mês de setembro foi considerado o mais quente registrado no planeta desde 1880. A constatação é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). As mudanças climáticas afetam a todos, inclusive o setor produtivo. Dados como os apresentados este ano pelo Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, mostram que até o fim do século, a temperatura do inverno amazônico deve subir até 6 graus e as chuvas podem reduzir até 45 milímetros. As informações fazem parte do 5º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
A Gerente de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM ? www.ibram.org.br), Cláudia Salles, acredita que atualmente, independente dos fatores que originam as alterações climáticas, elas são uma realidade. ?As empresas vêm trabalhando em formas de adaptação e ajuste a essas necessidades que virão. E aí entra a importância de diferenciar adaptação e mitigação?, ressalta.
Quando tratamos de adaptação, o objetivo é discutir as ações que as empresas executam para se comprometer com a mudança climática. ?O primeiro passo é verificar onde está a vulnerabilidade da companhia face a uma possível alteração no clima. É preciso pensar ainda em estratégias que considerem características nacionais e regionais?, ressalta Cláudia Salles. Dentro dessa estratégia, diversas medidas podem ser listadas: antever uma possível seca; tornar-se mais eficiente no uso dos recursos hídricos e, de forma geral, antecipar o problema e observá-lo como uma oportunidade de desenvolvimento de novas ações e tecnologias.
A Imerys, mineradora que atua com caulim no nordeste do Pará, já está atenta para a reutilização da água, por exemplo. Uma das bacias de contenção da planta da empresa em Barcarena estava temporariamente desativada, e a equipe de Meio Ambiente reaproveitou a água da chuva que ficou no local de forma vantajosa: ela foi direcionada para banheiros, torneiras e demais atividades. ?A ação foi tão bem sucedida que alguns estudantes universitários souberam do projeto e nos procuraram para saber mais. Estamos sempre atentos também para o quanto se extrai de água do subsolo, etc. É interessante para a empresa lidar continuamente com o meio ambiente, respeitando sempre seus limites?, explica Nilo Junque, gerente de EHS da Imerys.
?Este tipo de atitude é muito importante, porque à medida que o clima muda, o regime hídrico também se altera. As empresas que já estão cientes disso planejam suas operações levando em conta essa provável mudança na disponibilidade de água?, ressalta Luiz Gylvan Filho, Doutor em Astrogeofísica pela Universidade do Colorado.
Pesquisador titular do Instituto Tecnológico Vale (ITV), Luiz Gylvan estará em Belém para o 4º Congresso de Mineração da Amazônia promovido pelo IBRAM, entre os dias 17 e 20 de novembro. Ele ministrará a palestra magna com o tema ?Adaptação aos impactos das mudanças climáticas e os desafios para o setor mineral?. ?A ideia é resumir o estado do conhecimento científico sobre as mudanças do clima atualmente: O que sabemos hoje e como as empresas podem levar isso para os seus planejamentos a médio e longo prazo??, conta.
?Não sai caro para a empresa ter um monitoramento de emissões de GEE. Basta saber que é necessário ter uma boa estrutura e pessoas que trabalhem com a ideia de previsão. É fundamental uma equipe definida, específica, que observe os detalhes de emissão, seja qualificada para agir com eficiência e consiga prever essas possíveis vulnerabilidades?, enumera Cláudia Salles, do IBRAM.
Além da questão da água, ainda há uma série de fatores que as empresas devem levar em consideração no desenvolvimento de suas atividades. No caso de supressões vegetais, por exemplo, é fundamental que haja um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). ?Na medida em que se diminuem as árvores de uma determinada região, é preciso recuperar seguindo as recomendações dos órgãos ambientais. Na Imerys observamos viveiros, mantemos acordos com a comunidade para a plantação de mudas, recuperação de fauna e flora, entre outras ações. Para isso, temos uma equipe de engenheiros florestais focados nesse aspecto que é a recuperação e restituição à condição original do espaço?, observa Nilo Junque, da Imerys.
Por outro lado, a mitigação engloba as ações que buscam diminuir a quantidade das emissões dos chamados gases de efeito estufa. O pesquisador Luiz Gylvan Filho explica ainda que ?a mudança de tecnologia das empresas pode controlar ou limitar a emissão desses gases?.
De acordo com o Carbon Disclosure Project (COP), Organização Não Governamental (ONG) britânica que trabalha para minimnizar as mudanças climáticas e proteger os recursos naturais, cada vez mais investidores e sociedade de maneira geral cobram das empresas uma posição proativa no que diz respeito a mudanças climáticas.
A ONG lançou, em 2013, o relatório CDP Brasil 100, com dados e análises sobre a emissão de Gases de Efeito Estufa e sobre a forma com que as mudanças climáticas vêm sendo tratadas em 51 empresas brasileiras que responderam ao questionário. A Vale S.A. ficou em segundo lugar na lista das empresas líderes em Transparência e Desempenho frente às alterações climáticas.
O relatório mostra ainda que as empresas brasileiras entendem como a maioria dos riscos relacionados às mudanças do clima afeta seus negócios. Os dados mostram que todas as iniciativas de redução de emissões reportadas pelas empresas constituiu um montante superior a R$ 6 bilhões em 2012.
O relatório também apontou que 55% das empresas que responderam possuem metas de redução de emissões. Para a Imerys, o assunto também já é pauta. ?Nós temos um monitoramento ambiental que é justamente para avaliar se estamos emitindo dentro dos padrões permitidos. A última avaliação feita foi em outubro e fazemos sempre pensando a longo prazo?, explica Nilo Junque, Gerente de EHS da Imerys.
O assunto será amplamente debatido no 4º Congresso de Mineração da Amazônia O evento, que faz parte da EXPOSIBRAM Amazônia 2014, maior feira de mineração da Região Norte, está com as inscrições abertas pelo site www.exposibramamazonia.org.br.
Serviço:
EXPOSIBRAM Amazônia 2014
17 a 20 de novembro.
Horários:
Abertura Oficial: 17/11, às 17h.
Exposição Internacional de Mineração da Amazônia: 17, 18, 19 e 20/11, das 16h às 22h.
4º Congresso de Mineração da Amazônia: 18, 19 e 20/11, das 14h às 17h30.
Público-alvo: profissionais, técnicos e estudantes, do setor público e privado, principalmente da Amazônia.
Local: Hangar Centro de Convenções & Feiras da Amazônia ? Belém (Pará)
Inscrições pelo site: www.exposibramamazonia.org.br

IBRAM – Temple


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