NOTÍCIAS

Mineração ganha protagonismo em debate sobre soberania energética do Brasil

19/05/2026


O IBRAM participou de painel promovido pelo Grupo Globo e por Valor Econômico sobre minerais críticos, transição energética e os desafios geopolíticos globais. 

Em meio ao avanço dos conflitos no Oriente Médio e ao aumento das disputas geopolíticas por recursos estratégicos, a soberania energética esteve no centro das discussões do debate “Energia e soberania: a posição do Brasil”, promovido nesta terça-feira (19/5) pelo Grupo Globo e pelo Valor Econômico. O encontro reuniu especialistas e executivos para debater minerais críticos, estratégia industrial e o papel do Brasil na reorganização das cadeias globais de valor.

Representando o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), a gerente de Assuntos Minerários, Aline Nunes, participou do painel “Minerais críticos, tecnologia e novas dependências globais”. O debate contou ainda com a participação de José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e de Rafaela Guedes, CEO da RG Impact e senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais. A mediação foi conduzida pelo jornalista Rafael Rosas.

Mineração ganha protagonismo em debate sobre soberania energética do Brasil
Debate “Energia e soberania: a posição do Brasil” – crédito: divulgação

Minerais críticos e oportunidade para o Brasil

Em sua fala, Aline destacou que o atual contexto geopolítico cria uma “grande oportunidade” para o Brasil, especialmente diante da crescente demanda global por minerais críticos e estratégicos necessários para viabilizar a transição energética e o avanço das novas tecnologias.

Segundo a gerente do IBRAM, a discussão vai além da mineração e envolve “um novo modo de viver e produzir”, marcado pela busca por fontes de energia mais limpas e menos emissoras. Ela ressaltou que os recursos minerais são essenciais para que a sociedade consiga atingir metas de redução de emissões e ampliar o uso de tecnologias ligadas à energia solar, energia eólica e à própria economia digital.

Transição energética e dependência de minerais

“Sem os recursos minerais, a gente não vai conseguir fazer essa transição”, afirmou. Aline Nunes lembrou ainda que o mundo vive um momento de transformação, em que a demanda por infraestrutura, siderurgia, urbanização e tecnologias digitais cresce ao mesmo tempo que países buscam reduzir emissões e enfrentar desafios sociais e ambientais.

Aline também destacou que o Brasil reúne características estratégicas para ocupar posição de destaque nesse cenário global. Entre os diferenciais citados estão a tradição minerária do país, o conhecimento técnico acumulado, os avanços socioambientais, a qualificação de profissionais das áreas de geologia e engenharia e a diversidade geológica brasileira. “O Brasil se posiciona muito bem com esse ecossistema de conhecimento, além dos nossos recursos, das nossas reservas e das dimensões continentais”, afirmou.

Ela destacou ainda que muitos países dependem do fornecimento externo desses materiais por não possuírem reservas suficientes, enquanto o Brasil possui diversidade mineral capaz de atender à crescente demanda global por minerais críticos.

Os participantes também debateram caminhos para ampliar a competitividade do país nesse mercado, incluindo mecanismos de financiamento, segurança regulatória, atração de investimentos e o posicionamento brasileiro diante da disputa entre Estados Unidos e China pela liderança global na cadeia de minerais críticos. Outro ponto discutido foi o impacto do projeto de lei aprovado pela Câmara relacionado ao setor mineral e seus possíveis reflexos sobre investimentos, inovação e desenvolvimento da cadeia produtiva nacional.


Compartilhe:

Assine nossa newsletter e fique por dentro das últimas notícias do setor INSCREVER