Mineradoras investem em inovação para driblar custos
26/12/2012
Jazidas mais profundas e distantes e a questão ambiental são os principais desafios
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Jazidas minerais cada vez mais profundas e em locais de difícil acesso, somadas à busca por mão de obra especializada são apenas alguns dos desafios enfrentados pelas mineradoras nos últimos anos.
Para manter a rentabilidade dos projetos em meio à instabilidades cambiais e desafios operacionais, investir em inovação e consequentemente em tecnologia é essencial. ?Só se avança na exploração mineral, especialmente em áreas remotas, quando se equilibra inovação com redução de custos?, explica Luiz Mello, diretor-presidente do instituto tecnológico da Vale.
A companhia, que está entre as maiores mineradoras do mundo e processou 322,6 milhões de toneladas de minério de ferro em 2011, neste ano investiu R$ 1,7 bilhão em pesquisa e desenvolvimento de processos e tecnologias voltadas para o trabalho de exploração mineral. Um dos exemplo citados por Mello está no projeto S11D,considerado o maior da história da Vale em minério de ferro, com capacidade de produzir 90 milhões de toneladas por ano.
O S11D funciona como uma extensão de Carajás, no Pará.Ali, a companhia decidiu experimentar um novo sistema de transporte do minério e substituiu os pesados caminhões por esteiras rolantes. ?O custo de instalação é maior, já o operacional é mais baixo, tem sido uma ótima experiência?, diz Mello.
Para o professor Peter Grossman, especialista em tecnologia para mineração e docente da Universidade de Melbourne, na Austrália, nas últimas décadas,a maior; disponibilidade de softwares e outras ferramentas para planejamento de operações nas minas, ?tem mudado a maneira com que as empresas fazem a exploração mineral?.
Na Anglo-American, mineradora de origem britânica, desde 2010 funciona um projeto piloto na região de Conceição do Mato Dentro, que é parte do Complexo Minas-Rio, o maior empreendimento da companhia no mundo, com capacidade, na primeira etapa, para captar 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro. Ali, a empresa construiu um galpão de testemunhos de sondagem, onde são avaliadas, armazenadas e pesquisadas as amostras de rochas captadas . ?Com isso evitamos o manuseio e transporte dos testemunhos, o que reduz custos e causa menos impactos?, explica Sérgio Botelho, Gerente Geral de Geologia, Planejamento e Processos da Unidade de Minério de Ferro Brasil da Anglo American.
Segundo o executivo, a prática permite conhecer melhor o depósito mineral e os processos que vão ocorrer em escala industrial quando o projeto entrar emoperação. ?Também podemos obter informações sobre o desempenho dos equipamentos, consumo e seleção de reagentes e de energia?, diz.
A questão ambiental é outro ponto onde as empresas buscam inovar. Na Anglo-American, segundo Botelho, há preocupação especial em priorizar a exploração em áreas onde já há intervenção humana. ?Além disso com pesquisa, reduzimos a necessidade de abertura de acessos e áreas de sondagem.?
Na Vale, o menor uso de caminhões e o uso dos navios Valemax, que emitem 35% menos CO2 por tonelada transportada, reduzem o impacto ambiental. A companhia também desenvolveu um sistema que reduz o consumo de água no peneiramento do minério.
Na opinião da professora Doreen Thomas, especialista em mineração da Universidade de Melbourne, investir em inovação é essencial não só para reduzir o impacto ambiental, mas para melhor a competitividade. Ela cita os benefícios que tem verificado junto às empresas com o uso de softwares, desenvolvidos para desenhar planosde minas sob condições diferentes. ?São ferramentas que agregam valor ao trabalho e melhoram a eficácia?, diz.
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Brasil Econômico