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Mineração debate como construir reputação e confiança para além da comunicação na EXPOSIBRAM 2026

26/08/2026


Painel “Por que queremos tanto ser pop?” reuniu especialistas para discutir os limites da comunicação institucional e os caminhos para ampliar a legitimidade social do setor mineral.

A EXPOSIBRAM 2026 abriu espaço para promover uma reflexão crítica sobre a construção da reputação do setor mineral, no painel “Por que queremos tanto ser pop?”. A discussão, realizada nesta terça-feira (25), aconteceu em torno de uma análise para além do tradicional paralelo com o êxito publicitário e institucional alcançado pelo agronegócio, colocando em perspectiva os caminhos possíveis para aproximar a mineração da sociedade.

Ao ampliar o debate para questões que extrapolam a atividade de extração mineral e alcançam a percepção da sociedade nos territórios onde as empresas atuam, a mesa trouxe à tona um tema sensível para a indústria, que é a construção de uma imagem socialmente reconhecida e legitimada. Sob a moderação do diretor de Comunicação e Projetos do IBRAM, Paulo Henrique Leal Soares, o painel questionou a premissa de que o reconhecimento social pode ser conquistado exclusivamente por meio de estratégias de comunicação.

A discussão evidenciou, assim, a necessidade de o setor compreender reputação como um processo mais amplo, relacionado à forma como a mineração se posiciona, dialoga e estabelece relações com a sociedade.

O painel reuniu, ainda, a diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Anglo American, Ana Cunha; o Global Chief Advisory Officer da RepTrak, Marcus Vinicius Campos Dias; o gerente de Comunicação da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Paulo Zappa Neto; e o Head do Globo Rural, Cassiano Ribeiro. A partir de diferentes perspectivas, os participantes analisaram os limites das campanhas institucionais na construção da imagem do setor e ressaltaram que a legitimidade social da mineração não se sustenta apenas em estratégias de comunicação, mas requer resultados concretos, responsabilidade nos territórios onde atua e relações pautadas pelo diálogo transparente com a sociedade.

Mineração debate como construir reputação e confiança para além da comunicação na EXPOSIBRAM 2026
Painel “Por que queremos tanto ser pop? – crédito: divulgação

A discussão também convergiu para a compreensão de que reputação é resultado de uma construção contínua, diretamente associada à coerência entre discurso e prática.

A comparação com o agronegócio constituiu um dos principais eixos do debate. Para o gerente de Comunicação da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Paulo Zappa Neto, a popularidade alcançada pelo setor não pode ser atribuída exclusivamente a uma estratégia de comunicação ou de marketing. Em sua avaliação, trata-se de uma consequência de um processo contínuo de relacionamento com a sociedade.

Segundo Zappa, a presença do agronegócio no cotidiano da população, aliada à capacidade de traduzir a complexidade do setor por meio de histórias, personagens e experiências concretas, contribuiu decisivamente para estreitar sua relação com o público. Nesse contexto, a comunicação teria desempenhado menos o papel de criar uma imagem e mais o de conferir visibilidade e significado a uma realidade que já vinha se transformando.

O Head do Globo Rural, Cassiano Ribeiro, também ressaltou que a maior visibilidade conquistada pelo agronegócio não pode ser atribuída exclusivamente à comunicação. Em sua avaliação, as campanhas publicitárias foram um reflexo das transformações que já estavam em curso no campo e na própria estrutura do setor.

Ribeiro apontou, contudo, uma diferença relevante entre o agronegócio e a mineração: o acesso aos espaços onde a atividade produtiva efetivamente acontece. Segundo ele, o agronegócio passou a abrir suas propriedades à imprensa, inclusive a jornalistas e veículos que fazem críticas ao setor, ampliando as possibilidades de aproximação e conhecimento da realidade do campo. Na mineração, essa abertura e esse diálogo ainda precisam avançar.

“No caso da mineração, talvez falte, antes de ser pop, essa legitimidade, essa ação para sair da invisibilidade, de mostrar quem é e o que é a mineração”, avaliou. Na perspectiva do jornalista, ampliar o acesso da sociedade às operações e aos territórios onde a atividade ocorre pode contribuir para tornar mais compreensível uma indústria que, embora esteja presente em uma ampla variedade de produtos, tecnologias e atividades cotidianas, ainda permanece distante do imaginário de grande parte da população.

A discussão sobre reputação foi aprofundada pelo Global Chief Advisory Officer da RepTrak, Marcus Vinicius Campos Dias. Segundo o executivo, reputação não deve ser confundida com publicidade, comunicação ou imagem, uma vez que se trata de uma construção gradual, resultante das percepções que diferentes públicos desenvolvem, ao longo do tempo, a respeito de uma empresa ou de um setor.

“Reputação não é comunicação. Reputação não é imagem. Reputação não é publicidade”, ponderou Dias. Em sua avaliação, uma reputação consistente é construída a partir de atributos que transcendem o discurso institucional, entre eles a confiança, a admiração e o respeito conquistados junto à sociedade. Para ele, esses elementos são consequência da experiência concreta que os diferentes públicos têm com as organizações e da coerência entre aquilo que elas comunicam e aquilo que efetivamente entregam.

Marcus Vinicius também defendeu a necessidade de a mineração ampliar e qualificar o diálogo com a sociedade, inclusive no enfrentamento de temas sensíveis ou controversos. Em sua avaliação, a transparência deve ser compreendida não apenas como um princípio de comunicação, mas como um instrumento capaz de promover aproximação, confiança e transformação nas relações entre o setor e seus diferentes públicos. “Como que a gente abre mais diálogo? Abre a conversa para os temas difíceis”, afirmou.

Para o executivo, ampliar o conhecimento da sociedade sobre a atividade mineral e seus impactos pode contribuir para fortalecer a percepção de valor do setor e, consequentemente, sua legitimidade social para operar. Esse processo, no entanto, exige constância e disposição genuína para o diálogo, não podendo ser mobilizado apenas em situações de crise ou diante de episódios que comprometam a imagem das empresas. A reputação, nesse sentido, é construída cotidianamente, a partir da coerência entre práticas, posicionamentos e compromissos assumidos publicamente.

A diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Anglo American, Ana Cunha, reforçou que o principal desafio da mineração está menos na capacidade de comunicar e mais na necessidade de aprimorar, de forma consistente, a própria atuação. Ao ser questionada sobre os fatores que explicam as diferenças na percepção social entre o agronegócio e a mineração, foi categórica: “Primeiro, eu acho que falta ação, mais do que comunicação.”

Na avaliação de Ana, a comunicação só alcança legitimidade quando está ancorada em práticas concretas e resultados efetivos. “É impossível transformar algo que eu ainda não pratico com excelência em uma comunicação de excelência”, afirmou. Para a executiva, o setor precisa reconhecer, com transparência, os aspectos de sua atuação que ainda demandam aperfeiçoamento. Somente a partir dessa evolução será possível construir uma narrativa mais consistente, capaz de estabelecer identificação, confiança e credibilidade junto à sociedade.

O debate também evidenciou a importância da relação entre mineração, imprensa e transparência. Cassiano Ribeiro defendeu que o setor estabeleça uma relação mais aberta e permanente com os jornalistas, sem restringir o acesso da imprensa a momentos favoráveis ou a situações em que predominem notícias positivas. Em sua avaliação, a disposição para responder a questionamentos difíceis é parte essencial do exercício jornalístico e, sobretudo, da construção de relações pautadas pela credibilidade e pela confiança.

Ao concluir o painel, o diretor de Comunicação e Projetos do IBRAM, Paulo Henrique Leal Soares, sintetizou o principal desafio colocado à mineração ao longo da discussão. “A comunicação até pode abrir uma conversa, mas é a realidade que determina se essa conversa vai continuar”, afirmou.

A síntese reforça a ideia central que permeou o debate, ou seja, para conquistar maior reconhecimento social, a mineração precisará ir além da construção de narrativas e concentrar esforços naquilo que sustenta uma reputação duradoura, a coerência entre discurso e prática, a transparência nas relações e a capacidade de produzir resultados reconhecidos pela sociedade.

A discussão evidenciou, portanto, que o propósito de tornar a mineração “pop” não pode ser reduzido à criação de campanhas capazes de ampliar sua visibilidade ou popularidade. Para os participantes, a construção de uma reputação sólida e socialmente legítima exige um compromisso que ultrapassa a comunicação institucional; pressupõe abertura permanente ao diálogo, transparência, disposição para acolher críticas e enfrentar temas sensíveis e a capacidade de traduzir o discurso em resultados concretos nos territórios onde a atividade mineral está presente.

Nesse sentido, mais do que buscar popularidade, o desafio colocado ao setor é construir confiança. Uma reputação consistente, conforme evidenciado ao longo do debate, nasce da coerência entre o que a mineração comunica, aquilo que efetivamente pratica e a percepção que consegue construir junto à sociedade.

Patrocínios e apoios da EXPOSIBRAM 2026

A EXPOSIBRAM 2026 conta com o patrocínio de importantes empresas e instituições dos setores mineral, industrial e de tecnologia. Na categoria Master, o evento tem como patrocinadora a BHP e a Vale. Na categoria Diamante, participam Aeolus e Ero Copper. Entre os patrocinadores Platina estão Anglo American Brasil, BVP, CMOC Brasil Mineração, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE), Compañía Electro Metalúrgica S.A., Huawei do Brasil, Loctite, Lundin Mining, Norsk Hydro e Taboca. Na categoria Ouro, figuram AngloGold Ashanti, Kinross Brasil e Nexa Resources. Entre os patrocinadores Prata, estão ArcelorMittal Brasil, Geosol e Mineração Usiminas. Na categoria Bronze, apoiam o evento Accenture, Alcoa, Appian Capital Brazil (Atlantic Nickel), Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Del Rey Minerals, Dinâmica, DXC Technology, Hatch, Hexagon Mining, Mosaic Fertilizantes, Pirobras, Samarco e St George Brasil.

A EXPOSIBRAM 2026 também conta com amplo apoio institucional de entidades como Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), ABIAPE, Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER), ABIMAQ, ABIMEX, ABM (Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACE Energia), Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (ABRATE), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral (ABREMI), Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Agência para o Desenvolvimento da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB), Amcham Brasil, Agência Nacional de Mineração (ANM), APEMI, CAEMG, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO), Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), International Geosynthetic Society (IGS), Movimento pela Inovação na Mineração e Desenvolvimento (MINDE), Mining Hub Brasil (Mining Hub), OAB SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo), Organismo Latino-Americano de Mineração (OLAMI), RMMG, Sociedade Brasileira de Geofísica (SBGf), Serviço Geológico do Brasil (SGB), SGB Núcleo Bahia-Sergipe, Sindicato das Indústrias Minerárias do Estado do Pará (SIMINERAL), Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado de Minas Gerais (SINAEES-MG), Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (SINDIEXTRA), Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Estado do Espírito Santo (SINDIROCHAS) e Women in Mining Brasil (WIM Brasil).

No apoio editorial, participam veículos especializados como 2A+ Mineração, BNews, Brasil Mineral, Cidades e Minerais, CKS Online, Climatempo, Conexão Mineral, EAE Máquinas, In The Mine, Minera Minas, Mineração & Sustentabilidade, Minérios & Minerales, Notícias de Mineração Brasil, Podcast da Mineração, Por Dentro de Minas, Radar Mineração, Revista Amazônia, Revista Areia & Brita, Revista M&T, Revista Novo Solo e The Mining.

Serviço:

EXPOSIBRAM 2026
Data: 24 a 27 de agosto de 2026
Local: EXPOMINAS – Belo Horizonte – MG
Mais informações em https://exposibram2026.ibram.org.br/


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