Minas segue como maior produtor
27/07/2011
Estado receberá a maior fatia (36,5%) dos US$ 68,5 bi que o setor deve investir até 2015.
A demanda aquecida no mercado internacional e as extensas reservas mantêm Minas Gerais como o principal produtor de minério de ferro do país, respondendo por 67% de todo o insumo extraído. E o cenário deverá ser mantido nos próximos anos, já que o Estado receberá a maior fatia (36,5%) dos US$ 68,5 bilhões que o setor pretende investir no Brasil até 2015.
Caso a produção mineira acompanhe as projeções de expansão no país, a extração da commodity deverá alcançar 281,4 milhões de toneladas em 2011. No ano passado foram extraídas em Minas 247,9 milhões de toneladas, conforme o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
No Brasil, as previsões apontam para a produção de 420 milhões de toneladas no atual exercício. O volume será 13,5% superior ao verificado em 2010, quando ela totalizou 370 milhões de toneladas. Os principais produtores são Minas Gerais (67%) e o Pará (29%).
O crescimento esperado em 2011 é resultado da demanda aquecida no mercado externo, principalmente na China. Para suprir o consumo global, as mineradoras têm investido pesado para ampliar a extração de minério.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira para o Progresso da Mineração, José Mendo Mizael de Souza, o Estado ainda tem fôlego para se manter como líder na produção mineral no país. Ele lembra que os investimentos em tecnologia estão contribuindo para ampliar a vida útil das reservas, principalmente no Quadrilátero Ferrífero.
Em Itabira, por exemplo, a exploração estava perto de acabar, mas inversões de R$ 1,2 bilhão da Vale S/A no projeto Conceição-Itabiritos, que consiste no beneficiamento de material com baixo teor de ferro, irá manter as operações no município. Souza destaca também o potencial para a exploração no Norte de Minas. Apesar disso, ele afirma que é necessário atenção por parte do Estado para explorar as oportunidades na mineração.
Somente neste ano, o Ibram revisou para cima as projeções de investimentos por três vezes. Conforme o último levantamento, o Estado deverá receber aportes de US$ 25 bilhões entre 2011 e 2015 por parte da indústria extrativa. O estudo anterior apontava que eles somariam US$ 21,8 bilhões, alta de 14,6%.
No último levantamento, Minas retomou a primeira posição no ranking dos estados com maior volume de investimentos até 2015, perdida para o Pará. Os aportes no Estado correspondem a 36,5% dos US$ 68,5 bilhões no país.
Entre as inversões recém-anunciadas em Minas – e que contribuíram para elevar as projeções – está a da Vale. Em junho, a companhia anunciou o projeto de uma mina na nova fronteira minerária no Norte de Minas. Os investimentos totalizarão R$ 560 milhões para produzir 600 mil toneladas/ano de minério. O empreendimento será instalado em Serranópolis de Minas, Rio Pardo de Minas, Riacho dos Machados e Grão Mogol, todos na região Norte.
Além da Vale, a Mineração Minas-Bahia (Miba), adquirida pela Eurasian Natural Resources Corporation (ENRC), pretende investir R$ 3,6. A Sul Americana de Metais (SAM) também realizará aportes significativos, de R$ 3,1 bilhões, na exploração de minério de ferro. Com a produção em alta, o Estado também responde pela maior parte das exportações do insumo no país.
Entre janeiro e junho, os embarques mineiros somaram 60,097 milhões de toneladas, o que representa 40% das 147,4 milhões de toneladas vendidas no país no período, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A participação de Minas, no entanto, deve ser ainda maior, pois em alguns casos o minério explorado no Estado é beneficiado e contabilizado na conta de estados vizinhos.
Diário do Comércio