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Minas e a Vale

Notícias Gerais

26/05/2011


O novo presidente da Vale, Murilo Ferreira, deixou claro, ao tomar posse, sua disposição de buscar um novo posicionamento estratégico para a companhia, principalmente no que diz respeito à política de investimentos. Disse entender como essenciais investimentos diretos em siderurgia, como forma de ampliar o mercado interno para o minério de ferro e ao mesmo tempo aumentar seu valor agregado, além de responder às comunidades em que atua. Atualmente, a Vale tem interesses nos projetos da Companhia Siderúrgica de Pecém, no Ceará, e em associação com grupos sul-coreanos; na Alpa, projeto em desenvolvimento no Pará; na Companhia Siderúrgica de Ubu, no Espírito Santo; e na Companhia Siderúrgica do Atlântico, no Rio de Janeiro, além de participações minoritárias em outras siderúrgicas.
Outro ponto importante abordado pelo mineiro Murilo Ferreira em sua posse diz respeito às divergências quantos aos cálculos dos royalties sobre a mineração. Como se sabe, o Departamento Nacional de Produção Mineral cobra da empresa uma conta de R$ 4 bilhões, valor contestado e não recolhido. Ele propõe diálogo entre as partes de tal forma que se possa chegar a uma interpretação comum sobre as determinações legais sobre a matéria. Os dois pontos abordados pelo novo presidente da Vale são de direto interesse de Minas Gerais, berço da empresa e onde ainda hoje se realizam algumas de suas mais importantes atividades. E o Estado reclama compensação mais efetiva pelo que representou e representa para a empresa que, a partir de Itabira, se transformou na maior mineradora de minério de ferro no planeta.
A questão dos royalties, neste contexto, está no rol das obrigações mais elementares, algo que sequer deveria ser discutido, a não ser quanto ao valor atribuído a esta compensação básica. Mais relevante nos parece a rediscussão da política de investimentos da empresa que, em termos mais substanciais, claramente vem se deslocando para fora de Minas Gerais. Quando o novo presidente fala do interesse em incrementar negócios nessa área, lembrando precisamente que se trata de fortalecer seu mercado interno e ao mesmo tempo de favorecer as comunidades locais, é preciso, em resposta, dizer-lhe que Minas não se conforma em continuar assistindo à marcha das composições ferroviárias em direção ao litoral, levando o minério que ou será exportado ou beneficiado fora de seus limites territoriais.
Do ponto de vista dos interesses regionais, esta é uma questão crucial e não há como compreender, e muito menos aceitar, as políticas até agora adotadas. Porque Minas Gerais não pode continuar assistindo passivamente à exploração de seus recursos naturais, que são finitos, de uma forma quase predatória.

Diário do Comércio


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