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Mineração aumenta os investimentos

Notícias Gerais

29/03/2011


As mineradoras, que divulgaram lucro recorde de mais de US$ 50 bilhões em 2010, estão direcionando seus recursos para expandir a oferta de matérias-primas importantes. Mas essa expansão não deve ser suficiente para atender à forte demanda e coibir a alta das commodities.
Empresas como a BHP Billiton, a Rio Tinto PLC e a Vale SA estão aumentando as despesas de capital, mas têm batido de frente com vários obstáculos, que diminuem a capacidade delas de aumentar sensivelmente a produção de ferro, carvão e cobre. O resultado é que as cotações dessas commodities devem continuar altas, com previsão de que algumas subam ainda mais nos próximos dois anos. A cotação do carvão já subiu 32% nos últimos seis meses.
Um obstáculo que molda ? e limita ? as opções de investimento é a onda de nacionalismo em vários países, que já anunciaram intenção de impor altos impostos ou interferência do governo nos negócios.
Roger Agnelli, o diretor-presidente da Vale, que gerou US$ 26,12 bilhões em caixa operacional em 2010, está sendo pressionado para sair por autoridades que querem que a mineradora invista mais no Brasil. O governo gostaria que mais siderúrgicas usassem o minério de ferro e o carvão para produzir aço no país, em vez apenas exportar essas matérias-primas.
O diretor-presidente da Rio Tinto, Tom Albanese, diz que as mineradoras têm recursos, mas o desenvolvimento ou expansão de novas minas é atrapalhado por atrasos na concessão de licenças, custos crescentes de mão de obra e maquinário e limitação na disponibilidade de portos e ferrovias. As empresas já desenvolveram as jazidas mais acessíveis e agora precisam cavar cada vez mais fundo, o que encarece os projetos. Elas também são obrigadas a extrair e refinar mais toneladas de material, porque as reservas disponíveis podem não ser tão puras.
“Mesmo quando encontramos novas jazidas e nossos engenheiros estão prontos para agir, descobrimos que está demorando mais do que há 10 ou 20 anos para conseguir levar isso ao mercado”, disse Albanese semana passada a investidores de Hong Kong. “Cinco anos atrás era difícil analisar um projeto sem ter que gastar pelo menos US$ 500 milhões. Hoje em dia eu digo que é difícil analisar um projeto sem ter que gastar uns US$ 2 bilhões ou US$ 3 bilhões.”
A Rio Tinto, que divulgou lucro recorde de US$ 14 bilhões em 2010 e gerou US$ 23,5 bilhões em caixa operacional, aumentou o orçamento para despesas de capital este ano para US$ 13 bilhões, ante os US$ 11 bilhões previstos no fim do ano passado. Guy Elliott, diretor-financeiro da Rio Tinto, diz que a mineradora vai se concentrar em pequenas e médias aquisições na faixa de “um dígito” de bilhão de dólares.
A oferta de certos minérios, especialmente o cobre, deve continuar restringida. A demanda pelo cobre tem ultrapassado a oferta em cerca de 500.000 toneladas por ano, segundo analistas. A demanda por minério de ferro, usado na fabricação do aço, deve ultrapassar a oferta pelo menos nos próximos cinco anos, devido à expansão da produção das siderúrgicas chinesas.
“Não importa quanta vontade haja por aí de realizar esses novos projetos, provavelmente você estará numa posição de falta de oferta, com o cobre sendo o exemplo mais radical disso”, diz Mike Elliott, que dirige a divisão mundial de metais e mineração da consultoria Ernst & Young na Austrália. A cotação do cobre já subiu 11% desde janeiro.
Depois de passar os últimos dois anos reduzindo significativamente o endividamento, as mineradoras devem começar a aumentar os investimentos e ultrapassar os gastos do ano passado com aquisições, que chegaram a US$ 113,7 bilhões em 1.123 acordos, segundo a Ernst & Young.
A BHP tem cerca de US$ 16 bilhões em caixa à disposição e uma linha de crédito não usada de US$ 4 bilhões, segundo seus mais recentes balancetes. A empresa informa que vai gastar cerca de US$ 80 bilhões em projetos de crescimento nos próximos cinco anos.

The Wall Street Journal


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