MG volta a discutir projeto que pode afetar CSN e outras empresas
03/02/2012
A câmara dos vereadores de Congonhas (MG) volta a discutir na semana que vem o projeto de tombamento da região no entorno da Serra Casa de Pedra, que pode afetar futuros empreendimentos de mineração, entre eles a mina de mesmo nome da CSN.
A CSN, que tem faturado mais com a venda de minério de ferro que com a comercialização de aço, quer ampliar sua mina, localizada próxima da Serra Casa de Pedra, de uma produção atual de cerca de 20 milhões de toneladas por ano para 89 milhões até 2015, podendo chegar a 100 milhões.
A ampliação da mina enfrenta resistências diante de dúvidas sobre possível ameaça ao perfil da serra que faz parte da paisagem de Congonhas e aos mananciais que abastecem a cidade, que abriga o santuário de Bom Jesus de Matosinhos, esculpido por Aleijadinho e protegido pela Unesco.
A discussão sobre a expansão da exploração mineral na serra vem acontecendo desde 2007, quando a CSN anunciou seus planos de expansão da mineração.
“Minha intenção é acabar com isso logo, não postergar mais. Estamos em ano eleitoral e o povo pede uma resposta”, disse o presidente da Câmara dos Vereadores de Congonhas, Eduardo Matosinhos (PR), à Reuters, acrescentando que espera uma decisão dos vereadores sobre a expansão neste semestre.
Com a volta da casa de recesso parlamentar, a intenção do vereador é acelerar a discussão pelas comissões da Câmara, convocando licitação para contratação de empresa que fará uma “leitura técnica” de propostas da CSN para a ampliação da mina.
“A mina de Casa de Pedra é uma das maiores do mundo, queremos uma linguagem independente para sabermos se (a proposta da CSN) tem consistência”, disse Matosinhos, afirmando que acredita que a avaliação da proposta da siderúrgica pela empresa a ser contratada vai levar 90 dias. “Terminado isso, (a expansão de Casa de Pedra) vai a voto.”
Por meio de sua assessoria de imprensa, a CSN informou que “participa desde 2007 das discussões públicas sobre a definição da poligonal do tombamento da Serra Casa de Pedra e acredita que é possível conciliar a preservação ambiental com a atividade mineradora na região”.
“Estamos aguardando a CSN discutir com a sociedade (…) Do jeito que está, o projeto (da CSN) não passa não”, disse o vereador Adivar Barbosa (PSDB). “A serra faz parte do conjunto paisagístico da Serra de Casa de Pedra”, acrescentou, afirmando que 80 por cento da água de Congonhas é abastecida pela serra.
Reuters