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Mineração: Especialista aconselha manter regras estáveis para não afugentar investimentos

Notícias Gerais

28/09/2011


No ambiente de repique da crise financeira internacional, os investidores globais estão mais avessos a assumir riscos, inclusive em projetos de mineração. Esta aversão só tende a aumentar quanto mais os países mineradores ? especialmente os em desenvolvimento, como o Brasil ? sinalizarem que há risco de mudanças imprevistas nas regras econômicas e políticas.
O alerta foi feito por Philip Hopwood, Líder Global de Mineração da Deloitte Touche Tohmatsu Limited (Reino Unido), na sessão plenária ?O presente e o futuro do negócio mineral?, que abriu o segundo dia do 14º Congresso Brasileiro de Mineração. O evento acontecerá até 29/09 no Expominas, em Belo Horizonte(MG), organizado pelo IBRAM ? Instituto Brasileiro de Mineração. ?Na Austrália, as pessoas estão poupando em vez de investir, o que é ruim para o mercado de capitais (que financia os projetos minerais)…na África do Sul, onde há reservas de vários minérios importantes, os investimentos em mineração estão sendo reduzidos em razão do clima de incerteza quanto aos impostos cobrados, às intenções de nacionalização dos recursos minerais (como na Venezuela). As companhias ou estão adiando investimentos na África do Sul ou simplesmente mudando este foco para outros países?, disse.
No Brasil, o governo prepara projetos de lei que alteram o Código Mineral e podem resultar em elevação de encargos e tributos para as mineradoras.
Hopwood comentou situação semelhante na Austrália. ?O mundo está cada vez mais dotado de instrumentos regulatórios da atividade produtiva. A mineração precisa de certezas para atuar. O royalty na Austrália, por exemplo, não representa um custo financeiro significativo para as empresas, em minha opinião, se compararmos à real necessidade que essas mineradoras têm de ter certeza da validade do marco regulatório, e não incerteza quanto a ele, porque isso tornaria os investimentos, em muitos casos, inviáveis?.
Apesar da aversão a assumir riscos, os investidores têm pela frente grandes desafios, qual sejam, minerar em países em que há volatilidade de situação econômica e política, como Afeganistão (cobre e ouro), Mongólia (cobre) e países africanos (vários minérios, como ferro).
Hopwood também enfatizou que a falta de mão de obra especializada é problema crônico mundial da mineração, ?uma barreira ao seu desenvolvimento?, e que a reposição de profissionais que interessam ao setor, no mercado de trabalho, é insuficiente.
?Há grande dificuldade em atrair os jovens para as profissões graduadas, as quais a mineração necessita (como engenheiros), porque buscam outros ramos. Isso torna a operação dos projetos minerais mais cara, em termos de salários e encargos. Há exemplos interessantes: um motorista de caminhão de uma mina na Austrália ganha US$ 150 mil ao ano; um cozinheiro em plataforma de petróleo ganha US$ 450 mil ao ano. São valores elevados. Bem mais do que é pago a professores, profissionais liberais etc. (que se dedicaram e investiram em formação educacional)?.
A tecnologia, a inovação e a capacitação de pessoal têm sido as saídas para as mineradoras ?e isso será cada vez mais importante no dia a dia das empresas?, disse. Somente com tecnologia é possível estabelecer um bom padrão de competitividade diante das adversidades, inclusive meteorológicas, citou Howood: ?Na Austrália há minas em regiões em que a temperatura atinge menos 40º e em outras em que a temperatura chega a 45º positivos?.
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IBRAM


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