Minas abre canal com a Índia
26/10/2011
Missão oficial do governo do Estado deverá render negócios em diversos setores.
A missão oficial do governo do Estado à Índia, realizada entre os últimos dias 10 e 18, pode render bons frutos para Minas Gerais. Setores como tecnologia da informação (TI), óleo e gás, energia, construção civil, esportes, hospitalar, mineração e siderurgia oferecem maiores oportunidades de fechamentos de negócios com o país asiático. Diante dessa perspectiva positiva, a missão cumpriu seu objetivo de estreitar os laços comerciais e institucionais e incrementar o comércio bilateral entre Minas Gerais e a Índia.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Roberto Fagundes, destaca que o país asiático trabalha fortemente na capacitação de pessoas. “É um país com um volume enorme de pessoas, são 1,2 bilhão de habitantes, e aquelas que querem prosperar buscam a educação. Não é por acaso que entre os grandes cientistas e filósofos sempre encontramos algum de nacionalidade indiana. E as empresas do país conseguiram se desenvolver em nível mundial”, observa.
Ele lembra, no entanto, que algumas dessas companhias ainda atuam de forma tímida no Brasil. “Mas com grande perspectiva de crescimento”, completa. Fagundes destaca as visitas feitas à Infosys Technology, empresa líder mundial na área de tecnologia da informação, com escritórios em 33 países, e ao Tata Group, que atua em áreas diversas, como TI, energia, engenharia e telecomunicações, entre outras. “Ficamos boquiabertos com a Eletronic City, mantida pelo Tata Group. Lá convivem mais de 25 mil pessoas, é uma estrutura enorme”, destaca.
Fagundes ressalta os contatos feitos nas áreas de TI, óleo e gás, energia, siderurgia, mineração e construção civil. Segundo ele, a descoberta de gás na Bacia do Rio São Francisco, no região Central de Minas Gerais, chamou a atenção de grandes empresários indianos. “Eles também estão de olho nas obras do metrô de Belo Horizonte, no projeto de privatização dos aeroportos brasileiros, incluindo Confins, nos projetos de geração de energia eólica, entre outros. As perspectivas que Minas Gerais oferece surpreenderam os indianos e eles já combinaram de trazer uma comitiva para conhecer o Estado”, afirma.
Dentro dos setores de óleo e gás, mineração e siderurgia, a Delp Engenharia Mecânica aproveitou a missão oficial para apresentar seu portfólio de equipamentos aos empresários indianos. De acordo com o presidente da Delp, Petrônio Machado Zica, o contato mais forte foi estabelecido com o Tata Group, mas nenhum contrato foi fechado. “Estamos aguardando a chegada de algum aviso de concorrência deles para analisarmos a oportunidade e vermos se vamos participar”, explica.
Machado Zica também destaca o interesse dos indianos no gás encontrado na Bacia do São Francisco, mas lembra que essa negociação acontecerá à parte, com o governo do Estado, e que demanda mais tempo.
Futebol – Os indianos também estão de olho no futebol brasileiro. Fagundes informa que os representantes da Alfa Consultoria Esportiva tiveram uma receptividade muito grande no país asiático. “Eles querem desenvolver o futebol no país para tentar participar pela primeira vez de uma Copa do Mundo em 2018”, observa.
O presidente da Alfa, Alexandre Faria, explica que o críquete é o esporte número um no país. Mas, desde 2006, quando o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, visitou o Brasil e pediu ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajuda para desenvolver o futebol no país são feitos contatos nesse sentido entre o governo e empresas brasileiras e a Índia.
“Nessa visita conheci a All India Football Federation (AIFF), que é a confederação de futebol daquele país, três clubes e duas academias locais. Após as visitas tivemos uma reunião com o secretário-geral da AIFF na qual discutimos uma forma da Alfa ajudar a Fifa a desenvolver o futebol na Índia”, diz Faria.
Ele destaca que ainda não há nada concreto, mas que a empresa possui vários produtos que podem colaborar nesse processo de desenvolvimento do futebol no qual o país asiático está interessado. Entre esses produtos estão cursos de formação de treinadores, intercâmbio de jovens atletas e metodologia de treinamento para formação de atleta. “Essas são as expertises que poderíamos colocar à disposição da confederação indiana”, conclui Faria.
Diário do Comércio