Minas Gerais tem trunfo para atrair Foxconn
27/02/2012
Reservas de terras-raras da região de Araxá, no Alto Paranaíba, podem abastecer indústria de telas planas
Os atrativos de Minas Gerais para abrigar empresas de alta tecnologia como a taiwanesa Foxconn passam pela mineração de terras-raras, um grupo de elementos químicos utilizados como matéria-prima para fabricação de componentes eletrônicos, carros híbridos, memórias de computador e celulares Em Araxá, no Alto Paranaíba, a canadense MbAC já anunciou que pretende explorar terras-raras e, recentemente, o empresário Eike Batista sobrevoou a região, supostamente em busca de áreas que contenham jazidas.
O subsolo de Araxá é rico em neodímio, um elemento químico que serve de insumo para a fabricação de componentes eletrônicos,; entre eles telas planas, justamente o que a Foxconn poderá fabricar na Região Metropolitana de Belo Horizonte em sociedade com a EBX de Eike.
A assessoria de imprensa do grupo EBX não confirma ou nega que a visita do homem mais rico do país a Araxá foi motivada por negócios relacionados a terras-raras. A Prefeitura de Araxá informou que Eike também não comunicou a razão da visita e que, na cidade, especulou-se que o empresário poderia estar prospectando negócios nas áreas de terras-raras e café.
O neodímio é um dos elementos de terras-raras de maior importância na economia moderna, devido ao seu amplo leque de aplicações, que vão de carros híbridos a telas planas.O neodímio também passa por um surto de valorização nos últimos anos, saindo de uma cotação de US$ 15 o quilo, em 2009, para encerrar 2011 próximo de US$ 300 pela mesma porção.
De acordo com o coordenador do Laboratório de Terras-Raras da Universidade de São Paulo (USP), Osvaldo Antônio Serra, a região de Araxá possui reservas relevantes do material, e o elemento que a MbAC vai explorar na região é o neodímio. ?O neodímio tem diversas aplicações e, entre as principais, está a fabricação de componentes de telas planas e de equipamentos como iPad e iPhone?, afirma.
A MbAC já havia confirmado a existência de terras-raras em Araxá, mas não especificou qual o elemento. A empresa vai explorar também na região o nióbio e o fosfato, que não fazem parte do conjunto de terras-raras. As pesquisas geológicas deverão estar finalizadas em março, quando a empresa pretende solicitar junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) o direito de exploração.A possibilidade de utilização do elemento em produtos fabricados pela Foxconn no Brasil vai além do eventual investimento em uma unidade de telas planas em parceria com a EBX na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A empresa possui em Santa Rita do Sapucaí uma subsidiária chamada Fênix, que é produtora de memórias para celulares, onde o neodímio também é utilizado no processo produtivo.
As terras-raras são um conjunto de 17 elementos químicos. O Brasil responde por menos de 1% da produção mundial, mas tem planos de, até 2013, participar deste mercado com uma representatividade maior.
Neste sentido, o governo vai investir em campanhas de mapeamento geológico. Estima-se que o segmento de terras-raras movimente US$ 5 bilhões anualmente. O valor deve aumentar nos próximos anos com a corrida pelos elementos de terras-raras que ocorre em todo o mundo, especialmente após a China, maior produtora, restringir a exportação.
O neodímio representa cerca de 18% dos metais do grupo terras-raras. É um metal com brilho metálico e um dos mais reativos do grupo. O neodímio escurece rapidamente no ar formando um óxido que, lascado, expõe o metal a uma oxidação adicional. À temperatura ambiente, é encontrado em estado sólido.
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