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Mineração e o relato da sustentabilidade

Notícias Gerais

30/09/2011


Imagine que, do dia para a noite, você é obrigado a conhecer a fundo uma empresa ? desde seu desempenho econômico até suas estratégias de expansão, passando por programas sociais e compromissos ambientais assumidos. Certamente, o caminho mais fácil e confiável é ler seu relatório mais recente.
A prática de comunicar resultados e sinalizar sua posição no mercado e na sociedade pode não ser grande novidade no mundo corporativo, mas também não se pode falar em uma tradição secular de relato da sustentabilidade. Foi na virada da década de 1990, com o surgimento das diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), que o processo foi padronizado segundo critérios internacionais. Quem o segue, independentemente da natureza do negócio, sabe estar alinhado a uma preocupação de equilibrar desenvolvimento e conservação ambiental por meio de processos responsáveis de gestão e prestação de contas.
Adotar o documento como padrão para a construção do relato significa torná-lo transparente, equilibrado e capaz de fornecer um raio x completo das companhias, mensurando seus impactos sociais, ambientais e econômicos sobre o mundo. Para atender às diretrizes GRI, deve-se responder e aderir a uma série de indicadores e princípios. De um lado, os dados de desempenho financeiro apontam a saúde do negócio no curto prazo; de outro, a estratégia e as políticas de sustentabilidade fornecem uma visão mais ampla de onde ? e como ? a empresa quer chegar.
O processo de relato GRI visa ao aprimoramento da gestão socioambiental ? propõe um olhar para si crítico e capaz de promover a evolução interna. E isso é tão comum quanto surpreendente: muitas empresas revisam metas e repensam estratégias aparentemente imutáveis durante o processo de relato. Daí o erro em considerar relatórios peças de comunicação; são, na realidade, um poderoso instrumento de gestão e precisam ser divulgados, lidos e interpretados assim.
Os desafios para definir um padrão global de relato são muitos. Dada a dinâmica do mercado, o documento da GRI, que está na sua terceira geração, está em constante revisão para incluir indicadores e questões pertinentes. Outra dificuldade, nesse sentido, é tornar o documento capaz de atender à diversidade de temas que são pertinentes a cada negócio.
A tentativa de abraçar cada vez mais setores, com um nível de especialização crescente, resultou na criação dos chamados suplementos setoriais ? documentos complementares às diretrizes GRI que trazem novos indicadores e propostas de abordagem que complementam o relato de acordo com a natureza e as necessidades de cada setor.
É o caso do setor de mineração e metais, que, desde 2010, tem um suplemento s etorial específico. Este documento, cuja elaboração foi coordenada globalmente pelo Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), acaba de ganhar uma versão em português, lançada no 14º Congresso Brasileiro de Mineração, em Belo Horizonte ? o que certamente deve gerar mais adesões ao padrão GRI entre as companhias do setor no Brasil.
É certo que a participação das empresas brasileiras no relato da sustentabilidade, embora com muito potencial de crescimento, tem se tornado cada vez mais expressiva: hoje, corresponde a cerca de 7% da produção global de relatórios reconhecida pela GRI. De 2009 para 2010, o aumento no volume de documentos lançados no Brasil foi de 68% ? maior do mundo nesse período. Percebe-se que, em um país cuja marca registrada é a abundância de seus recursos naturais e o cenário econômico positivo, a preocupação com a perenidade e o desenvolvimento responsável só tende a crescer.

Estado de Minas


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