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Mineração deve ser parceira do desenvolvimento da América Latina, defende IBRAM no ELAMI

Notícias Gerais

05/03/2021


O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Flávio Ottoni Penido, disse hoje em seu discurso no encerramento do Encuentro Latinoamericano de Minería (ELAMI) que “a mineração representa um instrumento estratégico para as nações planejarem seu desenvolvimento socioeconômico no longo prazo; é um parceiro importante nesse sentido”. Ele lembrou ainda que “organizações da importância do Banco Mundial e do PNUD, entre outras, reconhecem pública e mundialmente que a mineração é um dos setores fundamentais para o cumprimento de boa parte dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em países, como os nossos, da América Latina”.

Mineração deve ser parceira do desenvolvimento da América Latina, defende IBRAM no ELAMI
Flávio Penido, diretor-presidente do IBRAM participa do ELAMI – crédito: divulgação

A fala de Flávio Penido recebeu a concordância de Natascha Nunes da Cunha, especialista sênior do setor extrativo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ela moderou um painel com dirigentes de organizações empresariais de mineração da América Latina. Participaram, além de Flávio Penido, Joaquín Villarino, presidente executivo do Conselho de Mineração do Chile; Luciano Berenstein, diretor executivo da Câmara Argentina de Empresários Mineiros; Maria Eulalia Silva, presidente executiva da Câmara Mineira do Equador; Alfredo Burgos, presidente da Câmara Mineira do Panamá; Pablo de la Flor, diretor executivo da Sociedade Nacional de Mineração, Petróleo e Energia do Peru; Juan Camilo Nariño presidente da Associação Colombiana de Mineração, anfitrião do evento, transmitido online.

O presidente do IBRAM afirmou ainda que os países latinos, em especial, devem procurar alinhar ainda mais as políticas de mineração com planos nacionais de desenvolvimento e envolver de forma mais sistemática a indústria mineral, comunidades locais e governos – inclusive estaduais e municipais – para estimular investimentos para o desenvolvimento sustentável.

Além disso, o representante do empresariado brasileiro no ELAMI disse que “a mineração deve ser explicada ao grande público até ser compreendida como uma solução, ou parceira estratégica para desenvolver soluções globais e locais a desafios imensos que geram repercussões, lamentavelmente, algumas negativas, como está sendo o caso da pandemia do novo coronavírus”.

Dirigentes assinam Declaração conjunta em prol da mineração

O IBRAM foi um dos apoiadores desta primeira edição do ELAMI. No início do painel, os dirigentes empresariais anunciaram uma Declaração conjunta das organizações de empresas de mineração ao final da primeira reunião de mineração da América Latina Acesse aqui.

Mineração é estratégico para recuperação da atividade econômica na América Latina

Assim como Flávio Penido, do IBRAM, os representantes da mineração empresarial dos demais países também afirmaram que a indústria da mineração já está sendo um dos principais responsáveis pela recuperação econômica, após o período mais grave de estagnação econômica provocada, em grande parte, pela pandemia.

No Chile, disse Joaquín Villarino, o setor mineral investiu US$ 100 milhões para importar equipamentos hospitalares, e agora está ajudando no processo de vacinação.  O setor mineral chileno está firmando “parcerias com o setor público e comunidades para atuar em cooperação, e isso é bom para a recuperação econômica, especialmente após a paralisação de atividades”, disse. A mineração naquele país é responsável por 50% das exportações e por 50% dos investimentos estrangeiros.

Juan Camilo Nariño, presidente da Associação Colombiana de Mineração – crédito divulgação

Juan Camilo, da Colômbia, disse que a mineração local é imprescindível para promover a recuperação econômica e perspectivas de desenvolvimento sustentável. Disse ainda que o setor busca “uma operação industrial que gere um maior e melhor diálogo social e ambiental com a população. Que a mineração se torne não um gerador de conflitos, mas sim um fator de entendimento nas comunidades onde opera”.

Maria Eulalia, do Equador, disse que mesmo com a pandemia, a mineração local registrou “o melhor desempenho em 2020 entre outras atividades econômicas”. Ela foi determinante para amenizar uma das maiores preocupações do país, que é a geração de empregos “O setor mineral é chave de reativação da economia equatoriana”, afirmou. Segundo ela, a mineração se destacou também na exportação, com movimentação de US$ 1 bilhão, o que é quatro vezes mais do que o resultado de 2018.

No Peru, a mineração responde por cerca de 10% do PIB, por 60% do total de exportações e por 50% do fluxo de investimentos privados, relatou Pablo de la Flor. O setor contribui para a geração de 1,8 milhão de trabalhos formais no país. “É um motor fundamental e dinâmico para a economia do Peru”, afirmou, ressaltando que a mineração já apresenta grandes contribuições para a reativação econômica peruana, após períodos de paralisia das atividades em razão da pandemia.

No Panamá, a mineração em escala industrial está no início, disse Alfredo Burgos. Em 2019 passou a operar uma mina de cobre e ela já muda o panorama da base econômica daquele país.  “O investimento nessa mina de cobre é o maior na história do país, US$ 6,7 bilhões. Um valor maior do que o investido na expansão do Canal do Panamá, US$ 5 bilhões”, comparou.

A mineração já é o setor que mais exporta, respondendo por 62% das exportações totais. “Quando a mina estiver operando com total capacidade esse percentual vai aumentar para cerca de 80% das exportações totais”, disse.

O Panamá vai expandir a atividade minerária e quer transformar os benefícios advindos da mineração sustentável em estímulos para o desenvolvimento socioeconômico do país, disse Burgos. “Temos projetos minerários de ouro para entrar em produção em dois anos e o setor mineração poderá contribuir com 7% a 10% do PIB do país. Este será um impacto excepcional para nosso país”, afirmou.

Na Argentina, a mineração também foi considerada “um motor para a economia”, segundo Luciano Berenstein, e, por isso, os esforços naquele país devem se voltar para impulsionar investimentos no setor, já que a Argentina “tem bom potencial geológico. E isso é muito importante para a recuperação no pós-pandemia”. Segundo o dirigente, o país está investindo em novos projetos de cobre e lítio com bom potencial, entre outros.

No Brasil, o setor mineral tomou diversas providências para apoiar a sociedade a prevenir e a combater a propagação do vírus. Em valores, o setor doou cerca de R$ 1 bilhão contra a pandemia e a favor dos brasileiros. Em 2020, a mineração do Brasil elevou seu faturamento em 36% (R$ 209 bilhões), seu recolhimento de tributos também em 36% (R$ 72 bilhões) e foi decisivo para manter o saldo da balança comercial do país equilibrado: o saldo mineral contribuiu com 64% do saldo Brasil em 2020; em 2019 o percentual era menor do que 52%. Em termos de investimentos, a mineração brasileira vai atrair US$ 38 bilhões de investimentos até 2024.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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